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Atenção aos números revela cenário positivo

Texto de Raul Fernandes

O ano de 2012 não foi dos melhores para o mercado brasileiro de motocicletas. Porém, apenas em âmbito geral. Enquanto as vendas das motos pequenas e de maior volume sofreram muitas perdas, o segmento premium teve um leve incremento. Dizemos isto, pois, se considerarmos o número de vendas de motos acima de 500 cm³, houve um crescimento de 6,87%, passando de 45.767 para 48.651 unidades comercializadas.

Ao analisarmos o ranking das marcas, podemos verificar que a Honda continua com total predomínio. Entretanto, quando falamos das motos de maior valor agregado, o ranking fica mais equilibrado. Neste quesito, em termos de “share”, a marca da asa continua na frente, mas com “apenas” 29,73% (14.466 motos), seguida da Yamaha com 17,21% (8.372), BMW com 15,11% (7.349), Harley-Davidson com 14,07% (6.844), Kawasaki com 11,77% (5.726) e Suzuki com 9,29% (4.518). Ou seja, quando se tira o segmento básico até 250 cc, não há muita discrepância entre as marcas.

Quando falamos de motos de baixa cilindrada, a Honda conta com mais 79% do mercado. Contudo, devemos destacar que a Harley-Davidson e a BMW tiveram um forte crescimento! A empresa de Milwaukee subiu 58,39% e marca bávara aumentou o seu volume em 32,37%, seguidas da sempre forte Honda, com 19,58%. Em contrapartida, as japonesas Suzuki e Kawasaki tiveram um declínio de 40,78% e 5,93%, respectivamente.

Para não ficarmos falando apenas do nosso país, vale a pena fazer um comparativo com os maiores expoentes da Europa: Itália e França, respectivamente 1º e 2º lugares em vendas de motos do velho continente. Como todos nós sabemos, a Comunidade Europeia não vive um de seus melhores momentos econômicos. Contudo, as empresas de motos sempre fazem um grande investimento de produtos e marketing nesta região. Com certeza, podemos estar nos beneficiando disto, pois a nossa condição econômica é favorável.  Creio que o mundo motociclístico brasileiro está amadurecendo, especialmente pelo número de motos acima de 500 cm³. Outro ponto importante é a chegada de novas fabricantes em Manaus, como é o caso da inglesa Triumph e da italiana Ducati.

Como temos um volume total de vendas muito vigoroso, ao nos compararmos com estes países europeus, devemos considerar as nossas vendas acima de 251 cm³, que são bastante importantes. Neste segmento, foram emplacadas 143.565 motos, ou seja, quase superamos a França em sua totalidade, que vendeu 158.108 unidades. Ao fazermos o mesmo tipo de comparativo com a Itália, fomos superiores a eles, porque eles emplacaram 103.864 máquinas de duas rodas acima de 251 cm³. Na França, a Yamaha continua como líder de mercado, seguida da Honda. Na sequência, em uma forte disputa, temos Kawasaki, Suzuki e BMW, com menos de 2.000 unidades de distância entre elas.

Na Itália, uma marca local está na ponta: a Piaggio foi a líder em 2012, graças a uma venda de quase 15.000 unidades do scooter Liberty 125 para o Serviço de Correios Italiano. Se não fosse isto, a Honda seria a primeira colocada, deixando a Piaggio na vice-liderança. Já a Yamaha ficou com o terceiro posto. As marcas taiwanesas continuam surpreendendo, com a  Kymco em 4º lugar e a SYM na sétima posição.

Venda das principais marcas nos mercados da França e Italia

Venda das principais marcas nos mercados da França e Italia

Assim como vem ocorrendo no Brasil no segmento acima de 500 cm³, a Suzuki está em forte declínio na Itália também. Lá, em 5 anos, a marca japonesa perdeu muito espaço! Caiu mais de 83,1% e passou de 13.279 unidades em 2008, para 2.249 motos em 2012. Muitos analistas e revendedores da marca creditam este fato à falta de lançamentos e renovações de sua gama de produtos. Vale lembrar que não foi apenas a Suzuki a grande perdedora, porque as 4 grandes marcas da Terra do Sol Nascente sofreram bastante.

Na média, a queda foi 70,1%. A que menos recuou foi a Honda, com perda de 54,6%. Entretanto a Kawasaki caiu 76,5% e a Yamaha, 72,5%. Contudo, a participação total das japonesas na Itália não se alterou tanto. Em 2008 eles representavam 47,3% do mercado e em 2012 fecharam com 40,49%, mas em 2011 chegaram a 36,16%! Esperamos que este reflexo não chegue ao Brasil, mas, desta forma, há uma forte tendência pela frente.

Categorias

Como no Brasil temos um grande volume de vendas das motos com características “naked de trabalho”,  vide Honda CG e Yamaha YBR, os scooter sempre são vistos como um produto secundário. Ao contrario, na Itália, o maior volume de vendas advém dos scooter, que são bem mais práticos. Entretanto, ao compararmos os números de vendas de nossos líderes nesta categoria, percebemos que estamos bem. O Honda Lead 110, número 1 no Brasil, vendeu mais que os campeões na Itália e na França. Além do mais, a Piaggio conseguiu um bom número porque entregou quase 15 000 unidades para o Correio Italiano. Mas, devemos descrever que tanto na Itália quanto na França, o Yamaha TMax 500/530 vende muito. Na França, por exemplo, é o líder! Em nosso país, o único scooter de maior cilindrada que tem um grande volume de vendas é o Dafra SYM Citycom  300.

Desta forma, a Yamaha começa a olhar para este segmento com outros olhos e deverá lançar, em breve, o TMax 530 e o X-Max 250. Este movimento poderá detonar uma grande disputa e os holofotes dos consumidores poderão se voltar para esta categoria, especialmente nos grandes centros urbanos. A Honda já saiu na frente com a introdução da PCX 150 e poderá alavancar um pouco as vendas desta categoria. Tudo indica que a Dafra também não ficará parada e deverá apresentar o MaxSym 400. A Suzuki, que “introduziu” os scooters no Brasil também continua vendendo muito bem o seu Burgman 125i, além de ter sido a primeira marca a acreditar nos produtos de grande cilindrada como os Burgman 400 e 650. O futuro parece promissor!