Kawasaki ER6N Z650

Conheça a Z 650, que aposenta a veterana Kawasaki ER6N

O Salão de Milão do ano passado – ou EICMA 2016 para os mais íntimos – revelou diversos modelos que chegariam em breve ao mercado mundial. Entre os que causaram maior alvoroço no mundo das duas rodas estava a aposentadoria de uma velha conhecida: a ER6N. Foi em novembro, e na Itália, que a marca japonesa apresentou a sucessora da veterana ER, que está no mercado desde 2005: a novíssima Kawasaki Z 650.

Agora, aos poucos o modelo está chegando em diferentes países do globo, e como logo será a nossa vez, resolvemos antecipar o que vem por aí.

Nova Kawasaki Z 650 substituirá a ER6N

Nova Kawasaki Z 650 substituirá a ER6N

Na verdade, a Z 650 não é tão nova assim, pois seu motor é o mesmo que já estava equipando a remodelada Ninja 650, com dois cilindros em linha e 649 cc, que gera 69 cv de potência máxima, distribuídos nos 185 kg totais da moto. Nota: três “equinos” a menos que a ER6, mas como bem sabemos, equilíbrio pode ser mais importante do que potência bruta, principalmente para motos de média cilindrada. Ademais, o chassi e a suspensão da Z 650 e da Ninja 650 também são praticamente os mesmos.

Talvez, o principal diferencial da Kawa Z 650 ante a ER6N seja o visual, agressivo e moderno, como deve ser o de uma representante da família “Z”. O icônico farol, o quadro de treliça exposto, o guidão baixo, o grande radiador à mostra, o design do tanque e bancos, dentre outros fatores estéticos, deixam claro que ali está uma naked autêntica, nervosa, pronta para entregar alto volume de torque ao menor movimento do punho. E tudo isso sem precisar desembolsar os aproximados R$ 52 mil de uma Z 1000, claro (lembrando que estamos assimilando o design e não a potência dos modelos).

Motor, chassi e suspensão são praticamente os mesmos da Ninja 650. Mas tem novidades, também

Motor, chassi e suspensão são praticamente os mesmos da Ninja 650. Mas tem novidades, também

Abaixo do tanque (de 15,1 litros), a Z 650 conta com o já citado motor de 649cc, com dois cilindros paralelos, arrefecimento líquido, quatro válvulas por cilindro (DOHC), alimentado por injeção eletrônica de dupla borboleta, conjunto que gera potência máxima de 69 cv. O torque máximo é de 6,9 kgfm, atingidos a 6500 rpm. Segundo a Kawasaki, o motor teve a árvore de comando redesenhada, aumentando em 2 mm o corpo do acelerador (de 34 para 36 mm), com a finalidade de melhorar as respostas de aceleração em baixas e médias rotações.

Lanternas em LED ajudam a compor o visual autêntico e agressivo de uma representante da família Z

Lanternas em LED ajudam a compor o visual autêntico e agressivo de uma representante da família Z

O câmbio é de seis marchas, contando com embreagem deslizante, a “Kawasaki Assist & Slipper”. O chassi, em treliça e que abusa de linhas retas, é novo e leve, mais do que o que vinha sendo usado na ER6N. Os freios têm dois discos de 300 mm na dianteira e um de 220 mm na traseira, podendo adotar o sistema ABS (o 9.1M Bosh) como opcional. Seu rake de 29º garante à Z650 uma postura de pilotagem ágil, mas sem ser agressiva. A altura do assento é de 790 mm, tornando o modelo fácil de ser conduzido, mesmo por motociclistas de baixa estatura. O tanque, além de bonito, é funcional, pois sua ergonomia garante encaixe para as pernas e auxilia em momentos de frenagem.

A nova Z traz painel completo, com indicador de marcha, nível de combustível e autonomia e três diferentes configurações de display, possibilitando ao motociclista personalizar o que lhe é mostrado. Cabe lembrar aqui que como ainda não tivemos acesso a moto pessoalmente (afinal ainda não veio ao Brasil), muito menos pudemos colocá-la em teste, não podemos antecipar com segurança dados sobre sua velocidade máxima, velocidade de cruzeiro e aceleração 0 a 100 km/h, por exemplo.

