Acabou a brincadeira!

Acabou a brincadeira!

Não dá mais para brincar, empurrar com a barriga, ficar esperando que as coisas aconteçam. Elas já estão acontecendo e quem não enxergar, perderá o bonde da história.

Sabe por quê?

Vamos dar uma passeada num lado que muitos desconhecem. Em primeiro lugar, vamos aos dados fornecidos pela Abraciclo – Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares. Paulo Takeuchi, presidente da entidade apresentou os seguintes números do mercado:

– De Janeiro a Setembro de 2007 foram comercializadas 1.196.650 motos

A divisão por cilindrada foi a seguinte:

– até 100 cc 8,3%

– de 101cc até 150 cc 80,0%

– de 151 cc até 250 cc 9,2%

– de 251 cc até 450 cc 0,9%

– acima de 451 cc 1,6&

– De Janeiro a Setembro de 2007 foram exportadas 106.632 motos

Motivos para esse crescimento:

– consolidação da moto como meio de transporte;

– alternativa para consumidores se locomoverem ou ir trabalhar;

– emprego mais estável no país;

– o interior dos Estados descobriu as motos;

– a moto passou a ser escolhida como primeiro veículo e não mais o carro;

– oferta de produtos com qualidade;

Além disso, segundo o diretor-executivo da Abraciclo, Moacyr Paes, a entidade prepara para breve uma discussão sobre o crescimento do serviço de moto frete e moto táxis.

Os dados da Abraciclo refletem unicamente o universo das empresas associadas, no caso Brasil & Movimento (Sundown), Harley Davidson, Moto Honda, Kasinki e Yamaha. Segundo os dados complementares, o número mais aproximado é estimado em 1.7 milhões de motos comercializadas em 2007.

Mas fica a questão: qual será, a partir de agora, o numero real de motos despejadas no mercado, se contarmos a Suzuki, MVK, Motor-Z, Hao Bao, Moto Traxx, Zanella, BRP (Bombardier), Moto Amazonas, Mottus, e outras coreanas e chinesas que também estiveram no Salão?

Poucos são os profissionais que estão de olho nesse apetitoso mercado e já se preparam para marcar sua presença.

Por exemplo: empresas como Starplast, a maior fabricante de capacetes da America Latina, há 20 anos no mercado e comercializa a linha Peels, Bieffe e Fly, produzindo cerca de 150 mil capacetes por mês, acaba de comprar um espaço dentro de uma fábrica em Dong Uang, na China, para ampliar e baratear sua linha de produção. Segundo Oswaldo Coelho de Souza, diretor da empresa, “na China, desenvolvo um capacete em 45 dias, partindo do zero. No Brasil, demoro para fazer o mesmo capacete quase seis meses!”. Souza complementa, “lá, além de montarmos uma plataforma de exportação para o Brasil, ela servirá também para a Europa”.

Igualmente, acompanhando esse crescimento, Yutaka Kume, presidente da Yamaha no Brasil, diz que “até 2010 passaremos a produzir de 600 mil a um milhão de unidades e faremos investimentos da ordem de 500 milhões de reais na ampliação da fabrica e novos produtos”.

Outro que vem acompanhando e aproveitando a onda do crescimento é Alberto Pellegrini, diretor da Megacycle, uma empresa que promove eventos de motociclismo e automobilismo, que vai realizar de 21 a 26 de Outubro de 2008 o Salão da Motocicleta (www.salaodamotocicleta.com.br). Segundo Pellegrini, “Os motociclistas terão um Salão exclusivo de motos, feito por motociclistas, com experiência em realizar eventos de grande porte”. Além disso, haverá a possibilidade da criação de um fórum de discussões sobre a atual situação da frota de cerca de 9 milhões de motos rodando e as autoridades ainda não entenderam a importância disso, só estão revisando algumas Leis, porém, as vias publicas permanecem as mesmas, os acidentes idem, etc.

Não é a toa que Pirelli, Eaton, NGK, Sarachú, Eberlin, Otuky, Roncar, Riffel, Rinaldi, Control Flex, Ajax, Magneti Marelli e outros cerca de 370 expositores, marcaram sua presença no Salão Duas Rodas e vão investir ainda mais nesse mercado.

E não podemos esquecer que outros mercados se beneficiam diretamente do mercado das motos como agencias de propaganda, promoções, assessoria de imprensa, gráficas, componentes eletrônicos, diversos serviços adicionais e muito mais. Não há como mensurar o quanto de dinheiro gira em função desse mercado, mas sabe-se que é muito.

Depois do show de grandiosidade visto no Salão Duas Rodas e com as perspectivas ainda mais animadoras, se o governo não atrapalhar com suas idéias mirabolantes tipo tarifação especial, CPMF, barreiras alfandegárias, alíquotas maiores e aquele bolo de aniversário que sempre eles entregam quando visualizam que podem arrecadar mais sem fazer esforço, teremos um grande futuro e enorme beneficio para os consumidores, com muito mais opções a preços menores. E com qualidade.