CB 300R

CB 300R

Equipe do Motonline

Após mais de um ano de expectativa a Honda lança a substituta da Twister, a nova CB 300R. Estava curioso em pilotá-la, todavia, tive uma Twister por 3 anos, com a qual rodei 60 mil quilômetros.

Realmente, ela ficou mais bem acertada com o câmbio de 5 marchas, que lhe conferiu esperteza em qualquer regime de rotação, aliado agora à injeção eletrônica. Não tive nem vagas lembranças da 6ª marcha da Twister.

O design da moto, realmente, ficou bonito. Mas chamá-la de mini Hornet ou mini CB 1000R, parece um exagero dos mais entusiastas. Um modelo lembrar outro é uma coisa, agora defini-lo como igual ou parecido é um tanto exagerado.

A Honda foi muito competente em lançar uma motocicleta para um perfil de público que sonha em ter uma moto de maior cilindrada, mas não pode pagar o preço. A CB300R no meio das grandes cilindras, olhando por cima, passaria despercebida senão fosse o bocal do tanque, mantido igual ao da Twister.

O desenho tão bonito e bem resolvido conferiu status a nova CB 300R, dando-lhe um caráter esportivo e de maior cilindrada. E exatamente isso que seus compradores buscam: status.

O painel além de bonito continua de fácil leitura, assim como era da twister, bastando uma “batida de olho rápido” para que o piloto obtenha a informação procurada.

O banco me chamou atenção, pois além de conferir maior conforto para piloto e garupa, consegui com uma mão, na outra segurando um capacete, abrir o banco, retirá-lo e colocá-lo novamente, o que era impossível com a Twister.

Outro detalhe que me chamou atenção, foi a ergonomia, o piloto fica bem sentado e as pernas se encaixam perfeitamente no novo e bonito tanque com maior capacidade, agora com 18 litros, o que confere uma autonomia de até 500Km, dependendo da mão do piloto.

Dadas essas características ergonômicas, viajar com a CB300R, certamente, não cansará o piloto e garupa.

Uma crítica é o espaço entre as pedaleiras, a garupa fica bem acomodada por conta do confortável banco, com minha esposa não tive problemas, pois é hábito ela ficar quase na ponta dos pés, assim como eu o tempo todo, mas com o Bitenca na garupa, que não é garupeiro, incomodou essa pequena distância, que numa viagem pode gerar stress, onde o pé do piloto esbarra no da garupa.

A tão aguardada injeção eletrônica somado ao novo acerto do câmbio tornou essa motocicleta “na mão” o tempo todo, quer seja na cidade, quer seja na rodovia.

Na Twister havia um buraco da 3ª para 4ª marcha, sendo sempre necessária uma redução para acordar a cavalaria, o que não ocorre com a CB 300R, apesar da 1ª e 2ª marchas serem bem curtas, os restantes das marchas dão conta do recado. A CB300R em 5ª marcha a 120Km/h roda a 7000RPM e com ou sem garupa, ela mantém essa rotação e velocidade, mesmo surgindo leves aclives na rodovia.

A vibração melhorou muito e posso afirmar que a vibração da CB300R só se compara à da Twister quando se atinge a rotação de 9000RPM a 140Km/h, velocidade máxima alcançada pela CB300R. É a mesma vibração incômoda da twister a 8000RPM que ocorre a 120Km/h, ou seja, no limite de velocidade da rodovia é muito confortável.

Quanto a velocidade máxima, não tem jeito, o consumidor precisa ser honesto com si próprio e com a proposta do produto, apesar do design levar à esportividade, o motor monocilíndrico da CB300R não tem a proposta de atingir altas velocidades.

O consumidor brasileiro tem a péssima mania de comprar um produto querendo que renda mais do que foi programado. A proposta da CB300R é urbano e não esportivo. Dá conta do recado na cidade e na rodovia, cuja velocidade máxima permitida é de 120Km/h, velocidade esta que ela mantém tranquilamente, dando a falsa impressão de que não chegou no limite do motor. Motor com qualidade para durabilidade igual ou superior ao da Twister que atinge uma faixa de rotação maior.

Comigo a CB300R obteve médias de 20,5 Km/l (rodando com garupa na rodovia) e de 26,8Km/l (rodando na cidade sem garupa). Consumo adequado à cilindrada e à proposta da motocicleta.

