BMW na pista!

BMW na pista!

Eram quatro horas da tarde de uma quinta feira quando recebi um convite para, no dia seguinte, sexta feira às 10 da manhã, dar umas voltas com as novas BMW no autódromo de Jacarepaguá. É como perguntar a um macaco se ele quer banana! É lógico que sim, confirmei, troquei alguns e-mails para acertar mais detalhes e no dia seguinte estava lá eu pronto para acelerar as crianças.

Assim que cheguei, fui a pé até o centro da reta dos boxes, a antiga reta interna que antecede o retão do saudoso autódromo Nelson Piquet, palco de poucas mas ótimas corridas de F1 e Moto GP. Ainda é pra mim um lugar mágico embora infelizmente esse templo sagrado do automobilismo carioca tenha sido brutalmente modificado pelas obras do Pan. Ao final da reta dos boxes há uma curva à esquerda para entrar no retão já na sua metade, mais ou menos. Antes a curva era mais embaixo e para direita, entrando em um trecho sinuoso que nos levavam ao início do retão lá embaixo, onde agora é o estádio de natação do Pan. Todo esse trecho acabou. Portanto, seguindo o retão, se é que ainda podemos chamar a metade que sobrou de “retão” faz-se uma curva de alta para a esquerda dando inicio ao trecho antigo de 5 ou 6 curvas rápidas com pequenas retas entre elas que nos trazem de volta para a fechada curva que antecede a agora muito curta reta dos boxes. E é só isso, acabou o circuito, infelizmente. Muito curto e travado.

Primeiro andei com os carros, ao lado do piloto profissional Fernando Rebellato. Sei que aqui é um site de motos, mas não resisto a um comentário sobre o BMW Z4: que delicia de carrinho! Depois de conhecer melhor a pista e com as dicas do Fernando, pude levar o carro ao (meu) limite como nunca tinha feito antes. Difícil é um cara grande e barrigudo como eu entrar naquele carrinho tão pequeno, mas depois é só deixar os 255 cavalos de seu motor berrarem aos 6600 rpm e curtir a velocidade. O som é parecido com o de uma moto, vibrante, e o fato de ser conversível deixa os motociclistas ainda mais familiarizados. O grande BMW X5 é também muito emocionante, com toda aquela eletrônica embarcada corrigindo as bobagens que um “piloto” bração comete quando “acha” que está dirigindo muito bem. Se o X5 é um luxo só, potente, veloz e um supra sumo da tecnologia, foi o pequeno Z4 que passou a morar no meu coração. É um brinquedo divertidíssimo! BMW K1200 GT

BMW K1200 GT

Quando passei para as motos já estava me sentindo “o” piloto, ainda mais depois que o Fernando discretamente me elogiava nas passagens mais agressivas. Peguei a nova K1200GT, uma grande Touring com o motor 4 cilindros em linha transversal que faz sucesso na Roadster K1200 R e na esportiva K1200 S, para dar umas voltas na pista carioca. A moto é incrível e eu poderia fazer uma análise dela completa aqui, mas como ainda tenho 3 motos para comentar, é importante falar do que mais me impressionou: a eletrônica embarcada e o motor!

153 cavalos a 9500 rpm em uma Touring não é brincadeira! Saí pela reta dos boxes ainda pegando o jeito da moto, e assim que entrei no retão dei uma esticada rápida só pra sentir o espírito da coisa: UAU! Que pancada! Eu que estou acostumado com a minha Harley Electra Glide tomei um susto quando o final da reta se aproximou tão rapidamente. Como o evento também atende clientes, a BMW precavidamente posicionou uma chicane no final da reta, obrigando os “pilotos” a reduzir antes de entrar na grande curva. Ainda bem que deixaram um espaço de “fuga” em linha reta para os mais afoitos, foi o primeiro aviso pra ter cuidado, afinal minha Harley mesmo bastante mexida deve no máximo ter uns 90 cavalos, e essa K1200 GT tem quase o dobro da potência. Cutuquei os freios a ponto de acionar o ABS, optei pela fuga em linha reta pra não passar vexame na chicane. Calma Paulo…, curvão a esquerda feito na maciota, e daí por diante fui me acostumando com a moto. Incrível como uma Touring pode ser tão potente, rápida e estável ao mesmo tempo. Aquela coisa de pilotagem tranqüila, contemplativa, é algo que até dá pra fazer com ela, mas saiba que nesse ritmo você não aproveita nem 30% do potencial do motor e do quadro. Aliás, nada de torções ou reações estranhas com o cardã, ou mesmo com as suspensões. Sempre primorosas, aliás, há várias regulagens de pressão e todas controladas eletronicamente. Selecionei o modo “normal” para uma pessoa (pode-se configurar para dois) e sem bagagens (as malas estavam instaladas, mas vazias), mas poderia ter deixado no modo Sport, pra brincar na pista. Não foi necessário, o modo normal é suficientemente estável para uma pilotagem bastante rápida.

