Como identificar defeitos, doutor?

Como identificar defeitos, doutor?

Texto: Carlos (Bitenca) Bittencourt

Todos os mecânicos têm suas maneiras de identificar os defeitos pelo barulho do motor.

Há quem diga que só pelo som, um mecânico experiente diz qual é o defeito e invariavelmente acerta o diagnóstico, porque em cada motor, cada peça móvel produz um ruído característico do movimento que ela faz e do atrito que produz. Se for suave, denota um deslizamento uniforme e perfeitamente normal mas se for cheio de sons de arrasto ou como se estivéssemos amassando papel de alumínio, aí as coisas já se complicam. Outras peças que têm a função de produzir movimentos de vai-vem, deslocando outra peça, como uma válvula, por exemplo ou uma biela. Nesses casos o ruído já apresenta outros sons que identificam batidas que indicam folgas que podem ser normais ou excessivas, de acordo com o nível e altura do som.

Equipamentos podem ajudar para esse tipo de diagnóstico, com eles podemos evitar conseqüências mais graves e mais caras na hora dos reparos, pois um desgaste pequeno de uma peça já pode ser detectado antes que produza marcas profundas nos componentes adjacentes e se contaminar o lubrificante do motor então, nem se fala. Passa para todo o resto como o tal sangue ruim, cheio de doenças. A Chave de fenda encostada no ouvido e apoiada numa peça duvidosa faz o serviço, mas fica inadequada se queremos uma identificação mais precisa do defeito. Pode-se então utilizar um estetoscópio especial, que mostra melhor as características acústicas necessárias para a identificação da peça defeituosa. Ainda assim é preciso bastante prática para utilizar esse aparelho, pois o som das peças boas se mistura com o som das peças ruins e fica difícil diferenciá-las. Existem uns aparelhos computadorizados feitos na Dinamarca usados em frotas de caminhões e outras máquinas que analisa as características do som da peça em funcionamento, compara com o espectro de uma peça boa e dá o prognóstico de horas de trabalho antes da reposição como manutenção preventiva, ou se for o caso indica a troca imediata do componente analisado.

Utilizando o método mais simples e subjetivo, com o tempo e prática consegue-se um bom resultado, aprende-se a diferenciar o som da corrente do comando de válvulas batendo, da folga das válvulas presas ou folgadas demais, pinos de biela, rolamentos etc. É como uma alternativa mais barata, um equipamento que faz o meio termo entre o estetoscópio de membrana e o sistema computadorizado da Brüell&Kjaër Dinamarquesa. Trata-se da sonda acústica PBTek, fabricada e patenteada no Brasil e que tem um transdutor eletro-acústico piezo-elétrico que transforma em sons os movimentos das peças refletidos nas carcaças do equipamento, eles são proporcionais à aceleração que tal ruído apresenta na peça, amplificados e reproduzidos num fone de ouvido, de forma que temos uma audição clara do som característico de um defeito e assim ir diretamente à fonte do problema sem fazer tentativas inúteis.

Everybody have faced a strange noise in his engine, Is that normal?

My bike is strange; doing a weird noise when cold, or when hot; I have changed the oil and after that it started to do toc, toc, toc…

Text by: Carlos (Bitenca) Bittencourt

Every technician has his way to identify internal defects by the noise of the engine.

People say that only by hearing the noise, an experienced mechanic can tell what’s wrong and invariably gives the right diagnostic, because in any engine, every moving part makes a specific sound characteristic of the movement and the dragging it produces. If a part moves swiftly the noise will be smooth and low, showing it’s working fine but if it’s full of cranky noises like smashing an aluminum tin foil things start to get complicated. Other moving parts with stroking movements that pushes/pulls other parts, like a valve or a connecting rod for instance, their noise can identify a too large, tight or normal clearance between them in accordance with the pitch and volume of the sound.

He can do this kind of diagnosis with the help of special tools. With them one can identify a bad part even before it start to damage anything else and can save money on simple repairs before things gets nasty and expensive. Even lightly worn out parts can be detected before it produces deep marks in other adjacent components, contaminating the oil and then like an ill blood, starts wearing out the whole engine. Utilizing the sound probe to hear the valves functioning on a small engine.

You can put your ear in touch with the handle of a screw driver and press the other end on the case, where a dubious part is working, but that’s inadequate if you want a more precise identification if something is really going wrong in there, a stethoscope for mechanical use will give a better idea. Still it takes a lot of practice to use this kind of tool and get reliable results, the sound of good parts mixes with the sound of the bad ones and it’s hard to tell one from the other. There are computerized devices, like one made in Denmark that are used in truck fleets and other machines. They analyze the sound of the working system, compares the spectrum with the pattern of a good part and gives the prognostic for the best time to change the particular part preventively or if it’s the case, tells the operator to change the part in question immediately.

Using a more subjective and simple method, with time and practice one can get a good result, learning the differences of the sound of a clapping cam chain, excessive valve lash, crank pins, bearings and so on. It’s like a less expensive alternative, an electronic tool that lays between the stethoscope and the expensive computerized Brüell&Kjaër equipment from Denmark. It’s the PBTek acoustic probe, fabricated under patent in Brazil, it has a piezo electro-acoustic transducer that transform the movements of the internal parts reflected to the cases of the engine or other equipment in sound signals. They are proportional to the acceleration of such sound reflected to the cases, processed through an amplifier and reproduced in a head-phone in such a way that you can have a clear audition of the characteristic sound of the mechanical defected system and can go straight to the bad parts for replacement, with no useless attempts at all.



Pioneiro no Motocross e no off-road com motocicletas no Brasil, fundou em 1985 o TCP (Trail Clube Paulista), que organizou a 1ª prova de enduro tipo FIM (Enduro da Mentira). Desbravou trilhas em torno da capital paulista enquanto testava motos para revistas especializadas. É editor técnico e consultor no Motonline.