Já com o Bitenca, a CB300R obteve médias de 23,5km/l com 90% do percurso em rodovia, sempre na velocidade média de 100 a 120Km/h, o que representa o motor trabalhando numa rotação de 6000 a 7000RPM, ou 77,7% da faixa útil da motocicleta, bem no fim da faixa útil.

A Honda oferece a CB300R em quatro cores: preto, vermelho, prata e amarelo metálico

O preço de venda: R$ 12.876,00, mas as concessionárias têm cobrado um ágio que varia o preço em até R$ 1.000,00.

Tabela de consumo
Km inicial Km Final Km perc. Litros Km/l
2349 2642 293 14.39 20.36
2642 2709 67 2.5 26.8
2709 2916 207 8.78 23.58
Total e Médias 567 25.67 22.09

 

Tabela de avaliação

Tópico Média geral André Garcia João Tadeu Bitenca Claudinei
Motor 8,50 8,50 excelente em baixa, média rotação e alta rotação, bom torque, boa potência, mas faltou um pouco mais de final, cortando o giro aos 10.000RPM 8,50 Elástico com respostas limpas e vigorosas 9,00 Muito torque facilita a pilotagem com menos trocas de marchas, a sexta não faz falta 8,00 Torque muito superior ao antigo 250. Atinge a velocidade máxima com facilidade
Câmbio 8,38 9,00 excelente – suave, bem ajustado e ao contrário da twister que se encontrava o neutro ainda em movimento, na CB300R isso foi resolvido. Com ela parada o piloto engata o neutro facilmente 8,00 Longo … não faz falta a sexta da antecessora. Engates precisos e rápidos. 8,00 Bem escalonado, de trocas leves tem a alavanca um pouco curta, dificultando as trocas. 8,50 O cambio de 5 marchas casou bem com o novo motor. A sexta marcha não faz falta.
Suspensão 8,50 9,00 melhor acertada em relação a twister, ficou mais firme 7,50 A traseira um pouco dura 8,50 Muito firme, aceita bem os obstáculos, mas transmite um pouco as irregularidades ao piloto, gosta de vias com bom asfalto 9,00 Copia bem as irregularidades do asfalto mesmo em trechos ruins
Ciclística 8,25 9,00 o quadro aliado ao acerto da suspensão e os pneus mais largos, deixou todo conjunto muito melhor, nitidamente se sente essa melhora em curvas e muito mais estabilidade nas retas quando se enfrenta fortes rajadas de vento. 7,00 Confiável tanto nas retas quanto nas curvas. 9,00 Com geometria mais agressiva ainda que a anterior, ganhou pneus mais largos atendendo à tendência do mercado. Resultou em uma moto mais estável e firme nas alterações de direção. 8,00 Boa rigidez, com grande agilidade na mudança de direção
Conforto 8,00 9,00 A nova ergonomia e o banco mais largo e de espuma com excelente densidade, deixou a CB300R muito mais confortável que sua antecessora 6,50 bom para o piloto, mediano a pobre para o garupa. Painel moderno que poderia ser mais legível.Posição do pescador do apoio lateral e comprimento da alavanca de câmbio deveriam ser redesenhadas urgente. 8,00 Banco excelente e ótima posição de pilotagem, ficou prejudicada pela deficiência das pedaleiras, desconfortáveis e com alavancas curtas demais, tanto o câmbio como o freio. Deviam ter melhorado com o novo modelo. 8,50 O banco em 2 níveis é muito confortável mesmo em grandes distancias. Não transmite vibração para as mãos em uma tocada normal
Freios 7,25 8,00 dá conta do recado, exatamente o mesmo da twister, a Honda ficou devendo o freio a disco traseiro 7,00 Confiavelmente adequados 7,00 Freios bons mas ficou faltando o disco traseiro. O dianteiro bastante sensível e potente. 7,00 Poderia ter uma “pegada” melhor. Um pouco borrachudo
Média 8,09 8,64 7,36 8,36 8,00

 



Pioneiro no Motocross e no off-road com motocicletas no Brasil, fundou em 1985 o TCP (Trail Clube Paulista), que organizou a 1ª prova de enduro tipo FIM (Enduro da Mentira). Desbravou trilhas em torno da capital paulista enquanto testava motos para revistas especializadas. É editor técnico e consultor no Motonline.