Arte sobre rodas e o fim das Choppers

Arte sobre rodas e o fim das Choppers

Na primeira semana de março tive a oportunidade de ir ao Bike Week 2007, em Daytona, Flórida – USA, e depois de várias aventuras, test-drives, shows, corridas, etc, cheguei ao Brasil com mais de 2 mil fotos para selecionar. Minha esposa me acompanhou e literalmente enlouqueceu com sua câmera digital, até fotos de mulheres nuas, acreditem, ela tirou! Depois de um longo trabalho de seleção dessas fotos, separei material para várias colunas aqui no Motonline, cada uma com um tema diferente, pois seria impossível fazer uma única coluna com mais de 500 fotos. Nessa primeira parte vamos dar uma olhada na parte artística da construção das motos customizadas e algumas tendências, separei cerca de 30 fotos interessantes para publicação no site e mais algumas para ilustrar essa coluna.

É muito interessante observar a “arte” por trás dessas criações. Algumas são tão radicais que deixam até de ser práticas no sentido ciclístico, outras são de extremo bom gosto e cumprem perfeitamente seu papel de diferenciar seu dono entre milhares de motos “personalizadas” que vimos circulando pelas ruas da cidade sem necessariamente se tornar uma moto “ruim” de pilotar.

E há aquelas espalhafatosas, típicas de um ambiente festivo como o de Daytona. Que tal um tanque de combustível no formato de uma mulher “de quatro”? Certamente fará sucesso aonde quer que esteja estacionada, aliás, algum gaiato ficou tão impressionado com a “menina” que deixou uma gorjeta presa em sua calcinha (em uma posição bem estranha, diga-se de passagem). Ou uma esportiva “típica-de-daytona”, com a balança traseira estendida, dois cilindros para injeção de óxido nitroso e bancos em couro de jacaré?

Se essas duas podem ser consideradas como exemplo de “arte” de gosto duvidoso, temos por outro lado verdadeiras obras primas como essa Harley do grupo “HOGS”, em estilo clássico com pintura em dois tons predominando a cor cobre, ou na custom “Pan Fry’d” (motor Harley Panhead) também na cor cobre e estilo Vintage. Se a Pan Fry’d imediatamente agrada pelo estilo saudosista, a HOGS mostra o capricho do dono em cada detalhe funcional, transformando uma moto atual “padrão” (é uma Softail) em algo único com muito estilo, sem perder sua modernidade.

Entre as choppers comerciais, e em breve teremos uma coluna dedicada a elas, é impressionante o capricho dos fabricantes em transformar o motor em uma peça espetacular, quase como uma jóia, dando atenção a todos os elementos, desde a cabeça dos parafusos até o entalhamento em relevo de algumas áreas passando por carburadores feitos sob medida e mangueiras de cobre ou revestidas com malhas metálicas. Pode-se passar horas examinando cada detalhe, cada curvinha, cada cantinho impecavelmente limpo desses motores. E eles funcionam, o pessoal sempre liga pra gente ouvir, é só pedir!

Encontrei duas motos da Tough Customs (a Hardcore e a Tough Gun) que vão além do estilo chopper clássico para algo como uma “muscle bike” ou uma “dragster” customizada, um estilo novo que parece estar fazendo muito sucesso. Do estilo chopper ficou o quadro longo, comprido, o acento extremamente baixo (um pouco acima do eixo das rodas) e só, pois as bengalas dianteiras são curtas, o visual extremamente agressivo e uma posição de pilotagem mais próxima de uma Harley Night Train do que de uma chopper tradicional. Cada detalhe dessas motos é único, e tudo perfeitamente funcional embora não necessariamente legal no Brasil, como a posição da placa e dos diminutos piscas. Mas isso nos EUA pouco importa, afinal lá nem capacete é obrigatório.

O estilo “dragster” realmente agrada aos americanos e parece que está se tornando uma tendência, talvez seja o estilo mais comum entre as exóticas depois das gigantescas BOSS HOSS, que falaremos em outra coluna. Notei também que o estilo “chopper” está saindo de moda, cafona até para os americanos. Nós já sabíamos que essas motos eram desconfortáveis, ruins de ciclística, tinham deficiências óbvias em manobras e autonomia reduzida, e ao que parece os americanos finalmente estão percebendo isso. O “fim das choppers” é assunto até entre as revistas especializadas, comenta-se, por exemplo, que o exagero das customizações comerciais e soluções cada vez mais exóticas para detalhes puramente estéticos tirou a chopper das ruas, transformando-as em motos de exibição que pouco ou nunca pegam uma estrada. Eu concordo. É muito mais fácil ver uma Boss Ross ou um triciclo em uma rodovia do que ver uma chopper andando “de verdade”.

Mas a arte ainda sobrevive nessas choppers, especialmente naquelas feitas em fundo de quintal pelo próprio proprietário, como esse belíssimo exemplar equipado com o saudoso 6 em linha da Honda CBX.

Além destas fotos, em breve publicaremos outras motos geniais, como uma restauração da Indian com Side Car, algumas bobber’s (inclusive uma monocilíndrica), uma chopper interessantíssima equipada com um antigo motor Vicent restaurado, entre outras motos incríveis dessa primeira seleção. Aproveitem!