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Bruxelas, bondes e trens

Estou em Bruxelas e na TV5, francesa, passa um especial sobre policiais que ficam girando por Paris em dupla, numa moto, a paisana. Ficam caçando contravenções, desde uso de celular ao volante até entregador de pizza pilotando scooter e furando sinal vermelho para entregar mais rápido…. Só se apresentam na hora de mandar parar o carro ou moto, o que o pessoal faz imediatamente. Como já contei, por aqui não tem moleza, conversa, brincadeira. Policial é educado e tem autoridade, que é respeitada; o que não pode ser de outra forma.
O trânsito de Bruxelas é mais agressivo que o do Centro de Paris. É lógico que param para pedestre, que respeitam os poucos ciclistas, mas aceleram com mais vontade e descontração.

Assisti um pequeno acidente estúpido que resultou em portas abrindo, pessoas conversando em voz baixa e resolvendo o problema com calma. Civilizado.

Parte da circulação de Bruxelas é por bonde e eu estou me divertindo. Não é uma questão de saudosismo, mas do que acredito que deve ser uma cidade. Bonde (e ônibus elétrico) não costumam deixar um rastro de degradação que nossas linhas de ônibus deixam. Ok! Aqui o transporte é pensado para pessoas, seres humanos. Não se transporta gado, como fazemos no Brasil. De qualquer forma eu prefiro o bonde, mesmo que os custos de implantação sejam bem mais elevados. A qualidade de vida resultante é outra.

Em Bruxelas bonde vai pela rua, serpenteia pelo bairro, desce para as profundezas, segue como um metro, volta para a rua, e assim vai.  A forma como é aproveitado o espaço disponível nas vias públicas é diferente do que fazemos em nossas cidades brasileiras. Quando voltar vou procurar entender melhor o que realmente acontece e ai escrevo algo.

Ontem vi descer de um bonde duas bicicletas, uma aro 26 com alforges de cicloturismo e uma dobrável aro 20com com reboque de carga acoplado, isto em pleno horário de trabalho. Gostaria de estar dentro do bonde na hora que o ciclista colocou o trambolho articulado lá dentro. Com certeza o reboque ficou no meio do corredor, a circulação deve ter ficado quase impossível, mesmo o bonde sendo dos mais modernos e mais largos. Não foi a primeira vez que vi volumes grandes sendo transportados em ônibus e bonde, como duas malas jumbo transportados por uma brasileira em horário de pico, mas o sujeito exagerou. Veja a foto. Bicicletas dentro de trem normal é comum, principalmente em curtas distâncias. Em TGV, os de alta velocidade, é necessário uso de mala-bike e pagar uma taxa de 10 Euros.

Tenho encontrado até senhoras, algumas já na casa dos 70, fazendo cicloturismo. Alguns usam bicicleta elétrica, mas só acionam o motor em raras exceções. Muitos idosos, alguns provavelmente na casa dos 80 e até 90, usam a bicicleta como modo de transporte. O ritmo de alguns é bem forte. Vai atrás… Mas colocar a bicicleta no trem ou bonde só vi jovem fazendo.

Amanha chego em Amsterdã, minha paixão. Não por causa das bicicletas, mas pelo espírito livre da cidade. Quero voltar a sentar num bar de uma das ruas centrais por onde só pode passar bonde e bicicleta. A diversão é ver os ciclistas distraídos que deixam a roda dianteira entrar nos trilhos, o que é relativamente frequente. Tombos também. De certa forma bonde e bicicleta não convivem em plena paz.

Provavelmente a velhinha holandesa da cadeira de rodas com um motor 2 tempos provavelmente já deve ter morrido. Ela circulava pelas ciclovias do centro de Amsterdã a pleno acelerador numa mão e batendo a campainha de bicicleta com a outra. Ai de quem não saísse da frente! Na minha primeira vez fiquei olhando para rua a procura de uma Mobilite alucinada e só quando ela estava praticamente tocando minha traseira é que olhei para trás. Se não tivesse jogado a bicicleta no meio dos pedestres, que riram, ela teria me derrubado.