Apache RTR 150 é o nome da guerreira Indiana

Apache RTR 150 é o nome da guerreira Indiana da Dafra

O nome inspira: a RTR 150 tem boa disposição para “guerrear” e conquistar seu próprio espaço no segmento”street”, o mais concorrido do mercado brasileiro

Primeiro fruto da associação das duas marcas – a indiana TVS e a brasileira Dafra – a Apache RTR 150 atrai pelo visual arrojado e pelo pacote de equipamentos mais completo, algo presente apenas em motocicletas maiores.

Desde seu lançamento no mercado nacional, em março deste ano, os números de vendas do modelo mostram crescimento constante, tendo atingido em julho a marca de 1125 unidades.

Creso, Presidente da Dafra e Goindi, Vice Presidente da TVS

Este resultado alcançado pela Apache tem origem no que ela representa ao mercado. “A Apache movimentou o segmento street, categoria que há alguns anos carecia de novidades e o consumidor percebe isso”, afirma Haroldo Barroso, diretor comercial da Dafra.

Motonline testou a Apache RTR 150 e comprovou o que Barroso disse. A motocicleta indiana que a Dafra oferece ao mercado brasileiro tem méritos para conquistar espaço no concorridíssimo segmento das “street” de 150 cc de cilindrada.

A cor amarela do modelo testado ajudou-a a se destacar por todos os lugares. As motocicletas de 150 cc são bastante populares por serem acessíveis e todas têm design semelhante. Não é o caso da Apache, cujo design destaca-a em meio às outras da categoria. Compacta e com linhas harmoniosas, a Apache tem embutidos na carenagem dianteira todos os elementos da frente da moto, como farol, piscas, um pequeno pára-brisa e o painel digital muito elaborado, com dois hodômetros parciais, relógio, luzes espia, marcador de combustível e um grande conta-giros analógico.

No trânsito – Avaliação 

Muito bem resolvida, a Apache é equilibrada, ágil e segura em situações que as deficiências da suspensão dianteira não comprometem, isto é, chão liso e sem necessidade de frenagem forte. Manobras rápidas são atrasadas pelo peso do conjunto do farol. Ótima a escolha dos pneus Pirelli MT65, que permitem segurança e boa diversão nas curvas.

Estrutura equilibrada confere à Apache bom desempenho em trânsito urbano e estradas de bom piso, mas suspensão dianteira precisa de calibragem mais adequadaO chassi é tubular de berço duplo e as suspensões são convencionais. Mas os amortecedores traseiros são especiais. Eles contam com reservatório de óleo separado para refrigerar e para separar o gás do óleo para não espumar, além dos cinco ajustes de pressão na mola. Realmente se mostram muito bons, absorvendo bem os impactos e mantendo tração nas condições mais adversas de piso. O que tem de tecnologia e desempenho positivo na suspensão traseira, faltou na dianteira.

Ali percebe-se peso excessivo e uma calibração inadequada. A frente mergulha e flexiona muito nas frenagens, passando uma sensação de insegurança. Pode melhorar se mudarem as características do amortecimento. O garfo telescópico tem barras de diâmetro pequeno e que facilmente afunda e chega até a bater em final de curso. A fábrica precisa rever esta calibragem na dianteira, pois compromete o desempenho. Mais ainda com o peso do belo conjunto farol/velocímetro que faz com que a moto pareça mais pesada do que ela realmente é. Nos percursos acidentados que percorremos a frente sentiu, mas a traseira deu a tranqüilidade necessária para uma condução mais relaxada, também com garupa.

Filtro de ar grande garante boa respiração e durabilidade ao motor; a pequena garrafa sobre o duto que entra na caixa de ar promove uma ressonância que regulariza o fluxo de ar ao carburador de diafragmaO motor, um OHC de 147,5cc tem carburador tipo CV (velocidade constante), conta com diafragma para uma aceleração controlada e sem buracos. De fato muito linear, acelera com firmeza até a faixa vermelha (8000 rpm). Seus 14 cv de potência estão disponíveis de forma permanente. O ronco do escapamento inspira esportividade e impõe respeito, sobretudo nas arrancadas mais fortes. O giro do motor sobe rápido e o torque surge suficiente já próximo das 3.000 rpm. O excesso de vibração em rotações mais altas incomoda um pouco, mas isso é comum na categoria. A injeção eletrônica de combustível estaria mais de acordo com seu pacote tecnológico.

