Mudar o País, começando por nós mesmos

Condicionamento social e o jeitinho brasileiro

Quantos de nós, ao menos em algumas disciplinas, não ocupávamos momentos de estudos com coisas mais prazerosas da vida? Jogar bola, sair com amigos ou mesmo ficar sem fazer nada era muito mais atrativo que se debruçar sobre os livros e cadernos, principalmente das disciplinas de muita leitura, as conceituadas pejorativamente como matéria de “decoréba”.

Mudar o País, começando por nós mesmos

Mudar o País, começando por nós mesmos

O sistema de ensino, que media conhecimento adquirido ou decorado num período através de uma prova, facilitava o desenvolvimento de uma técnica, onde mesmo com todo este tempo de ociosidade educacional, e às vésperas da dita cuja, rachávamos de estudar atingindo assim a média necessária pra sermos aprovados. Desconsiderando o fraco desempenho em adquirir conhecimento se utilizando desta “malandrosa” técnica, numa primeira impressão parece que outro mal não há.

Ledo engano e real perigo.

Determinados inocentes comportamentos podem influenciar sobremaneira a nossa vida, transformando-os, sem apercebermos claramente, em crenças de uma doutrina que iremos levá-las para sempre conosco. No caso das tais disciplinas, o nosso condicionamento em encontrar uma forma rápida e fácil de sermos bem sucedidos estudando as vésperas da prova, promove uma lógica comportamental que pode se tornar padrão e ser reproduzida ao longo de nossa vida.

Muitos dos nossos hábitos de ineficácia têm origem neste nosso condicionamento social de buscar soluções rápidas e fáceis de curto prazo, considerando que pra tudo somos capazes de encontrar atalhos. O ora criticado e ora elogiado “jeitinho brasileiro” tem tudo a ver com este nosso condicionamento social.

Quanto realmente nos diferenciamos de todos os corruptos e corruptores que estão muito em voga nos noticiários e tribunais?

Quantos ao nosso nível de cidadão comum não se utilizaram de “atalhos” para pedir para o amigo do amigo da repartição colocar os seus papéis na frente?

Quantos já não adentraram em cartórios, despachantes, Ciretrans, Detrans e outros perguntando (in)discretamente se não exi$te um “jeitinho” de cancelar os impeditivos ou as coisas acontecerem com mais “agilidade”?

Quantos não transferiram seus pontos de autuação por infração de trânsito para as carteiras de habilitação dos filhos e esposa, que pouco ou nada dirigem?

Quantos não desobedecem as leis e normas quando não há espectadores e testemunhas pra estes atos?

Quantos já não mencionaram a famosa e descarada pergunta: “E aí seu guarda, tem algo que podemos fazer para o senhor me liberar na boa?”.

Quantos não estacionam “por 1 minuto apenas” em vagas para idosos e pessoas com necessidades especiais?

Quantos e quantos aí por diante não existem?

Exemplos de práticas desonestas e/ou corruptas que estão ao nosso nível, e que muitos, senão quase todos, se utilizaram ao menos de algumas delas algum um dia.

Vamos supor que subíssemos de nível, que tivéssemos as características e vontade, além de buscar recursos, pra nos elegermos como “representantes do povo”, seja no poder legislativo ou executivo.
E que assim sendo, teríamos a nossa disposição um rol mais completo de possibilidades de “atalhos” com muito maiores e melhores retornos.

Como nos comportaríamos nesta nossa vida pública com todas estas “opções de atalhos” e poder a nós concedidos, seguindo a prática de mão única pra sermos bem sucedidos?

A pergunta que não quer calar! Quanto realmente nos diferenciaríamos de todos os corruptos e corruptores que estão muito em voga nos noticiários e tribunais?

Independente de onde estivermos, do lugar e nível, sempre haverão escolhas a serem feitas.
E com elas, sempre haverá possibilidade de combatermos as nossas fraquezas na construção da nossa doutrina de vida, de fazermos as escolhas certas, de escolhermos as crenças certas.

Não importa em quais crenças diga que acreditas e segues, mesmo que brade com eloqüência em alto e bom som dos decibéis de todos os escapes de um motor à mil, se elas não o deixar ter e praticar como uma verdade os bons valores da moral e ética pra ser uma pessoa honesta, honrada e solidária.

Pois não sendo assim, serão crenças de uma doutrina modelada pra se ajustar ao seu condicionamento social, e tristemente apta a procurar todos os “atalhos” disponíveis.

Qual é a nossa resposta pra pergunta que não quer calar? Momento de passar a limpo este nosso país. A nossa única chance, de tudo mudar, começando pela gente.