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A desconhecida Suzuki XF 650 Freewind

Suzuki XF 650 Freewind ano 2001

Suzuki Freewind 650 ano 2001

No final da década de 1990, envolvido com as despesas familiares, filha cursando colégio caro, curso de inglês, roupas da moda, a vontade que eu sentia de comprar uma moto “grande” era apenas um sonho pois de forma alguma eu teria recursos para investir em mim, no meu lazer e na minha vida: afinal, o que não fazemos por nossos filhos, não é? Se você ainda não os tem, um dia, quando os tiver, entenderá muito bem a que estou me referindo.

Como forma de alimentar meu sonho e “estar junto” das motos que tanto desejava, aproveitava o intervalo de almoço para visitar lojas de motos e admirar as motos dos sonhos, o que me proporcionava um prazer indescritível. E foi em uma dessas visitas à revenda Suzuki próxima ao meu trabalho que vi pela primeira vez a Suzuki XF 650 Freewind, recém chegada ao mercado brasileiro. Foi amor à primeira vista! Desenho incrível, painel digital, freios à disco em ambas as rodas, emfim um espetáculo de motocicleta.

Como não tinha a menor condição de tê-la naquela época, prometi a mim mesmo que “um dia, no futuro, eu teria uma”. Seu preço era muito alto na época, algo perto de 30% superior a uma Yamaha XT 600, que era a trail de média cilindrada mais popular na época, e também muito cara.

Suspensão traseira monoamortecida, assistida por reservatório de gás - detalhe para o escapamento de aço inox

Suspensão traseira monoamortecida, assistida por reservatório de gás – atente para o escapamento de aço inox

O tempo passou, minha filha se formou, se casou, e assim meu salário passou a ser praticamente “todo meu”. Mas a vida nos prega peças e problemas surgiram, fazendo com que meu sonho tivesse que ser adiado por muitos anos, período em que tive várias Honda NX 350 Sahara, ótimas motos, que atenderam minhas necessidades, mas não era a que eu queria de verdade.

No início de 2013, consegui juntar o dinheiro necessário e, finalmente chegou o momento de cumprir aquela promessa feita há longos 16 anos. Comecei a busca na internet e achei várias em “estado de zero km”, com preços bastante variados. Depois de muito negociar acabei comprando uma na cidade de Balneário Camboriú, azul, ano 2001, moto com apenas 19.400 km originais de fábrica, parecendo ter saído recentemente da linha de montagem.

Saí de Curitiba pela manhã, de ônibus, fechei o negócio e imediatamente peguei a estrada de volta, conhecendo a minha nova companheira do melhor jeito possível, nos 223 km da BR 376 até em casa, exatamente como fiz quando comprei minha última Sahara na cidade de Cubatão (SP), história contada aqui no Motonline. Após 3 anos ainda estou com ela e não penso em trocá-la por outra mais nova, já que ela atende todas as minhas necessidades, oferecendo muita segurança, conforto, confiabilidade e facilidade de manutenção.

CONHEÇA A SUZUKI XF 650 FREEWIND

No resto do planeta ela foi fabricada de 1997 a 2002, mas aqui no Brasil foi comercializada pela J. Toledo Suzuki com um ano de defasagem, ou seja, de 1998 a 2003. Trata-se de uma motocicleta com motor monocilíndrico de 644cc e 47 cv a 7.000 rpm, motor consagrado na sua antecessora, a DR 650, 2 carburadores e duas velas, de manutenção muito simples, cujo objetivo era garantir-se “inquebrável”, ideal para os aventureiros que viajavam para locais inóspitos e sem oficinas autorizadas por perto.

O paralama dianteiro baixo deixa evidente sua aptidão para o ON Road ...

O paralama dianteiro baixo deixa evidente sua aptidão para o ON Road …

Tem um aspecto tipicamente europeu, o que é curioso visto ser uma japonesa, não se parecendo com a maioria das Suzuki. Ela tem um estilo semelhante às suas concorrentes européias. Aparentemente uma mistura de estilo Turismo com uma Trail. Esta combinação de sucesso veio para competir diretamente com a grande BMW F650, campeã de vendas na Europa em sua categoria.

... mas não deixa a desejar em OFF brando

… mas ela não deixa a desejar em OFF Road moderado

A princípio, a Suzuki pegou o motor de sua Dual-Purpose DR 650RE, colocou em um quadro menor e mais baixo e a equipou com componentes voltados para o uso urbano e estradeiro. Tanto a DR 650 quanto a XF650 Freewind usam a mesma mecânica básica, porém não foram montadas com a mesma proposta de uso. Com aro dianteiro de 19 polegadas e pneus de uso misto, a Freewind foi direcionada praticamente para o uso ON-Road, ao invés do OFF-Road de sua irmã mais velha, a DR 650.

Painel digital com marcador de combustível, um luxo para a época

Painel digital com marcador de combustível, um luxo para a época

Apesar de ter sido concebida para ON Road, ela não faz feio nas estradas de terra. Versatilidade é o seu ponto forte pois encara pisos não pavimentados com muita valentia, transmitindo confiança de pilotagem. Ambas as suspensões – a traseira assistida por cilindro de gás – oferecem muito conforto e os freios são fantásticos, mas nunca tiveram a opção do ABS. A caixa de câmbio é muito suave e o escalonamento das marchas é perfeito, proporcionando uma aceleração contínua até sua velocidade final, algo próximo aos 170 km/h. Apenas a primeira marcha é um pouco longa o que exige maior trabalho da embreagem nas arrancadas, característica que ocorre também nas atuais V-Strom 650.

É uma moto extremamente bem acabada, construída em plástico (carenagens e adornos) e alumínio (rodas, balança, bagageiro), feita para durar muito, sem que seu dono precise se preocupar com ferrugem. Até o escapamento é feito com aço inoxidável, o que lhe garante uma vida muito longa sem precisar de manutenção. Para sua época, a Freewind oferecia mais qualidade que a concorrência, incluindo até um moderno painel digital com marcador de nível de combustível, um luxo para a época em motos de média cilindrada.

SuzukiFreewind_FichTec

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Mário Sérgio Figueredo

Motociclista apaixonado por motos há 42 anos, começou a escrever sobre motos como hobby em um blog para tentar transmitir à nova geração a experiência acumulada durante esses tantos anos. Sua primeira moto foi a primeira fabricada no Brasil, a Yamaha RD 50.