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CBM e Federações estudam categoria para mudar a motovelocidade no Brasil

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O que Jorge Balbi Júnior, Rafael Fonseca e Pierre Chofard têm em comum? Além da paixão pelas duas rodas, os três pilotos são alguns dos maiores nomes do motociclismo de competição no país, mas disputando provas em categorias bastante distintas (motocross, supermoto e motovelocidade) as semelhanças possivelmente iriam parar por aí.

Em um futuro bem próximo, porém, não seria impossível encontrá-los dividindo a mesma curva de uma categoria que promete movimentar bastante as provas de Motovelocidade e Supermoto no Brasil.

Seis federeções, encabeçadas pela Federação de Motociclismo do Distrito Federal, e também a Confederação Brasileira de Motociclismo já estudam a criação de uma categoria com motos de motocross, de 450cc e cinco fábricas diferentes, através da adaptação de um kit de peças, para disputar provas em autódromos e pistas de supermoto. A idéia partiu de um projeto que vem sendo colocado em prática na Europa.

“Essa categoria já existe na Espanha, com três campeonatos, e também nos Estados Unidos. Será uma categoria nova, que permitirá ao piloto correr aqui no Brasil e depois ir para a Espanha correr com uma moto idêntica àquela que ele usa no seu regional ou, futuramente, no Brasileiro”, diz o presidente da FMDF e diretor de motovelocidade da CBM, Carlos Senise.

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O kit, composto de guidão, garfo, suspensão dianteira, freios Brembo, estribos, pedaleiras, amortecedor traseiro, rodas, paralamas e carenagem, entre outras peças, tem custo de cerca de R$ 10 mil na Europa (4,5 mil euros), e pode ser instalado e desinstalado com a mesma facilidade, em cerca de duas horas.

“No Brasil não existe moto de competição para motovelocidade. Os pilotos têm que comprar motos de rua e adaptá-las. O custo disso é alto e o desempenho não é igual a uma moto de competição. O piloto de motovelocidade terá condição de comprar uma moto dessas, que, até mesmo usada, é possível encontrar por R$ 15 mil, e gastar mais R$ 10 mil, transformandoa-a em uma moto que serve tanto para Motocross, quanto para Supermoto e Motovelocidade. E isso, girando voltas semelhantes a uma 600cc nacional, que tem um custo alto e ainda precisa receber R$ 15 mil de preparação, servindo apenas para motovelocidade”, completa Senise.

A adaptação pode ser feita em motos 450cc das montadoras KTM, Suzuki, Kawasaki, Honda e Yamaha, com modelos a partir de 2005. Já para este ano, a Federação do Distrito Federal fez um adendo no regulamento de seu Campeonato de Motovelocidade e permitirá a utilização destas motos na categoria 600cc.

“É uma moto de 100kg e 60cv de potência. Elas viram muito parecido e já vão correr com a 600cc aqui em Brasília este ano. É uma relação de peso e potência muito interessante. Quem anda nelas na Europa garante que é muito boa de curva, e com certeza vai cair no gosto dos pilotos brasileiros”, ressalta o dirigente.

Se der certo no Brasil, o objetivo da CBM é levar a categoria também para as competições latino-americanas. “Todo país tem moto de cross. Hoje não podemos fazer um latino de motovelocidade pois as motos são muito diferentes de um país para o outro. Com a implementação dessa categoria, todos estariam utilizando a mesma configuração de moto, seja na Argentina, na Venezuela ou no Equador”, encerra o dirigente.