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CESVI aponta baixa oferta de ABS para motos no Brasil

O CESVI Brasil é um Centro de experimentação e segurança viária que tem o objetivo de fornecer informações técnicas de qualidade ao mercado e agora se volta ao mundo das motocicletas. As suas razões são simples. Dados do CET – SP, Companhia de Engenharia de tráfego de São Paulo revelam que no ano de 2012, no município paulista, foram registradas 438 mortes, ou seja 1,2 mortes por dia. Sabe-se que muitas dessas mortes poderiam ter sido evitadas se as motocicletas tivessem instalados os sistemas ABS, como afirma um estudo do IIHS (Insurance Unstitute for Highway Safety).

Sistema ABS adiciona custo mas melhora muito a segurança, segundo a pesquisa

Sistema ABS adiciona custo mas melhora muito a segurança, segundo a pesquisa

Essa instituição americana analisou diversos acidentes envolvendo motocicletas e concluiu que 37% dos acidentes fatais poderiam ser menores em motocicletas que tivessem o equipamento ABS instalado, comparando com veículos sem o sistema. No caso de colisões esse número fica em 23% a menos. As vantagens continuam. Além das possibilidades de redução de acidentes e na redução do espaço de frenagem, o ABS evitaria a queda dos motociclistas, mesmo os com experiência na condução desse tipo de veículo.

No Brasil, o problema é que esse equipamento está instalado em apenas 17% dos veículos e além disso, só podem ser encontrado em motos acima de 250 cilindradas, que em 2012 representavam menos de 13% do total de motos vendidas no Brasil.

Por isso, o CESVI fez um levantamento dos modelos vendidos no Brasil e a disponibilidade do sistema para cada um dos modelos. Foram analisados 357 versões de 199 modelos de motos produzidos por 38 fabricantes. Desse total, 16 modelos são movidos à eletricidade.

As motos foram divididas em três categorias que se destacaram em vendas no ano passado. Foram selecionadas as 10 mais vendidas de cada categoria: City, Scooter/Cub e Trail/Fun. Essas categorias juntas representam 95,5% dos emplacamentos de 2012 e mostram que o cenário tem muito a melhorar.

Pilotos experientes também se beneficiam do sistema

Pilotos experientes também se beneficiam do sistema

Os 10 modelos da categoria City – formada pela maioria dos modelos utilizados nos grandes centros urbanos nacionais, representam quase 55% dos emplacamentos realizados no ano passado e apenas 5% contam com ABS como opcional. Os demais não possuem o dispositivo, nem como opcional. Estão inclusos no grupo das City 19 versões de motocicletas entre 125 e 300 cc de cinco montadoras.

Entre os Scooters e Cubs, representadas por motocicletas e ciclomotores entre 50 e 125cc os 10 modelos mais vendidos, nenhum tem o sistema ABS e representaram quase 25% dos emplacamentos desse tipo de veículo no período.

Finalmente, no grupo das Trail/Fun, compostas pelas máquinas com apelo aventureiro e de motorização entre 125 e 700cc, os 10 modelos mais vendidos representaram no ano de 2012, cerca de 16% das vendas. Desse total, 85% não possui o ABS como opcional e não há nenhuma versão com o item de série. O grupo Trail/Fun é representado por cinco montadoras, que oferecem 13 versões de motocicletas.

“Assim, como verificamos com os automóveis, as motocicletas de preço mais elevado são aquelas que mais oferecem o sistema antitravamento.
Até por causa das altas cilindradas, que variam entre 650 e 2300cc, os valores dessas máquinas podem alcançar até R$ 109 mil, tornando o impacto do custo do ABS quase imperceptível e mais viável economicamente para os fabricantes”, diz Almir Fernandes, diretor executivo do CESVI.

Ainda segundo o executivo, apesar do Brasil não pactuar com metas européias, cuja obrigatoriedade do ABS para motos passa a vigorar em 2016, a disseminação do equipamento nos automóveis deve refletir positivamente para o campo das duas rodas. ” O consumidor vai perceber o benefício e cobrará o uso do dispositivo também nas motos. Por isso, informações como as elaboradas por esse estudo almejam orientar os consumidores na hora da compra, oferecendo a ele, dados de qualidade e que colaborem para a proteção de seu bem maior, que é a vida”.