O câmbio tem um escalonamento adequado à faixa útil de torque e potência de forma que se pode acelerar com constância e trocar marcha na rotação máxima que ela vai encaixar na rotação adequada para continuar acelerando com a mesma firmeza. Assim é também nas reduções; sempre se encontra a marcha certa para retomar a aceleração, de acordo com a velocidade. Suas trocas são suaves e precisas e a embreagem segue o mesmo padrão de usabilidade harmonizando o funcionamento do conjunto motor e câmbio.

Nas rodovias – Avaliação 

O chassi associado com o funcionamento da suspensão não apresenta totalmente o resultado que ele merece, pois apenas em situação de piso liso se verificam totalmente suas qualidades. Muito fácil de manobrar e mesmo em velocidade não tem vícios importantes. A traseira bem estabilizada pela suspensão traz resultado positivo nas curvas em tração, mesmo com terreno acidentado. Já em frenagem e nas entradas de curva requer cuidados especiais nesse tipo de terreno.

O painel de desenho moderno com apresentação analógico e digitalOs detalhes de acabamento impressionam positivamente

O assento em dois níveis coloca o piloto em posição inspiradora para condução esportiva, com o tronco um pouco projetado para frente. Toda mecânica é simples e de fácil acesso. Para levantar o banco, tira-se a lateral direita com a chave e puxa-se o cabo do trinco. Os freios são seguros e eficientes. Talvez coubesse um freio a disco na traseira para completar o pacote de modernidade e tecnologia.

Nota-se claramente que é uma motocicleta em padrão superior ao restante da linha Dafra. O acabamento é realmente o destaque da Apache, com tudo muito bem encaixado e de qualidade adequada. A Apache parece que tem o tratamento de superfície das peças metálicas de qualidade superior à média da marca, uma melhora notável. Alguns encaixes e soldas de chassi podem ser mais precisos e limpos.

A Dafra demonstra que fala sério quando procura se adequar ao nível de qualidade de referência da indústria brasileira de motocicletas, neste que é um dos maiores mercados do mundo. Um detalhe chama a atenção: não consta a marca Dafra em nenhum local da unidade testada. Mesmo assim, a Apache promete ser um marco no desenvolvimento e crescimento de vendas da Dafra. Um bom produto, apenas com pequenos detalhes ainda a acertar. Pelo preço sugerido a motocicleta é adequada ao mercado e é uma boa opção ao consumidor que normalmente compra uma moto pequena e vai equipando-a para deixá-la com ar mais esportivo. Esta já vem pronta e não possui concorrentes.

Ficha técnica

Motor
Monocilíndrico OHC Quatro tempos refrigerado a ar
Cilindrada 147,5 cm³
Diâmetro x Curso 57,0 x 57,8mm
Taxa de compressão 9,5:1
Potência máxima 14 cv a 8.000 rpm
Torque máximo 1,27 kgf.m a 6.000 rpm
Carburador (tipo CV) Mikuni BS-26
Partida Elétrica e a pedal
Chassis Tubular com berço duplo

Suspensão

Dianteira Telescópica, com 105 mm de curso
Traseira Bichoque, a gás, com cinco estágios de ajuste

Freio

Dianteiro Disco simples de 270 mm de diâmetro e pinça de dois pistões
Traseiro A tambor, com 130 mm de diâmetro

Pneu e rodas

Dianteiro Pirelli Sport Demon 90/90 R17 em roda de liga leve
Traseiro Pirelli Sport Demon 100/80 R18 em roda de liga leve

Dimensões

Alt. X Larg. X Comp. 1.100 mm X 730 mm X 2.020 mm
Distância entre-eixos 1.300 mm
Altura mínima do solo 180 mm
Altura do banco 790 mm

Outras informações

Capacidade do tanque
de combustível
16 litros (reserva de 2,5 litros)
Cores Preta, amarela pérola, vermelha cereja e grafite
Peso 136 kg em ordem de marcha
Preço sugerido R$ 6.290,00

Consumo

Trecho Km percorrido Consumo (litro) Km/litro
Cidade/estrada 266.70 8,03 33,21
Estrada/cidade/estrada 227,00 6,82 33,27
Estrada 236,30 7,41 31,89
Estrada/cidade 186,00 8,51 21,86
Total/Média 916,00 40,63 30,06

Fotos: Ryo Harada e Bittenca.


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Pioneiro no Motocross e no off-road com motocicletas no Brasil, fundou em 1985 o TCP (Trail Clube Paulista), que organizou a 1ª prova de enduro tipo FIM (Enduro da Mentira). Desbravou trilhas em torno da capital paulista enquanto testava motos para revistas especializadas. É editor técnico e consultor no Motonline.