Kawasaki Z 650 no Brasil

A Z 650 será mais um modelo mundial da marca, incluindo distribuição nos mercados europeu e norte-americano. Em alguns países, como na Espanha (onde custa aproximadamente 6.900 euros), ela chegou em janeiro, e em outros, como na Malásia, será oferecida a partir de abril. No Brasil, o novo modelo da marca ainda não tem data confirmada oficialmente para fazer sua estreia, mas se olharmos para o mercado é possível perceber que já não há tanta oferta da ER6N, o que indica que possivelmente até o final do primeiro semestre ela esteja nas lojas.

Painel permite diferentes ajustes de personalização ao motociclista

Painel permite diferentes ajustes de personalização ao motociclista

Por aqui, a Z apostará em seu novo conjunto para enfrentar um mercado em ascensão e com boas opções à disposição dos compradores, como a Honda CB 650F, a Yamaha MT-07 e até mesmo a pouco lembrada Suzuki Gladius 650, bem como as ‘veteranas’ Yamaha XJ6, Suzuki Bandit 650, todas na casa dos 600 cc. Acreditamos, com base em seu preço praticado na Europa e no que a Kawa vinha cobrando pela ER6N (R$ 30.990,00) , que a Z 650 chegará por aqui custando entre R$ 33 e R$ 37 mil.

Adeus, Kawasaki ER6N

Deixará saudades. Ela foi lançada na Europa em 2005 – como uma evolução da ER5 – e de lá pra cá cativou inúmeros motociclistas fãs de naked de média cilindrada em diversos países, incluindo o Brasil. Se não dispunha do som característico de uma moto quatro cilindros com escape esportivo, como suas adversárias de venda (dentre as mais famosas a CB 600F Hornet e as Yamaha FZ6 e XJ6), seu motor de dois cilindros em linha de 649 cc e 72 cv, e duplo comando de válvulas no cabeçote, entregava torque logo em baixas rotações, “empurrando” a moto com força desde os primeiros giros do motor, algo que só acontecia com o conta-giros alto nas concorrentes. Apesar do visual marcante e do farol de estilo único, provavelmente o motor tenha sido o seu maior diferencial e fator determinante no momento de venda diante das rivais.

Lançada em 2005, a Kawasaki ER6N sempre agradou quem procurava uma moto de boa ciclística e torque forte. Seu visual, entretanto, sempre foi polarizador

Lançada em 2005, a Kawasaki ER6N sempre agradou quem procurava uma moto de boa ciclística e torque forte. Seu visual, entretanto, sempre foi polarizador

“Uma motocicleta com muita personalidade e design contemporâneo, muito agradável aos olhos. Sua ergonomia casou muito bem com seu motor de dois cilindros compacto e o chassi elegante que é ágil e divertido de andar” dissemos aqui no Motonline em 2010, quando testamos o novo modelo logo após seu lançamento no Salão Duas Rodas de 2009.

Na ocasião, também destacamos elementos característicos da ER6N – como o quadro exposto, escapamento com saída embaixo da moto e amortecedor traseiro montado na horizontal -, além de sua vocação polivalente, mostrando bom desempenho tanto na cidade, devido a seu baixo centro de gravidade e largura reduzida, quanto na estrada, com motor forte, de bom torque, e progressivo. Concluímos, há quase sete anos, que a moto se mostrava como “uma excelente opção para quem pensa em entrar no mundo das 600cc. Mas os mais experientes também podem se divertir com ela”.

Em 2014 realizamos o último teste da ER6N aqui no Motonline, pondo em prova a recém-lançada versão ABS, que mantinha o mesmo visual apresentado em 2012, quando o modelo recebeu um notável face-lift. Relembre, também em 2014, o comparativo que fizemos entre a Kawasaki e a Honda CB 500F, naked de média cilindrada que colocou muitas dúvidas na cabeça de motociclistas que pensavam em subir de categoria.

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Jornalista gaúcho convicto de que um passeio de moto em um dia de sol é a cura para praticamente todos os males da vida. Fã de motoaventurismo, competições de moto, café, praia e de rock n roll.