Linhas tiveram influência em tubarões e elemento, como a traseira curta, lembram motos clássicas, como a família Panigale

Apache RR 310: Dafra não pretende lançar modelo no Brasil

O duopólio no segmento de esportiva pequenas, protagonizado entre Kawasaki Ninja 300 (em breve, 400) e Yamaha R3, pode estar ameaçado por uma concorrente de peso – com tecnologia de ponta e engenharia BMW? A resposta é: não. Nesta semana, a Dafra confirmou a informação de que não pretende trazer a recém-lançada Apache RR 310 ao Brasil. A esportiva foi desenvolvida através da parceria das montadoras TVS e BMW (a mesma que originou a naked G 310 R e a trail G 310 GS), e apresentada pela TVS Racing ao mercado internacional recentemente.

Apache RR 310 gerou expectativa de vir ao Brasil, mas Dafra mostrou desinteresse em viabilizar a montagem do modelo por aqui

Apache RR 310 gerou expectativa de vir ao Brasil, mas Dafra mostrou desinteresse em viabilizar a montagem do modelo por aqui

    José Ricardo Siqueira, gerente nacional de marcas da Dafra, afirmou que segmento de pequenas esportivas não é interessante para a marca agora

José Ricardo Siqueira, gerente nacional de marcas da Dafra, afirmou que segmento de pequenas esportivas não é interessante para a marca agora

A Dafra possui parceria com marcas do exterior e através desta atuação representa, importa e monta motos de marcas como SYM, TVS (ambas asiáticas) e KTM no Brasil. Além disso, até meados do ano passado (quando a marca alemã inaugurou sua fábrica própria) a Dafra também montava todas as motos da BMW Motorrad vendidas em solo verde e amarelo. Por isso, assim que a TVS Racing divulgou o novo fruto de seu trabalho com os estúdios alemães, a moderna Apache RR 310, procuramos a Dafra para saber se o consumidor brasileiro já podia pensar em um novo investimento para seu 13º. A resposta de José Ricardo Siqueira, gerente nacional de marcas da Dafra, foi categórica. “Monitoramos constantemente o mercado em busca de oportunidades, porém entendemos que ainda não é o momento de investirmos no segmento das motos esportivas de baixa cilindrada”, respondeu o executivo, jogando um balde com gelo nos planos daqueles que imaginaram o novo modelo raspando as pedaleiras em vias brasileiras.

Como é Apache RR 310

Design inspirado nos tubarões

Design inspirado nos tubarões

Seja até mesmo na venda de um imóvel ou veículo, dizem que um negócio só é bom quando oferece vantagens para ambas as partes. Desta forma, se de um lado a parceria entre BMW e TVS possibilitou o desenvolvimento da primeira moto abaixo das 500 cilindradas da marca alemã, permitindo sua expansão para novos mercados, concedeu acesso à tecnologia de ponta por parte da TVS. De carona, a marca indiana também acabou por ‘herdar’ a plataforma e o motor das 310 (R e GS), possibilitando usá-la em um projeto esportivo. Pode parecer pouco, mas a oportunidade de oferecer este novo produto é muito interessante para a marca, visto que as pequenas esportivas constituem um segmento forte na Ásia (onde a linha ‘R’ da Yamaha – assim como concorrentes – tem até uma versão de 150 cc, por exemplo) e motos acima das 300 cilindradas são refinados artigos de luxo.

TVS Racing

TVS Racing

Marca apresentou o modelo recentemente, fruto da parceria com BMW

Motor 312,2 cm³

Motor 312,2 cm³

Propulsor é o mesmo que equipa G 310 R e G 310 GS. É um monocilíndrico que gera 34 cv

Design

Design

Linhas tiveram influência em tubarões e elemento, como a traseira curta, lembram motos clássicas, como a família Panigale

Projeto atual

Projeto atual

Além do motor, suspensão e chassi também são BMW/TVS. Moto tem ABS de série

Lançamento

Lançamento

Na Ásia, modelo chega como topo de linha da TVS e encara um segmento efervescente

No Brasil, só a Apache 200

No Brasil, só a Apache 200

A RR 310 não virá, mas a RTR 200, sim. Modelo foi apresentado e roubou olhares no Salão Duas Rodas

