A viagem deve dar prazer e não pode ser algo penoso; faça muitas fotos e divirta-se

As pequenas na estrada

Texto de “Robson Fuzileiro”, de Natal (RN) que realizou várias viagens com sua CG 150 Fan

Robson e sua CG 150 Fan: comece com pequenos trechos

Robson e sua CG 150 Fan: comece com pequenos trechos

Uma moto de pequena cilindrada sempre deixa dúvidas para muitos motociclistas quanto ao seu desempenho numa estrada e em viagem um pouco mais longas.  Não raro, vejo em matérias na internet sobre motos, pessoas que possuem moto 125 e 150 dizendo que têm vontade de viajar, mas temem não conseguir chegar, acham que pode ser perigoso, pensam que a moto vai dar problema e os deixar na mão na estrada, etc. Então resolvi tirar a prova, o que passo a relatar nestas linhas.

Comprei a minha moto em dezembro 2011 e já em fevereiro viajei para São Rafael, uma cidade distante 230 km de Natal. Fiz a viagem com minha esposa na garupa (52 kg), um baú com aproximadamente 15 kg de bagagem e eu, com 82 kg. Fiz uma média de 100 km por hora e achei muito bom e confortável.

Procurei na internet relatos de pessoas que já usaram motos pequenas pra viajar e em cima disso fiz o meu planejamento numa planilha que se tornou de uso “oficial, onde faço alterações de acordo com a viagem. Primeiro, apesar da moto ser nova com apenas dois meses de uso, levei na concessionária para uma revisão prévia. Depois providenciei um kit de primeiros socorros, um kit de ferramentas, cabos, câmara e vela reservas, kit de higiene e o meu itinerário com distância entre cidades, além de um mapa do guia 4Rodas.

Fiz a viagem em três horas e meia, saindo de Natal às seis horas, com uma parada de 25 minutos para um café em Santa Maria e mais uma parada de uns cinco minutos para abastecer.

Planejamento é fundamental, mesmo em viagens curtas: ajuste a bagagem para não ter surpresas

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Desempenho da moto na estrada

No começo da viagem, entre Natal e Macaíba, um trecho de aproximadamente 20 km, fiquei bastante preocupado pelo movimento na estrada. Mas depois a preocupação foi dando lugar para a segurança e a liberdade quando me vi sozinho na pista, sem nenhum outro veículo na frente ou atrás. Assim, naturalmente o punho foi enrolando o cabo e logo estava com o ponteiro na marca dos 90 km.

Paradas para descanso são fundamentais; programe-se

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Decidi ver o que a moto seria capaz de desenvolver e acelerei tudo, alcançando 110 km/h na reta plana, 120 km/h nas descidas e caindo para até 80 km/h nas subidas. Considere que a viagem no sentido Natal São Rafael/Mossoró, conta com o vento a favor e mais descidas que subidas. Então decidi adotar como velocidade de cruzeiro algo entre 90 e 100 km/h, o que acabou tornando-se oficial.

Viagem tranquila, cheguei em São Rafael às 9:30 e dois dias depois retornei para Natal. Saí de lá no mesmo horário, às 6:00, e em certos momentos preocupou-me o fato de que a moto não passava de 90 km/h, mesmo com o punho todo enrolado. Em Natal fui a concessionária e falei sobre a viagem e relatei essa dificuldade na volta. O mecânico me falou que devo levar em consideração a estrada, a inclinação, o vento, se com garupa ou não e a bagagem. Fiquei tranquilo.

Dali em diante fiz várias pequenas viagens pelo interior do Rio Grande do Norte e fui me tornando mais seguro e experiente. Não que eu saiba tudo, mas a cada viagem aprendo um pouco, acontecem coisas diferentes, situações que servem para melhorar o desempenho na estrada.

A viagem deve dar prazer e não pode ser algo penoso; faça muitas fotos e divirta-se

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Conheço alguns amigos que possuem motos pequenas e convidei-os para irmos juntos nas viagens que realizei, mas nenhum aceitou. As razões são as que mencionei no início deste relato. Então resolvi fazer uma viagem mais longa: sair de Natal é ir ao Rio de Janeiro (RJ). Minha esposa e alguns amigos ficaram preocupados e resolvi desistir da aventura.

Dois meses depois, em junho de 2012, resolvi que faria uma viagem de Natal até Belém (PA). Depois de ter combinado com a esposa, que mesmo não querendo me apoiou, elaborei o meu croqui de viagem, preparei o material, mandei revisar a moto para viagem dois dias antes e no dia 30 de outubro de 2012, às 5:00 horas, iniciei a minha viagem de 2.090 km até a cidade das mangueiras, sozinho. Passei três dias na estrada, pilotando de seis da manhã às cinco da tarde.

Resumo da aventura: Moto Honda CG 150 FAN, revisada, com 17 kg de bagagem, 83 kg do piloto, fazendo 35 km por litro de gasolina, velocidade de cruzeiro entre 90 e 100 km, alguns picos de 115 km, pouquíssimos picos acima de 115 km e frequentes reduções a 80 km. Como parei bastante para tirar fotos e fazer vídeos, fiz a ida em três dias e meio, percorrendo uma média de 600 km dia. A volta fiz em três dias, fazendo uma média de 700 km dia. Fotos dessa viagem podem também ser encontradas no youtube, por “Robson fuzileiro”.

Como o tempo vem a confiança para fazer viagens mais longas

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Depois dessa viagem, posso afirmar com clareza os prós: além do prazer de viajar, que é o meu caso, independente da cilindrada, é o baixo gasto com combustível; Pelo lado negativo fica a falta de conforto quanto ao banco da moto, o que causou dor nas nádegas ao final do dia, mas nada que um bom dorflex não resolva.

Então fica aqui a minha dica:  A moto pequena vai a qualquer lugar, basta que esteja em boas condições mecânicas e elétricas. Se a sua preocupação é essa, fique tranquilo. Basta ter alguns cuidados com você, com a moto e atenção na estrada com respeito a buracos, pedras, obstáculos diversos, carros na contramão, ultrapassagens e os carros que ficam na sua retaguarda esperando a hora de te ultrapassar.

Além disso, não beba álcool, não use drogas, não seja imprudente e use a pilotagem defensiva. No mais, fé em Deus e moto na estrada. Curta a sua viagem, conheça lugares legais e diferentes e tire muitas fotos.