Abraciclo muda e ganha nova marca:

Abraciclo muda e ganha nova marca:

Dafra Motos

Entidade pretende dar continuidade aos objetivos planejados até 2010.

por M. Barthô – Fotos: Divulgação

Vista aérea da nova fábrica

Como já informou o Motonline, a Abraciclo – Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares – definiu o novo corpo diretor da entidade, que deverá comandá-la até 2010.

A gestão da Abraciclo continua sendo presidida Paulo Shuiti Takeuchi. Jaime Teruo Matsui é primeiro vice-presidente, Paulo Rubens Lacerda de Castro Lacerda é diretor vice-presidente regional em Manaus (AM) e Roberto Yoshio Akiyama, Cláudio Rosa Júnior e Jayme Marques Filho ocupam as posições de diretores vice-presidentes.

O conselho consultivo da entidade é representado por Toshio Shimazu e o conselho fiscal é composto por Ariovaldo Luiz, da Honda, e Mário Martins Rocha, da Yamaha.

A votação da nova cúpula diretora, que acontece bienalmente, contou com a participação de importantes membros das empresas associadas à entidade. Entre as montadoras estão a Honda, Yamaha, Sundown, Kasinski, Harley-Davidson, Dafra, Prince e Caloi. – Continuaremos atuando fortemente pelo setor no país, além de promover e incentivar à utilização dos veículos de duas rodas como meio de transporte real e legítimo pela população brasileira -, afirma o presidente Paulo Takeuchi.

Dafra chega com força

A Dafra, mais nova associada da Abraciclo, chega com um esquema forte. A marca faz parcerias globais para atender à demanda do mercado brasileiro. As motos estão sendo desenvolvidas no Brasil e na Europa, dentro do atual conceito globalizado de fabricação de veículos, onde as fronteiras geográficas são substituídas pela viabilidade economica.

Segundo a montadora, as adaptações à norma “EURO 3″, que entram em vigor a partir de 2009, são feitas a partir de tecnologia de empresas norte-americanas de injeção eletrônica e de empresas européias de desenvolvimento de equipamentos para controle de emissão de poluentes.

A maior parte das peças utilizadas na linha de montagem, em Manaus, é manufaturada na China. A Dafra informa que, graças a essa combinação global — aliás, muito atual — reúne as condições para oferecer produtos de qualidade a preços atrativos para o mercado brasileiro.

A história da Dafra teve início ainda em 2006, quando o Grupo Itavema começou a estudar a viabilidade de ampliar seu leque de investimentos.

O investimento para os custos com desenvolvimento de produto, ativos fixos, aquisição de peças e ferramentas, desenvolvimento da marca e capital de giro na montadora foi da ordem de R$ 100 milhões.

A maior parte desse aporte foi destinada à construção de uma fábrica, em Manaus (AM), que já conta com dois galpões industriais, 100 mil metros quadrados de área territorial e mais de 300 funcionários na linha de montagem.

Em visita a fábrica, este repórter constatou que as modernas instalações realmente oferecem ótima infra-estrutura para a montagem. Quatro linhas de produção de motores e motocicletas foram iniciadas no mês de dezembro, número que dobra até março de 2008.

Importados da China em lotes CKD (completely knocked down), que possibilitam montagem local, os modelos foram testados por técnicos da montadora ao longo do ano passado, para que se escolhessem os que melhor se adaptavam às condições brasileiras.

Laser 150

A Dafra estima que deva produzir 60 mil motos em 2008 e 90 mil em 2009.

– Aproximadamente 93% das peças são manufaturadas na China. A montadora tem acordos de longo prazo com três fornecedores asiáticos ( Loncin, Lifan e Zongshen ), que estão entre os maiores fabricantes mundiais de motocicletas — informa um assessor da marca.

Inicialmente, serão produzidos e comercializados quatro modelos de motos. A Dafra ressalta que entra no mercado com um portfólio de produtos em quantidade e qualidade comparáveis às líderes do setor. Mas, segundo o fabricante, o preço médio, em função da alta tecnologia e dos baixos custos da produção, é de R$ 4,6 mil — ou cerca de 20% a 30% mais baratas do que suas principais concorrentes. No mês de maio, a marca lançará um quinto modelo.

Speed 150

A Speed 150 chega com preço de R$ 4.990,00. Os planos da montadora ainda conta com um modelo de 100 cc (Super 100), uma scooter (Laser 150) e uma custom (Kansas 150). Os preços variam de R$ 3.290,00 a R$ 5.990,00.

O diretor da Abraciclo, Moacyr Paes, 60 anos, disse à Motonline que a Dafra atende a todas as exigências da entidade que representa as indústria de duas rodas. – A nova associada entra em um momento em que o mercado está crescendo. E sua infra-estrutura mostra que eles têm todas as preocupações de chegar ao mercado na posição de um fabricante já instalado, seguindo as normas industriais dos concorrentes tradicionais do setor – diz.

Primeiras críticas

Apesar da chegada forte, com uma infra-estrutura de causar respeito e propaganda contínua em horário nobre de TV, a Dafra já conta com as primeiras críticas às suas motos e em seu atendimento.

O motociclista André Fontolan Scaramuzza, de 27 anos, de São Paulo (SP), (andre.scaramuzza@globo.com) mandou um e-mail a este repórter, espontaneamente, com várias reclamações. – Comprei uma moto da marca Dafra, modelo Laser 150, na loja Tucuruvi, na Zona Norte de São Paulo, em março de 2008. Mas desde que retirei a moto da revenda ela não parou de dar problemas – diz ele. O consumidor afirma que já ficou mais de 30 dias com a moto encostada para serviços de manutenção, mas os problemas continuaram ocorrendo. – Para se ter uma idéia, eu não consegui ficar 10 dias seguidos com ela. Hoje ela está com 450 km rodados. No sábado, dia 10 de maio, quase morri quando ela deu pane total, em movimento, em plena Avenida 23 de Maio, bem no meio do fluxo de carros – relata. Ainda segundo o motonliner, o problema ocorreu às 07:50 da manhã e o resgate da marca só chegou por volta das 11:30. – Após terem “ajeitado” a moto, fui até a loja e a deixei à disposição do fabricante para que a venda fosse cancelada ou então me fosse dada uma nova unidade, como dispõe o código de defesa do consumidor. Mas, segundo o internauta, não foi bem isso que ocorreu. Indignado, ele diz que ficou alguns dias sem resposta. – Em 15/05 “me informaram que, se eu quiser (grifo do consumidor), terei de aguardar o problema ser descoberto, arrumado e aceitá-la, mesmo que tenham de trocar todas as peças da moto, ou então que devo procurar meus direitos”. Ele observa que em uma das vezes que deixou a moto para arrumar os problemas e também fazer o recall a mesma foi “batida dentro da loja e tiveram de trocar toda a carenagem dela”. – Foram ótimos para vender, mas e o pós-venda? E o respeito ao código de defesa do consumidor? E a satisfação do cliente? — reclama. Scaramuzza afirma que está sem moto, com a dívida aberta e “ainda me mandaram caçar coquinho!” – Agora terei de perder mais tempo ainda com denúncias ao Procon e ingresso de ação judicial. A Dafra não tem peças de reposição e eles ainda estão aprendendo a consertar as motos e aprendendo a desenvolvê-las! – encerra Scaramuzza.

Procurada para comentar assuntos à respeito de seus investimentos e também este, a Dafra posiciona, através de sua assessoria, que no momento não está atendendo à Imprensa. Motonline está aberto para acompanhar o desenrolar do caso.