Assim sendo, a Apache RR 310 é equipada com o mesmo motor das ‘meio-irmãs’ G 310 R e G 310 GS: um monocilíndrico, DOHC (quatro válvulas no cabeçote), de quatro tempos, 312,2 cm³ e arrefecimento a líquido que gera 34 cv de potência a 9.700 rpm e 2,8 kgf.m de torque, em 7.700 rpm. O design agressivo e pontiagudo teve inspiração nos tubarões e suas barbatanas, e é complementado por elementos em LED e painel totalmente digital. O chassi é tubular de treliça, o tanque comporta 11 litros e a moto pesa 169,5 kg em ordem de marcha. Segundo a TVS, a moto ultrapassa os 160 km/h de velocidade máxima e acelera de 0 a 100 km/h em cerca de 7 segundos.

Sem RR 310, segue a briga entre Kawasaki Ninja 300 e Yamaha R3

Na Índia, a RR 310 chega com o posto de top de linha da família Apache, que também integra a bem-acabada RTR 200, já confirmada para o Brasil. Se fosse vendida aqui, ela encontraria uma realidade dura, composta por um mercado com baixos números de venda e concorrentes já bem estabelecidos: R3 e Ninja 300. Diferente de locais da Ásia, no Brasil o volume de vendas de motos esportivas é bastante inexpressivo, ocupando, segundo a Abraciclo, apenas 0,92% do total das vendas no varejo. Nota: considerando motos esportivas de todas as cilindradas.

Em 2015, a Yamaha resolveu declarar briga à Kawasaki com a YZF R3. Desde então, ela e a Ninja 300 duelam pelo mercado de esportivas pequenas no Brasil

Em 2015, a Yamaha resolveu declarar briga à Kawasaki com a YZF R3. Desde então, ela e a Ninja 300 duelam pelo mercado de esportivas pequenas no Brasil

Em 2016, a Yamaha R3 vendeu 2.075 unidades, contra 1.171 da Kawa Ninja 300. Vamos considerar aqui mais outro modelo que pode vir a ser concorrente destes dois em virtude de preço, a CBR 500R. No ano passado, ela vendeu 883 motos. Se somarmos os três índices teremos 4.129 motos (em um total de quase 900 mil motocicletas fabricadas no país). Apenas para demonstrar o quão o segmento de esportivas é pequeno no País, as versões naked destes três modelos venderam 9.013 unidades (4.519 MT-03; 1.239 Z300; e 3.255 CB 500F) no mesmo período, mais do que o dobro de carenadas.

O contragolpe da Kawa virá apenas no final de 2018, com a Ninja 400, apresentada durante o Salão Duas Rodas (foto)

O contragolpe da Kawa virá apenas no final de 2018, com a Ninja 400, apresentada durante o Salão Duas Rodas (foto)

E nesta breve análise é preciso dizer: Yamaha e Kawasaki tiram leite de pedra no segmento, mantendo boas médias de vendas e conseguindo se permanecer competitivas neste nicho. Destaque, principalmente, para a pequena esportiva verde, que chegou aqui como Ninja 250R (em 2009), se tornou Ninja 300 (em 2013) e virá como Ninja 400 no próximo ano, mostrando um contínuo esforço para se manter forte em um segmento onde os clientes esperam muito e querem ‘pagar pouco’ (afinal, quantas milhares de vezes ouvimos que com o valor de uma moto zero da categoria seria possível adquirir uma 600 cilindradas usada?).

Uma vez a Dafra trouxe a Roadwin, mas agora não quis a Apache RR 310…

Antes, outras marcas já haviam se aventurado no segmento mas nunca decolaram em vendas ou tiveram problemas para permanecerem no mercado. A própria Dafra trouxe ao País a Roadwin 250R, em 2012. No nosso teste, a moto mostrou bom desempenho em pista e um nível de vibração excepcionalmente baixo. “O ponto de maior destaque da Dafra Roadwin 250R é a ciclística. Seu comportamento na sinuosa pista de teste foi exemplar, com muita facilidade de mudança de direção sem precisar fazer qualquer esforço”, dissemos, na ocasião.