A eletrônica embarcada controla quase tudo, desde o funcionamento da suspensão (Duolever na frente, EVO Paralever atrás) conforme o modo selecionado, passando pelo completo computador de bordo, sistema ABS e até a regulagem elétrica do pára-brisa, que pode variar desde uma posição bem baixa e esportiva até uma cobertura frontal bastante grande. Muita desses recursos não são novidades nas motos BMW, mas a K1200 GT reúne todos eles de forma fácil, clara e funcional. Quero andar de novo! BMW R1200 GS

BMW R1200 GS

BMW G650 XMoto

BMW R1200 GS

BMW F800 S

BMW F800 S

Passei para a Big Trail R1200 GS, uma das motos que já pensei em comprar certa vez (pensar em comprar é fácil, faço isso todos os dias…), e estranhei muito a moto na pista. Eu sei que o autódromo não é o habitat natural dela, mas mesmo assim achei a frente leve demais, o freio motor muito mais forte do que o ideal e uma reação de cardã mais presente do que eu gostaria (na GS ele fica do lado oposto do utilizado na GT) dificultando o controle em certas situações. Isso sem falar na altura do banco, mesmo eu sendo alto (já tive 1.81m, mas soube que andei encolhendo…) levou algum tempo até eu me acostumar com a moto. No final você acaba pegando o jeito e gostando, especialmente do motor em alta velocidade, afinal são 100CV disponíveis, mas é uma moto que você precisa passar um tempo mais longo para se sentir a vontade. O centro de gravidade alto, o banco alto, as suspensões de curso longo e a frente leve (o que é bom fora do asfalto) combinados a um motor que praticamente freia a moto quando desacelerado me mostraram que a linha GS, apesar de todo sucesso no Brasil e no mundo (é o modelo mais vendido por aqui) requer uma adaptação muito maior do que eu inicialmente havia pensado. Só pra vocês terem uma idéia da minha falta de adaptação, eu não conseguia acompanhar meu “guia”, montado em uma BMW G650 X-Moto que já foi apresentada aqui no Motonline.

Com inveja, peguei a X-Moto pra ver como ela era nas curvas. Sim, porque eu com a R1200 GS andava muito bem em linha reta, mas apanhava nas curvas da X-Moto de um jeito vergonhoso. A primeira impressão é estranhíssima porque o banco ocupa toda a parte de cima da moto, indo até perto da coluna de direção. Pilotando, ela passa uma segurança muito grande e instiga você a ousar muito nas curvas. Realmente a moto surpreende pela agilidade e leveza, transformando qualquer gordinho como eu em um piloto ousado!

Quando eu subi na moto pensei na minha XT600 como um parâmetro de comparação, já que ambas tem motores na mesma faixa de cilindrada e pesos próximos: esquece, a XT600 apesar de ser uma ótima moto não chega nem aos pés da X-Moto, a começar pelo motor. Na G650 X-Moto são 10 CV a mais para uma moto uns 20kg mais leve e com uma disposição incomum para acelerar, talvez por causa da alta taxa de compressão do cilindro. As suspensões são firmes e os freios excepcionais, mas a grande vantagem é mesmo a agilidade que uma roda dianteira menor traz para uma moto desse porte. Pela primeira vez na vida eu raspei a ponta da minha bota no asfalto estando com o pé ainda na pedaleira. Não me perguntem como isso aconteceu!

Por fim, para encerrar o dia, peguei a esportiva F800 S e assim que subi na moto pensei em desistir. A posição de pilotagem não é das mais curvadas mas certamente não é adequada ao meu atual corpinho. As pernas ficaram muito dobradas, a barriga ficou apoiada no tanque e o peso do corpo (e que peso) ficou todo nos meus pulsos. Estou exagerando um pouco, a F800 S tem uma posição de pilotagem muito menos agressiva que as esportivas japonesas, mas é que nessas eu nem me arrisco a subir. Pelo menos não antes de eu perder uns 25 KG.

Uma vez “encaixado” na F800 S, fui para a pista e fiz uma primeira volta horrorosa. Estava tudo errado, não me adaptava com nada, e a confiança na moto tinha ido embora. Na segunda volta comecei a pegar o jeito e da terceira em diante virei piloto de novo, andando agressivamente e buscando a cada curva um limite, o meu limite (não o da moto, tenham certeza disso). A primeira coisa que você gosta nela é do freio, e em seguida da estabilidade do quadro e da suspensão. Leva algum tempo para gostar do motor, ele parece fraco em um primeiro momento, mas é só impressão. Depois que a gente se entendeu (eu e o motor) ficamos amigos e deu até para beliscar os 200km/h no final da reta, varando mais uma vez a chicane pela área de fuga. Gostei, mas não é pro meu corpinho!

Constatei um ponto que sempre me intrigou nas matérias das mais diversas revistas de moto brasileiras. Testar uma moto qualquer em uma pista de corridas, à exceção das genuinamente esportivas, não dá pra ter uma noção exata de como seria seu desempenho no dia a dia e fornecer uma informação realmente útil para o leitor. Para ter uma opinião sincera sobre a K1200 GT seria necessário pelo menos uma viagem de algumas horas em estradas de boa qualidade, combinando trechos sinuosos com boas retas. Para avaliar a R1200 GS é preciso colocá-la no seu habitat natural que são as estradas mal asfaltadas ou de terra, coisa que não falta aqui no Brasil. Eu ainda daria umas voltas na cidade, sob o transito pesado, para avaliar se a altura do banco é mesmo um problema ou não. A X-Moto deve ser uma delicia no trânsito pesado da cidade, e é deve ser muito boa também estradas ruins e sinuosas. A BMW F800 S sim, essa me parece que foi feita para uma pilotagem mais esportiva e se sentiu em casa no autódromo do Rio, eu é demorei a me sentir em casa em cima dela.

Saí do autódromo com um sorriso estampado no rosto. Uma manhã divertidíssima com máquinas maravilhosas e emocionantes, e com gente muito especial como meu “guia” Guilherme, que deu toda assistência na área de motos, e Fernando Rebellato, que fez reascender meu interesse por pilotagem esportiva. Não posso deixar de citar a Larrissa, a gentil assessora de imprensa da BMW não só pelo convite mas também pela farra que fizemos a bordo do BMW M6 de 500 CV pilotado pelo Rebellato na chamada “volta rápida”, onde ele mostra os limites do carro (sim, do carro) com os sistemas de controle ativados e desativados. Aliás, esse cara pilota MUITO!