A Bosch e a bicicleta elétrica

Informação publicada no informativo eletrônico Carga & Transporte, editado por José Luiz Vieira dá conta que há cerca de 20 anos atrás, a Yamaha Motor japonesa apresentou a primeira bicicleta com apoio elétrico feita em escala industrial. Para evitar problemas com a legislação local e a necessidade de licença para pilotá-la, ela não era estritamente elétrica, e sim uma bicicleta normal, que dependia dos músculos das pernas do ciclista em sua operação. O motor elétrico era apenas de ajuda, para subir ladeiras, por exemplo. Era o veículo do futuro, mas praticamente desapareceu do mercado durante quase duas décadas.

Hoje, ela já aparece como uma espécie de irmã caçula do carro elétrico, e apesar de muita gente ainda não a aceitar, agora parece que vai chegar aos principais mercados do mundo. Para aqueles que ainda assim lhe torcem o nariz, nomes de primeiríssima linha no mundo automotivo eliminam qualquer dúvida de sua existência e de seu brilhante futuro.

A Bosch, a maior produtora de peças de automóveis do mundo, pegou o fabricante americano de bicicletas Cannondale para colaborar no desenvolvimento de um sistema de tração elétrica para magrelas.

Para começar, seu sistema é muito especial simplesmente por possuir três sensores no motor. Várias vezes por segundo, eles medem a força e a frequência com que o ciclista pedala, e a velocidade a que a bicicleta se desloca. Quando o processador HMI (Human-Machine Interface, interface homem-máquina) detecta que a mesma quantidade de pedaladas está resultando em menos velocidade, por vento de frente ou o começo de um aclive, por exemplo, automaticamente compensa aumentando a assistência ao pedal.

O motor é de 250 watts, com potência máxima instantânea de 350. A energia vem de um pacote de baterias de íons de lítio de 36 volts, capaz de 288 watts-hora, 500 ciclos de carga/descarga e recarga em duas horas e meia. A unidade de controle HMI vai no guidom, mostra a quantidade ainda restante de energia nas baterias e permite a escolha de quatro níveis de potência, de 0 a 150%: Eco (maior raio de ação), Tour (passeio), Sports (dinâmico) e Speed (velocidade máxima). Dependendo da energia selecionada, a autonomia irá de 35 a 80 km com uma carga completa.

O apoio elétrico acontece apenas quando o ciclista está pedalando, e nunca acima de 40 km/h – quando, na legislação americana, a bicicleta seria considerada um veículo a motor.

Muito interessante é o fato de que todo fabricante de bicicletas que esteja interessado no sistema pode incorporá-lo à sua marca – sempre como equipamento original de fábrica, nunca como pós-venda.