A Dafra já teve uma passagem, digamos, de pouco sucesso pelo segmento de pequenas esportivas. De 2012 a 2015 vendeu por aqui a Roadwin 250R, que emplacou míseras 820 unidades (enquanto Comet GT-R 250 bateu a marca das 12 mil em seis anos, por exemplo)

A Dafra já teve uma passagem, digamos, de pouco sucesso pelo segmento de pequenas esportivas. De 2012 a 2015 vendeu por aqui a Roadwin 250R, que emplacou míseras 820 unidades (enquanto Comet GT-R 250 bateu a marca das 12 mil em seis anos, por exemplo)

Contudo, os 24 cv de potência a 9000 rpm e 1,92 Kgf.m de torque a 7000 rpm não empolgaram o mercado e, do mesmo modo, nem o fato do projeto ter arrefecimento a líquido e motor DOHC ajudou a moto a emplacar nas vendas. Seus números de varejo nunca foram comparáveis aos das concorrentes. De 2012 a 2015, foram apenas vendidas 820 unidades segundo a Fenabrave. No ano de lançamento foi registrado o maior índice: 338 motos. Um fator responsável por este insucesso pode ter sido o fato da Roadwin ter sido um dos primeiros modelos da ‘nova fase’ da Dafra (que dura até hoje), onde ela passou a importar motos da Ásia e a montar aqui. O modelo era assinado pela coreana Daelim, impactando negativamente na ‘credibilidade’ na hora de assinar o cheque.

A Honda participou, mas não manteve interesse neste nicho. Em 2012, trouxe a CBR 250R, mas não deu continuidade ao projeto

A Honda participou, mas não manteve interesse neste nicho. Em 2012, trouxe a CBR 250R, mas não deu continuidade ao projeto

E como um dos assuntos da vez era credibilidade, a Dafra sofreu um golpe com a presença da Honda no tatame. A empresa importou por um curtíssimo período de tempo a CBR 250R, esboçando um interesse em disputar fatia no mercado, mas que não durou. Também em 2012 testamos o modelo, que mostrou equilíbrio e conforto satisfatórios, mas performance aquém do esperado – fruto do inapropriado motor monocilíndrico, incapaz de fazer frente aos propulsores bicilíndricos de Kawasaki e Kasinski). Mesmo assim, liderou o segmento em dados momentos: de 2012 a 2015 (ano em que já nem era mais montada aqui), vendeu 6.713 motos. Depois a Honda lançou a CBR 250RR no exterior, com dois cilindros em linha, mas a marca nunca mostrou interesse em trazer o modelo ao Brasil.

Por fim, não podemos deixar de fora a Kasinski Comet GT-R 250. Em produção no país de 2008 a 2013, segundo a Fenabrave neste período 12.578 motos foram às ruas. Quando rodamos com a moto pela em 2009, assim que ela tinha recebido injeção eletrônica, elogiamos o desempenho coerente com a proposta esportiva: “É um motor bastante nervoso, com faixa de giro muito ampla e favorece uma pilotagem esportiva. Como a moto utilizada estava com muito pouca quilometragem ficamos restritos à condição de amaciamento, mas no pequeno percurso que fizemos já observamos a esportividade do pequeno propulsor”, afirmamos, fazendo referência ao V2, DOHC, que produzia 32,1 cv e 2,31 kgf.m. Quer relembrar a briga entre Comet, Ninja 250R e CBR 250R? Acesse nosso comparativo.

Se antes havia Ninja 250R, CBR 250R e Comet GT-R 250R, além da Roadwin 250R, segmento hoje mantém apenas Ninja 300 e R3 em atividade

Se antes havia Ninja 250R, CBR 250R e Comet GT-R 250R, além da Roadwin 250R, segmento hoje mantém apenas Ninja 300 e R3 em atividade

Talvez a Dafra tenha olhado no retrovisor, onde viu os números daquela época, assim como notado a crescente procura por scooters e pequenas nakeds, e tenha pensado que é melhor mesmo deixar essa briga apenas entre Yamaha e Kawasaki…

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Jornalista gaúcho convicto de que um passeio de moto em um dia de sol é a cura para praticamente todos os males da vida. Fã de motoaventurismo, competições de moto, café, praia e de rock n roll.