Com a palavra, Sr. Wilson Kenji Yasuda, o homem forte de competição da Honda (II)

Enquanto não julga o mérito da questão, a Justiça Comum Brasileira decidiu que a regra do campeonato deve ser cumprida e os pilotos que a descumpriram perderam os pontos. Qualquer pessoa esclarecida sabe que a Honda não tem nenhum poder sobre a Justiça Brasileira. Já conversei com o Wellington Garcia e espero que sejamos campeões na pista, independente das questões judiciais. Se isto não acontecer, aguardaremos a sentença da Justiça Comum Brasileira sobre o direito de correr ou não com outra marca de pneus.

4 – Já que começamos com as polêmicas, outra pergunta daquelas difíceis (risos). Muitas críticos também questionam a seleção dos pilotos que representam o país no Motocross das Nações. Como ela é feita?

O Brasil ficou muitos anos sem ir para o Motocross das Nações. Enviar uma equipe para o Nações é muito caro e, desde 2007, a Honda conseguiu viabilizar a ida de uma equipe para participar da competição com uma estrutura competitiva.

Na minha opinião, hoje, o Brasil tem apenas um piloto diferenciado, que é o Jorge Balbi. Depois dele, vêm o Leandro Silva, o Wellington Garcia e o João “Marronzinho” Paulino, que estão no mesmo patamar. As pessoas acham que nós não gostamos do “Marronzinho”, mas estão enganadas, poucos sabem que antes dele fechar com a Tork, já tínhamos procurado por ele e manifestado o interesse em tê-lo conosco, mas a opção foi dele.

Como toda grande empresa, quando investimos em um projeto buscamos retorno e, quando investimos para enviar uma equipe para o Motocross das Nações, queremos um retorno para a marca e uma maior exposição dos nossos pilotos. O Brasil ficou muitos anos sem ir ao Nações e só voltou por causa da Honda. A decisão da escolha dos pilotos não é imposta por nós.

Quem faz a seleção é a CBM, mas claro que como chefe da equipe, fazemos a sugestão dos nomes. Pela experiência internacional, conjunto e entrosamento, achamos que o time caseiro é a melhor solução e os resultados vêm mostrando isso. O mais importante é o país estar representado na competição e, neste caso, a minha opinião é de que não há nenhuma perda técnica com a opção por Balbi, Leandro e Wellington. As pessoas que criticam deveriam refletir e pensar em como é importante para o país participar do Nações e aplaudir quem está tornando isso possível.

5 – Na última etapa do Brasileiro de Motocross, realizada em Cachoeiro do Itapemerim-ES, terra natal do rei Roberto Carlos, o locutor da prova colocou uma música dele na largada da categoria Junior em sua homenagem?

Na verdade comentei com o Valério Netto (locutor) que eu gostava do Rei e ele querendo me homenagear colocou a música antes da largada. Eu realmente gosto das músicas dele, mas acho que com motocross ainda combina é com o bom e velho rock n’ roll.

6 – Chega de polêmica. Durante todo este tempo que você acompanha o Motocross, com certeza já deve ter acompanhado uma série de histórias interessantes e engraçadas. Conte uma pra gente.

Um fato marcante foi o profissionalismo do piloto Jean Ramos no Nações de 2008. Imagine só, ele viajou como titular da equipe e chegando lá, após o treino, percebemos que o Wellington, que tinha ido como reserva, estava mais rápido e então decidimos trocar. Ele aceitou muito bem. Entendeu perfeitamente e numa boa o espírito de equipe prevaleceu. O Wellington não tinha uniforme personalizado e nós tivemos que improvisar. Recortamos daqui, colamos aqui e “fabricamos” o seu uniforme. O Brasil obteve o melhor resultado da historia (14º lugar).

7 – Ano passado, o Balbi voltou dos EUA para fazer o Brasileiro de Supercross e se integrou ao Team Honda. Este ano, ele está na sua equipe própria, a 2B Racing e estará de volta ao país em breve. Você já tem algum acordo com ele para que ele faça parte da equipe mais uma vez?

Ainda não temos nada definido, mas estamos sempre em contato com o Balbi. Para o Nações ele foi convidado e já aceitou. Para correr as outras competições pela Honda neste semestre ainda dependemos de ajustes e articulações orçamentárias. Esperamos que tudo dê certo.

8 – Durante todo este tempo em que você acompanha o Motocross no Brasil, o que mais mudou? Quanto o Brasil evoluiu em termos internacionais?

A evolução ocorreu de forma gradativa e constante. Foram criadas novas categorias como a MX 3 para que os mais experientes pudessem participar e recentemente a categoria CRF 230 que serve como porta de entrada ao mundo do Motocross. Aumentamos durante os anos a premiação aos pilotos e em 2009 a premiação vai do 1º colocado a 25º.

Quanto a evolução internacional, temos o Balbi e Lucas que participam do AMA e a equipe brasileira no Motocross das Nações, sem contar em 2009 com a Etapa do Mundial, aliás com direito de realização por 5 anos. Isto pode credenciar o Brasil a sediar novamente o Motocross das Nações.

9 – Durante todo este tempo que você acompanha Motocross brasileiro e internacional, você patrocinou ou apoiou os melhores pilotos da modalidade. Pra você, quem é ou quem são ou foram os melhores pilotos que você já viu nas pistas?

Tivemos vários pilotos no Team Honda. Rogério Nogueira, Cristiano Lopes, Nuno Narezzi, Ricardo Raspa, Pedro Lopes, Paulo Stedile, Rafael Ramos, Rafael Zenni, Rosevelt Assunção, Jorge Balbi, Cássio Garcia, Milton Becker, Pipo Castro, Rodrigo Selhorst, Gabril Gentil, Anderson Cidade, Eduardo Saçaki e até João “Marronzinho”, além de muitos outros. Muitos deles foram campeões em suas categorias. Todos grandes pilotos.

10 – Qual a sua expectativa para o time do Brasil no Motocross das Nações deste ano?

No Motocross das Nações não existe um resultado individual e sim um resultado combinado de equipe. A nossa melhor colocação foi em 2008 onde obtivemos o 14º lugar. Este ano trabalharemos para chegar entre os 12 primeiros.

11 – Pra encerrar, qual a dica do Sr. Yasuda para os pilotos que estão começando no esporte? Vale a pena?

A dica seria começar com uma moto adequada à sua experiência. Participar de provas regionais e gradativamente buscar eventos melhores. O importante é compartilhar seus sonhos e suas vitórias. Nunca se consegue atingir sozinho seus objetivos.