CB 750 F StreetFighter

CB 750 F StreetFighter

Nascida na década de 70, essa galo ganhou um banho de loja que a deixou linda, uma trintona com cara de menina e jeitão de nervosa. Veja como ficou essa clássica com pitadas de modernidade!

CB750F StreetFighter

Destino certo

Desde os nove anos, quando possuía uma antiga Garelli, Michelli Meschino Júnior, um engenheiro civil de 40 anos, sempre vislumbrou deixar suas máquinas ainda mais radicais. Apaixonado por motocicletas como muitos de nós, após ter visto um trabalho que deixou também uma 750 antiga com visual mais moderno, Michelli decidiu que queria algo parecido, e há três anos comprou uma CB750 F ano 75, modelo 76. No momento da compra, a CBzona estava original, mas apenas em estado razoável, necessitando pequenos reparos e cuidados, o famoso trato de quando se compra uma moto.

Sua idéia era transformar sua moto numa Streetfighter, deixando-a mais agressiva e esportiva, mas mantendo elementos originais que dão identidade a belíssima motoca.

Seguindo essa filosofia, as modificações feitas buscam um padrão de originalidade, sendo o acabamento das modificações, digno de uma moto que saiu da fábrica, dando a muitos a impressão de que a moto é nova, algo como uma releitura de um modelo antigo ou mesmo o lançamento de uma motocicleta estilo retro.

O criativo engenheiro procurou fazer tudo da maneira mais minuciosa possível, apesar de aparentemente estar em bom estado, o motor foi aberto para checar se estava tudo em ordem, e apenas embreagem e corrente de comando foram trocados. O acabamento do motor, após um polimento, ficou impecável, contribuindo e muito para a ótima aparência da moto.

Pensando em um visual mais agressivo, mas sem destoar do design da motocicleta, o engenheiro idealizou um belo banco, que devido as suas formas, permite que a integração com a rabeta seja harmoniosa, sem falar na textura, que, além de ser mais aderente, dá um tom nervoso à bela motoca. Já a parte de pintura ficou a cargo da Design, empresa especializada em pinturas muito elogiada pelo proprietário da CB com cara brava.

PASSAPORTE PARA A ALEGRIA A fim de chegar a um resultado que deixasse sua moto não só com um visual arrasador, mas também com estética que tivesse funcionalidade, providenciou peças que fazem a diferença. E que diferença! Na frente, lindas e eficientes bengalas invertidas oriundas da Kawazaki ZX-9, montadas em largas mesas, cumprem o papel com folga, dando um banho de eficiência e contribuindo para uma ciclística irrepreensível. Para completar o capítulo suspensões, a traseira, antes composta por um quadro elástico de aço tubular e dois amortecedores simples, recebeu nada mais nada menos que um quadro elástico em alumínio com amortecedor monochoque cedido por uma superpotente CBR 1100 XX BlackBird. Suficiente? Não tenho dúvidas que sim!

Sóbrias e ao mesmo tempo agressivas, as rodas de ZX-9 na cor preta combinaram perfeitamente com o restante da moto, ainda mais por serem calçadas com os pneuzões que equipam originalmente a CB 600 F Hornet, mas medidas de 120/70-17 na frente e 180/60-17 na traseira.

Fechando o pacote de extravagâncias, o sistema completo de freios da ZX-9 foi instalado. São nada mais do que dois enormes discos de 320mm na frente, com duas pinças de quatro pistões cada, e um disco traseiro de pinça simples, que garantem uma frenagem violenta.

Levando em conta que essas suspensões e freios são utilizados em motos mais pesadas, muito mais potentes e velozes, fica nítido para qualquer um que todo esse conjunto é superdimensionado para moto, trabalhando com folga e convidando ao abuso, podendo ser facilmente chamado de “passaporte da alegria”.

MISTURANDO TUDO PARA VER NO QUE VAI DAR As modificações utilizando peças de motocas nervosas não param por aí, na frente, um bonito pára-lama dianteiro na cor da moto caiu feito uma luva, não destoando do resto da motocicleta.

