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‘Fracking’ sem água

A palavra inglesa fracking é diminutivo de hydraulic fracturing, ou rompimento hidráulico. É também uma das mais extraordinárias histórias de sucesso da indústria energética, de sua capacidade de abrir fontes antes não lucrativas de petróleo e gás na América do Norte, Europa e Ásia, principalmente China – e que traz a possibilidade de energia barata, limpa e abundante, livre do controle dos países do Oriente Médio. Um problema nisso tudo é a preocupação dos ambientalistas.

A Chimera Energy Corporation, de Houston, Texas, anunciou que está licenciando um novo método de extrair petróleo e gás de campos de xisto sem contaminar fontes de água, já que em vez dela usa reações exotérmicas.

O rompimento hidráulico funciona bombeando milhares de litros de água colunas abaixo até chegar a camadas profundas de xisto. Bombeada a pressões de até mil atmosferas a água rompe o xisto, forma fissuras que deixam passar o óleo ou o gás e permite que flua livremente. O processo tem aberto campos anteriormente considerados imprestáveis, mas que agora prometem render trilhões de barris de petróleo ou, mais ainda, de gás natural.
Dependendo do método utilizado e do tipo de campo de petróleo, vários outros materiais são adicionados à água usada no rompimento – areia, agentes espumosos, géis e redutores de atrito. Apesar do fato do rompimento hidráulico ser usado primariamente em depósitos geológicos profundos, existe a preocupação de que esses materiais e rádons radioativos do poço vazem diretamente nos lençóis freáticos, ou contaminem a água após o bombeamento.

Há engenheiros de rompimento que preferem métodos não-hidráulicos – por exemplo, propano em gel em vez de água, como usado recentemente em Nova York. O propano volta a ser um gás no fim do processo e pode ser bombeado para fora, deixando os eventuais aditivos no poço – o mesmo que se faz ao ferver água salgada e deixar o sal para trás.

O processo da Chimera vai mais adiante: elimina todo e qualquer líquido, usando o chamado rompimento seco,ou extração exotérmica. Inicialmente desenvolvido na China, esse processo envolve gases quentes em vez de líquidos para fraturar o xisto. Os chineses pretendiam usá-lo em regiões árticas, onde a água congela – mas a Chimera o desenvolveu mais adiante, conseguindo utilizá-lo em uso geral.

No rompimento seco óxidos metálicos, evaporantes ultra-expansivos e pedra-pome são bombeados ao poço. Os óxidos metálicos reagem uns com os outros, formam uma reação exotérmica, geram gases extremamente quentes que se expandem e quebram o xisto, enquanto a pedra-pome entra com força e reforça as fraturas, impede que se fechem e mantém abertos os canais de fluxo de petróleo ou gás.
A Chimera Energy diz que a técnica não apenas é ambientalmente segura, mas também é compatível com qualquer poço existente.