Cruzamento - Parte II

Cruzamento – Parte II

O cruzamento é uma situação tão crítica para qualquer veículo que deveríamos criar um santo protetor.

Texto: Geraldo Tite Simões

Já mostramos o pior de todos os cruzamentos, aquele de duas vias de mão dupla (http://www.motonline.com.br/colunistas/tite/cruzamento1-14jun09.html), agora você conhecerá os outros três tipos de cruzamentos: Fig 1 (fonte: CETH-Honda)

Fig 2 (fonte: CETH-Honda)

Fig 3 (fonte: CETH-Honda)

Em vias de mão única – Nessa situação o maior risco é representado pelo outro veículo, sobretudo se o motorista/motociclista não respeitar os tradicionais sinais de trânsito. Existe uma norma de trânsito antiga e esquecida tanto por motoristas quanto por instrutores. Quando dois veículos se encontram em um cruzamento sem nenhuma sinalização, o que está à tua direita é que tem a preferência (fig.1).

Independentemente de códigos criados pelos departamentos de trânsito, para nós motociclistas é fundamental reduzir a velocidade em todo tipo de cruzamento, com ou sem sinalizações. E repare em um dado curioso: geralmente nos cruzamentos são pintadas faixas de pedestres, com um material reflexivo feito à base de plástico. Essas faixas apresentam um coeficiente de aderência inferior ao asfalto. Ou seja, onde mais precisamos de aderência para frear é colocado um redutor de atrito! Quando se aproximar das faixas de pedestres fique na parte escura, aquela feita de asfalto mesmo!

Cruzamento de mão dupla x mão única – Esse tipo é potencialmente perigoso pela atitude dos outros veículos. Sobretudo dos que vêm no sentido contrário ao seu. É aquela famosa cena de um carro que corta a tua frente sem menor aviso prévio! Sempre que encontrar um veículo suspeito à tua frente, mesmo que não esteja com o pisca ligado, reduza e espere a reação do motorista. Se o carro estiver com o pisca ligado reduza ainda mais e sinalize para que ele cruze. É melhor parar e esperar o veículo cruzar a tua frente do que ser surpreendido por um maluco que decide virar a 30 centímetros do teu nariz!

Posição perigo – Desde os primórdios da minha vida motociclística aprendi a jamais me posicionar entre os carros e a calçada (fig.3). O motivo é mais do que evidente: se o carro virar à direita o motociclista não terá por onde escapar porque tem a guia (ou sarjeta, depende de onde você está lendo). Apesar de todo risco óbvio que essa posição revela, vejo diariamente motociclistas nesta situação. Hoje em dia com a popularização do telefone celular e da película escura nos vidros, os motoristas dirigem de forma displicente e têm maior dificuldade para visualizar os outros veículos, ainda mais se for uma moto pequena e espremida entre o carro e a calçada. Jamais fique nesta situação!

———————————————————————– ———-

Placa no capacete

A semana começou com a polêmica decisão de uma malta de desocupados, a Comissão de Constituição, Justiça (rs) e Cidadania (rsrsrsrs) aprovou um projeto ridículo de obrigar a colar a placa das motos nos capacetes. Podem ficar aliviados porque essa determinação esbarra em um problema Federal. A nossa Constituição, carta magna, determina que o cidadão civil não pode ser obrigado a portar qualquer tipo de identificação visual, salvo uniformes escolares, médicos etc. E um especialista em trânsito (não lembro qual) já afirmou publicamente que os VEÍCULOS devem ser identificados e não as PESSOAS!

Então alguém poderia perguntar: “mas se essa malta de desocupados já conhece a Constituição, por que criam esses projetos de leis ridículos?”. A resposta está em uma única palavra: publicidade! Estamos entrando na fase de campanhas eleitorais e esses desocupados precisam criar qualquer coisa que repercuta na mídia. Por isso eu me recuso a escrever o nome dessa malta. Na falta de projetos de relevância para a sociedade, procuram argumentos que possam proporcionar exposição.

Se o problema está na dificuldade de ler a placa das motos a solução é a mais prosaica possível: aumenta-se a dimensão das placas! Muitos países da Europa já adotaram uma placa enorme nas motos. Mas a pior justificativa é esta apresentada pela malta de desocupados: o elevado índice de crimes praticados por motociclistas.

Caso a malta de desocupados ainda não sabe, os criminosos não usam placas (nem identidades) verdadeiras. Ou acham que o sujeito vai assaltar com moto própria, emplacada, IPVA pago, licenciada e carregando os documentos originais. Ohhhh, santa ingenuidade!

E se a moda de identificar pessoas pegar, sugiro um projeto de lei que obrigue os políticos a exporem em seus ternos o número do artigo do qual já foram enquadrados. Já pensou que lindo, aquele monte de gente entrando na Assembléia Legislativa carregando em seus ternos uma plaquinha com a identificação 171?

Geraldo Tite Simões – Jornalista e instrutor do curso SpeedMaster de Pilotagem