Os suportes e as pedaleiras traseiras, de CBR 900 RR, ficaram muito bem, dando a impressão de que são originais da motoca. Além da função de apoio para os pés, o suporte do lado direito serve também para fixação do escapamento. Aproveitando isso, Michelli desenhou uma ponteira muito bonita, com um visual que tem tudo a ver com sua máquina e que posteriormente foi fabricada sob encomenda na conhecida fábrica de escapes esportivos Torbal. O resultado é indefectível.

Já as pedaleiras dianteiras, pedal de freio e de câmbio também possuem bom design, e a doadora foi uma Yamaha FZR 1000. É mole ou quer mais? Um ponto importante a ser citado é que Michelli fez questão de adquirir todas as peças provenientes das motocas importadas com procedência, sendo que todas elas possuem nota fiscal dos desmanches onde foram compradas.

NAS ENTRELINHAS As alterações profundas na ciclística, por ter sido muito bem-executadas, não são impactantes, e o resultado da adaptação é harmônico. Talvez por isso, muitos não imaginam a complexidade do projeto e o trabalho que exigiu. A mais complexa ficou por conta da suspensão traseira. Para adaptação da suspensão monochoque, foram necessários a eliminação completa da caixa de filtro de ar e um completo remanejamento de elementos como bateria, caixa de fusíveis e componentes da elétrica da motocicleta como o retificador de voltagem, tudo isso para que o grande e único amortecedor pudesse ser fixado no espaço onde essa parafernália anteriormente descansava. Para que a altura da moto não ficasse nem muito alta, nem tampouco baixa, vários cálculos foram feitos antes que os suportes do amortecedor fossem fixados de vez, levando em conta inclusive a altura da moto com garupa.

Pelo fato do quadro elástico ser mais longo, a distância entre eixos cresceu, exigindo uma corrente mais longa. Para sanar o problema e acrescentar mais beleza ao conjunto, uma corrente dourada da marca italiana Regina foi escalada para fazer o “meio de campo” entre o pinhão e a bela corroa de acabamento na cor preta. De adaptação razoavelmente fácil, adaptadores foram instalados junto à mesa superior, para que um guidão tipo Fat Bar, cujo diâmetro do tubo é mais grosso que o habitual, pudesse ser utilizado. O resultado não poderia ser melhor. E para dar um toque final com charme, espelhos retrovisores com um “look” invocado ajudam a moto a se tornar ainda mais exclusiva. O custo de restauração e transformação da CBzona foi relativamente alto, afinal houve investimento para deixar a moto como nova, sem esquecer o custo das peças importadas e de suas respectivas instalações, mostrando que a motoca exigiu de seu proprietário não só um investimento razoável, mas muita paciência.

SENTINDO A EMOÇÃO DE UMA BRIGA DE RUA A sensação de se rodar com a CB 750 F Streetfighter é emocionante, uma mistura de nostalgia com modernidade. A diferença entre a moto original e a transformada em Streetfighter é muito grande, começando pelo conforto que é ligeiramente maior na moto com configuração original. No entanto, se no conforto há uma pequena perda, na estabilidade há um grande ganho.

Devido às ótimas suspensões, originárias de superesportivas, cujo funcionamento é infinitamente mais eficiente que o das que equipavam os modelos da década de setenta, a moto absorve melhor as irregularidades. Outro fator que contribuiu para que essa moto faça curvas dignamente foi o aumento considerável da distância entre eixos, o que ocasionou um deslocamento do centro de gravidade mais para frente da motocicleta, deixando-a mais à mão durante as curvas. Por fim, a adoção de rodas menores com pneus largos e de baixo perfil promoveu mais aderência e contato com o solo. Rodando com a motocona, não é difícil se imaginar em cima de uma outra moto, pois a sensação de segurança, mesmo em pilotagens esportivas, é total.

Por falar em segurança, freio é o que não falta nessa máquina, progressivos e super-dimensionados para o desempenho e peso da motocicleta. Apesar de um grande investimento na ciclística visando à estabilidade da motocicleta, principalmente em altas velocidades, o motor não sofreu qualquer preparação, a não ser pela adoção dos carburadores da CBX 750 F levemente trabalhados e filtros de ar de performance. Para se ter uma idéia de quanto essa moto é divertida, basta dizer que Michelli também é dono de uma ZX9, mas entre a esportiva superveloz e a carismática CB de briga, ele diz não ter nenhuma dúvida, prefere a CBzona… Acho que ele não é o único!