Moto de Gonçalves (Honda) quebra e Price (KTM) abre foto: Felipe Trueba/EPA

As diferenças e semelhanças entre Enduro e Rali

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O rali é uma das modalidades de esporte off-road praticadas no Brasil – divulgação

Depois do motocross, os dois esportes off-road em duas rodas mais populares no Brasil são o Enduro e o Rali. Muitos talvez não saibam o que é cada uma dessas modalidades, que recebem grande número de adeptos a cada ano, então vamos explicar para que você fique sabendo as diferenças:

No enduro existem dois tipos que são praticados em nosso país, o Enduro FIM e o Enduro de regularidade, que são muito diferentes entre si. Vamos falar de cada um deles para que você entenda o contexto.

Enduro FIM

No enduro FIM a organização da competição estabelece um roteiro em “laço”, por trilhas da região, que tem que ser cumprido à risca pelos competidores. Esse percurso, ou volta, inicia e termina no mesmo ponto, não tendo deslocamento inicial e final, e tem normalmente algo em torno de 30 km em média por volta.

As provas são realizadas em 3 a 5 voltas, sendo a primeira volta de reconhecimento. O trajeto é sinalizado por placas ou faixas que guiam os pilotos. Não são utilizadas planilhas ou GPS para navegação. O GPS é utilizado apenas para gravar o percursopara checar se não houve fuga do percurso obrigatório.

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Feito o reconhecimento na primeira volta, para que os competidores se familiarizem com o trajeto, a prova passa a valer como uma corrida contra o relógio, ou seja, quem fizer o percurso em menos tempo é o vencedor. Podem também ser inseridos Cross/Extreme Testes a cada volta, quando os competidores têm que passar por trechos de grande complexidade, formados por troncos, pedras, pneus ou outros obstáculos que exijam perícia e controle da moto.

Cross/Extreme Test na Copa EFX de Enduro FIM - foto: Maurício Arruda/PubliX

Cross/Extreme Test na Copa EFX de Enduro FIM – foto: Maurício Arruda/PubliX

As categorias do enduro FIM são definidas levando em consideração a experiência e idade do piloto e o tipo de equipamento.

Enduro de regularidade

Nessa modalidade de enduro, o trajeto é estabelecido como uma longa trilha subdividida em diversos percursos. Cada um desses percursos deve ser feito no tempo estabelecido pela organização; se chegar antes ou depois, o competidor é penalizado com a perda de pontos que no final definirão o vencedor: quem perder menos pontos ganha.

A foto de Gustavo Epifânio mostra bem o clima do 30º Enduro da Independência. Esta trilha bem que poderia chamar-se "sobre as nuvens"!

No Enduro de Regularidade os competidores são brindados com paisagens de tirar o fôlego – foto: Gustavo Epifânio

O deslocamento necessário para se chegar ao início da etapa chama-se deslocamento inicial. Chegando no local de início do primeiro trajeto cronometrado, o piloto aguarda a informação de largada fornecida pelo GPS que é chamado de totem. O local final de um percurso e início do próximo percurso é chamado de neutralizado (ou apenas neutro), um lugar onde o piloto pode descansar por alguns minutos ou fazer manutenção e retirada de galhos que se prendem na moto, enquanto aguarda o horário estabelecido para o início do próximo percurso. E assim vai até que todos os percursos do dia sejam concluídos, totalizando a etapa do dia. Os percursos podem exigir maior o menor velocidade, dependendo do que a organização estabelecer.

Totem e planilha instalados no painel de uma moto de Enduro de Regularidade

Totem e planilha instalados no painel de uma moto de Enduro de Regularidade

Já que não há sinalização ao longo do trajeto, o que guia os competidores são instruções contidas em uma planilha de navegação, que é recebida momentos antes do início das etapas. Junto com a planilha, as motos são equipadas com dois GPS, um que auxilia na navegação e outro que monitora e grava os tempos que os pilotos demoram para cumprir cada um dos percursos da etapa e também para saber se não se desviaram do trajeto obrigatório. No final da etapa os pilotos entregam o GPS de gravação para coleta dos dados, que são transferidos para um computador para controle do desempenho individual e atribuição das penalidades devidas.

É uma prova extremamente competitiva. Não exige que o competidor seja um maluco rodando a mil em trilhas com diversos níveis de dificuldade, e nem exige motos sofisticadas. Como a potência das motos não é tão importante, as categorias são definidas levando em conta apenas a experiência e idade do piloto.

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É uma modalidade difícil pois exige que se pilote cuidando da trilha, olhando a planilha e controlando o tempo no GPS, tudo ao mesmo tempo. Os competidores saem em média a cada 30 segundos um do outro.

Falando de Rali

O rali tem pontos em comum com ambas as modalidades de enduro. É semelhante ao enduro FIM por ser uma prova de velocidade, onde vence quem chegar primeiro ao destino estabelecido, só que em percurso “aberto”, ou seja, tradicionalmente se inicia em uma cidade e termina em outra a muitos quilômetros de distância, atravessando estados e até países. As categorias do rali são definidas levando em consideração a experiência, a idade do piloto e o tipo de equipamento. Já a semelhança com o enduro de regularidade deve-se à existência de deslocamentos iniciais e finais e ao uso de planilhas de navegação e GPS, exigindo a atenção do piloto em várias coisas simultaneamente.

Moto de Gonçalves (Honda) quebra e Price (KTM) abre foto: Felipe Trueba/EPA

Tobi Price (KTM) no Rally Dakar 2016 – foto: Felipe Trueba/EPA

Mas as semelhanças param por aí. No rali são realizadas etapas diárias, compostas por deslocamento inicial, apenas um trecho de especial cronometrada e o deslocamento final, que compreende o percurso entre o ponto final da especial do dia até o local definido como base para o início da etapa do dia seguinte. Devido ao nível de dificuldade maior as motos precisam ser mais robustas e resistentes.

O número de etapas pode variar de dois até sete, ou mais, como é o caso do Rally Dakar que já chegou a ter dez etapas, com apenas um dia de intervalo para descanso dos pilotos. Outra característica do rali é a existência de etapas denominadas maratona, quando a manutenção das motos só pode ser feita pelos pilotos, não sendo admitida a interferência dos mecânicos da equipe. Normalmente essas etapas são decisivas e tiram da competição um grande número de competidores.

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Ralis cobrem grandes distâncias. Na edição de 2015, o Rally dos Sertões atravessou quatro estados

Enduro FIM

Enduro de Regularidade

Rali

Deslocamento inicial NÃO SIM SIM
Deslocamento final NÃO SIM SIM
Subdivisão da especial NÃO SIM NÃO
Prova de velocidade SIM NÃO SIM
Uso de planilha NÃO SIM SIM
Percurso sinalizado SIM NÃO NÃO
Motos poderosas SIM NÃO SIM

Esperamos que você tenha entendido, mas se ficaram dúvidas, escreva-nos ( editor@motonline.com.br ) que faremos tudo para esclarecê-las.

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Colaboração: Léo Tavares/Corrosivo filmes

 



Mário Sérgio Figueredo

Motociclista apaixonado por motos há 42 anos, começou a escrever sobre motos como hobby em um blog para tentar transmitir à nova geração a experiência acumulada durante esses tantos anos. Sua primeira moto foi a primeira fabricada no Brasil, a Yamaha RD 50.