A turbulenta história do Wankel japonês

O primeiro autom¢vel com motor Wankel ‚ o NSU Spider, lan‡ado em 1964, com uma dessas unidades vindo ao Brasil.

O Spider ‚ seguido pelo avan‡ado mas problem tico NSU RO 80. Os alemÆes licenciam o Wankel a todas as grandes montadoras do mundo, mas somente os japoneses da antiga Toyo Kogyo conseguem fazer carros bons e confi veis com este tipo de motor rotativo.

Os primeiros Toyo Kogyo com este tipo de motor sÆo os Cosmo Sport (depois RX-5), que vende 343 unidades e Familia (323), lan‡ados respectivamente em 1967 e 1968, com motor de dois rotores chamado 10A, de 982 cm3 de deslocamento, 110 hp de potˆncia e 130 Nm de torque. Em 1968, a companhia j  comercializa 7.097 unidades com este tipo de motor. Dois anos depois, o 10A ‚ substitu¡do pelo 13A (1.310 cm3, 126 hp e 172 Nm, cupˆ Luce) e um ano mais tarde pelo 12A (1.146 cm3, 120 hp e 157 Nm, Capella). Em 1971, aparece o Savanna de 982 cm2 e no ano seguinte o Luce de 1.146 cm3, varia‡äes dos 10A e 12A. As vendas de Mazdas com motor Wankel atingem seu ponto hist¢rico mais alto em 1973, com 239.871 unidades.

A¡, problemas: em novembro, os  rabes quadruplicam o pre‡o do barril de petr¢leo, e um p£blico chocado tenta adquirir carros mais econ“micos de combust¡vel. As vendas globais de carros caem 53% nos pr¢ximos trˆs anos, e as de carros com motor Wankel, 83%. Um engenheiro chamado Kenichi Yamamoto foi designado chefe de um grupo especial para salvar o Wankel, o que fez em trˆs anos, com o lan‡amento final do RX-7. Mais cinco anos, e Yamamoto e seu grupo fazem o 12A turbocomprimido, com 130 hp e 162 Nm. Em 1985 o RX-7 ‚ remodelado e recebe motor 13B de 185 hp e 245 Nm.

Em 1990, a Mazda lan‡a o primeiro tri-rotor, o 20B, de 1.962 cm3, com dois turbocompressores seqenciais, 280 hp e 402 Nm, equipando o sedÆ de luxo Cosmo. Em 1993, a Mazda vence as 24 Horas du Mans, categoria experimental, com um motor de quatro rotores chamado R26B, e no fim do ano lan‡a o RX-7 remodelado e melhorado, com motor tri-rotor quase todo em alum¡nio. O problema ‚ que o pre‡o de lista ‚ quase o dobro do modelo anterior, mas ainda assim vende quase 27.000 unidades.

A¡, problemas novamente: a economia japonesa desaba e o yen sobe muito de valor, fazendo o pre‡o do XR-7 chegar a quase cinqenta mil d¢lares. As vendas totais nÆo chegam a 5.200 unidades.

Um ‘grupo de reestrutura‡Æo’ da Ford Motor Company, a nova dona da empresa japonesa, decreta o fim do desenvolvimento de motores Wankel, tira o Cosmo do mercado dom‚stico japonˆs e o RX-7 do mercado americano. As vendas de carros com motor Wankel caem para cerca de 2.900 unidades/ano, 96% a menos que em seu melhor ano, 1979. Em 1994, a Ford define a comercializa‡Æo do motor de ‘ciclo Miller’, que recebe prˆmios de Imprensa no Ocidente e Oriente – mas nÆo vende, e a Mazda est  quase parando.

Agora, a¡ est  o Renesis, aparentemente pronto para voltar a fazer do Wankel um senhor ponto de vendas. At‚ hoje, foram comercializados pouco mais de um milhÆo e oitocentas mil unidades de motores Wankel japoneses, os £nicos que at‚ hoje realmente funcionaram como se deve. O futuro parece muito bom para este motor, at‚ hoje tÆo pouco conhecido. O pessoal da Mazda, e at‚ mesmo o da Ford, estÆo apostando nisso.