Boa viagem (parte 2)

4. Qual a velocidade ideal para viajar? Quando devem ser feitas as paradas?
A chamada velocidade de cruzeiro depende de uma s‚rie de fatores. Quando o piso for liso, a estrada bem conservada, o tempo seco, a visibilidade perfeita pode-se dizer que a velocidade ideal corresponde a 70% da rota‡Æo m xima na £ltima marcha. Caso a moto nÆo tenha conta-giros, calcula-se 70% da velocidade m xima indicada no veloc¡metro. Por exemplo, se a faixa vermelha do conta-giros come‡a a 8.000 rpm, a velocidade de cruzeiro ser  aquela em que o motor estiver a 5.600 rpm em £ltima marcha. Ou, se a velocidade m xima for 160 km/h, a velocidade de cruzeiro ser  em torno de 110 km/h. Por‚m, nÆo se devem esquecer as limita‡äes legais de velocidade muito inferiores …s motos de grande cilindrada. O bom senso diz que a velocidade ideal ‚ aquela em que o piloto sente total seguran‡a e dom¡nio, o que vai depender tamb‚m das condi‡äes da moto.

Quanto …s paradas, nÆo existe uma regra b sica. No caso das motos pequenas o cansa‡o ser  maior porque al‚m de oferecer menor conforto, gastam mais tempo para percorrer as distƒncias. Um bom intervalo para estas motos ‚ entre 100 e 200 km. Geralmente aproveitam-se os reabastecimentos para esticar as pernas, fazer xixi, comer. Alongar os m£sculos das pernas e bra‡os, um lanche r pido (e leve) ou consultar o mapa da regiÆo. Caso a autonomia da moto supere os 200 km, pode-se fazer alguma parada extra.

Existem muitas d£vidas sobre as paradas para resfriamento do motor. Isto nÆo existe, a menos que a moto esteja com algum problema mecƒnico que provoque superaquecimento. E tamb‚m porque ‚ a moto em movimento que arrefece o motor, nÆo adianta parar de andar, porque nos primeiros minutos o motor ir  aquecer ainda mais para depois come‡ar a esfriar. Caso a moto esteja apresentando superaquecimento, ‚ melhor recorrer a uma oficina competente.

5. Como deve ser feito o planejamento de uma longa viagem?
A primeira providˆncia ‚ conseguir um mapa rodovi rio, com indica‡äes sobre estradas asfaltadas, de mÆo dupla ou £nica. No mapa estÆo detalhadas as distƒncias entre cada cidade, isto ajuda muito na hora de programar as paradas para refei‡Æo ou pernoite. E bom calcular com folga tanto a autonomia da moto quanto a velocidade de cruzeiro, levando em conta uma poss¡vel parada for‡ada para trocar um pneu. Outra id‚ia interessante ‚ investigar as condi‡äes das estradas por onde vai passar. Para isso, basta consultar os sites das concession rias das rodovias, ou o Denit (http://www.dnit.gov.br/rodovias/condicoes/) .

Uma boa dica na fase de prepara‡Æo da viagem ‚ relacionar todos os amigos e parentes que moram na regiÆo por onde vai viajar. Nada melhor do que ser bem recebido depois de rodar por muitos quil“metros seguidos. Na falta de amigos, pode-se recorrer aos motoclubes de cada Estado, que normalmente acolhem os motociclistas, al‚m de serem muito £teis em caso de emergˆncia. Aproveitar a solidariedade entre os motociclistas ‚ muito bom, mas ‚ claro que ‚ preciso tamb‚m ser solid rio.

6. O que devo levar na bagagem?
As roupas devem ser bem escolhidas para nÆo ocuparem muito espa‡o £til, procure levar sabÆo em pedra e lavar as roupas quando tiver oportunidade. Uma coisa que nÆo pode faltar em hip¢tese alguma ‚ o jogo de ferramentas originais, acrescido de alicate, lanterna e um canivete. Al‚m disso fita silvertape, tire-ups (abra‡adeiras de pl stico), reparador instantƒneo de pneu (ou remendo a frio), fus¡veis, lƒmpadas, abrigo de chuva e uma viseira- ou ¢culos-de reserva. E mesmo em viagens curtas, tenha sempre uma cƒmara de reserva (se os pneus usarem cƒmara). J  citei v rias vezes a eficiˆncia dos selantes, ‚ uma medida eficiente contra furos.

As ferramentas e kit de reparo de pneu devem estar bem … mÆo, para nÆo atrasar o conserto, e tudo que estiver dentro da mochila deve estar enrolado em sacos pl sticos para nÆo molhar em caso de chuva. As bolsas precisam ficar bem presas com el sticos (aranha), de forma que o piloto possa percebˆ-las sem precisar tirar a mÆo do guidÆo nem olhar para tr s (pode-se regular o espelho de forma a ver uma parte da bagagem). Se a moto nÆo for equipada com bagageiros, use as bolsas laterais (alforjes) e evite que as bolsas fiquem encostando no seu corpo. As mochilas sÆo muito desconfort veis de usar em viagens longas.

7. E se a motocicleta parar na estrada por problema mecƒnico?
Antes de entrar em pƒnico ‚ melhor verificar a gravidade do problema. Caso nÆo seja poss¡vel reparar utilizando as ferramentas dispon¡veis, deve-se procurar socorro na cidade mais pr¢xima, ou a Pol¡cia Rodovi ria. Nestas horas percebe-se a importƒncia de viajar em mais de uma moto. Na hora de rebocar a moto, a forma mais segura de transport -la ‚ na ca‡amba de um caminhÆo. Felizmente os camioneiros tˆm um grande esp¡rito de solidariedade e sempre estÆo dispostos a ajudar (espero!). Mas se nÆo conseguir ajuda de camioneiros nem pense em rebocar a moto com corda.  100% de certeza que vai dar caca e machucar algu‚m. Motos nÆo nasceram para serem rebocadas. Algumas seguradoras tˆm servi‡o de resgate. E o advento do telefone celular tira qualquer um do sufoco.

SÆo in£meras as dicas que podem ser passadas de um aventureiro experiente para outro de primeira viagem. Mesmo um veterano nunca p ra de tirar li‡äes a cada nova aventura, tanto de pilotagem, quanto de manuten‡Æo. Aqui foram apresentadas as d£vidas mais comuns entre os futuros aventureiros, mas sempre aparecerÆo situa‡äes in‚ditas, com novos desafios, que fazem um motociclista amadurecer. Agora ‚ s¢
arrumar a bagagem e boa viagem!