Bicicletas infantis reprovadas em avaliação da Pro Teste

Para o Dia das crianças a PRO TESTE Associação de Consumidores não recomenda presentear com bicicletas, aro 16, as crianças entre quatro e oito anos, que ainda não saibam andar sem a rodinhas. Nenhum dos seis modelos avaliados para esta faixa etária passou nos testes de segurança.

Para diminuir os riscos, é aconselhável ensinar a criança a andar sem as rodinhas o quanto antes. Em todas as bicicletas, as rodinhas deformaram quando foi simulado o uso em situações corriqueiras, prejudicando o equilíbrio. Para as crianças que sabem se equilibrar sem a ajuda das rodinhas, há duas opções aceitáveis: Caloi Liga da Justiça; Houston Nic.

As falhas são muitas e variadas, em todos os modelos testados. As bicicletas têm problemas, desde a montagem do freio até cabos de aço expostos e porcas que podem se soltar. Procedimentos básicos de avaliação técnica podem detectar facilmente essas falhas. Mas a situação é pior para as crianças que ainda não sabem se equilibrar sem as rodinhas. Nenhuma é segura para crianças que ainda precisam das rodinhas para se equilibrarem.

Em algumas bicicletas, entre outras falhas, faltam cobertura nas correntes, proteção no cabo de freio e instruções de montagem e uso que garantam a segurança dos produtos.

A PRO TESTE encaminhará os resultados das análises ao Ministério Público para que solicite aos fabricantes a realização de um recall para a substituição das rodinhas.

Também foram pedidas providências ao Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) para que investigue o porquê de as bicicletas estarem no mercado brasileiro dessa forma, se esses produtos são de certificação obrigatória e não deveriam apresentar nenhum dos problemas identificados.

Entre as amostras compradas pela PRO TESTE para as análises, quatro marcas não tinham o selo do Inmetro fixado no produto. Isso pode levar o consumidor a ter dúvidas quanto à sua certificação.

A Associação também está solicitando ao Inmetro que inclua os testes de fadiga (que simulam o desgaste de componentes da bicicleta no tempo de uso) no regulamento brasileiro de certificação.

Internacionalmente, o teste de fadiga já existe e é adotado em muitos outros países. No Brasil essa norma não é observada, e apenas duas das bicicletas testadas foram bem nesse critério – as outras apresentaram rachaduras em alguns componentes, demonstrando a má qualidade do material utilizado na fabricação.

Foram testadas: Caloi Liga da Justiça; Houston Nic; Bandeirante Batman; Hercules High School Music; Sundown TNT Boy e Track & Bike Dino. No laboratório foram analisados se as bicicletas trazem alguma protuberância ou borda afiada que machuque a criança e checado a segurança dos seguintes itens: sistema de freios; direção; conjunto quadro e garfo; rodas, pneus e câmaras; pedais; sistema de transmissão; cobre corrente e rodinhas estabilizadoras.

Também foram simulados desgastes (fadiga) das partes mais importantes das bicicletas quando usadas por uma criança de 30 kg durante 100 mil voltas no pedal (uso aproximado para 230 km ou 500 metros por dia, durante 15 meses). Por fim, foram analisadas as instruções de montagem das bicicletas.