Não é só o álcool ao volante que mata; pedestre bêbado também é vítima

Cuidado com o álcool: para não atropelar e não ser atropelado

— Não é só o álcool ao volante que mata; pedestre bêbado também é vítima.
— Maiores vítimas são – nesta ordem – motociclistas, pedestres e ciclistas

É um fato: as motocicletas não dão a mínima chance pra quem arriscar tomar uns goles de qualquer bebida alcoólica e depois tentar pilotá-las. E apesar da maioria saber disso, sempre vale bater na mesma tecla. Especialmente nessa época de carnaval.

A campanha atual para diminuir a dobradinha trágica álcool-direção e outros riscos que o consumo de álcool provoca nos adolescentes, motoristas, motociclistas e pedestres é chamada de “Bebeu, perdeu!”. A chamada é interessante e criativa. Ela vai direto ao ponto, que provoca transtornos, acidentes e causa um grande volume de mortes em qualquer época de festas e feriados prolongados.

Não é só o álcool ao volante que mata; pedestre bêbado também é vítima

Não é só o álcool ao volante que mata; pedestre bêbado também é vítima

A moto traz um risco maior de acidentes do que o carro quando o condutor está embriagado. Os motivos: pela perda total ou parcial de reflexos, diminuição drástica das noções de equilíbrio e principalmente relaxamento na pilotagem defensiva. O álcool desinibe. E estimula os motociclistas ou os motoqueiros a pilotarem mais arrojadamente – quer dizer, com menos cautela. Ai é que mora o perigo. Segundo divulga o Ministério da Saúde, o número oficial de mortos no Brasil vítimas de acidentes de trânsito é de 35 mil por ano, mas estimativas indicam que esse número passe dos 50 mil.

Um estudo patrocinado pelo Ministério da Saúde analisa a associação entre o consumo de álcool e os acidentes de trânsito nas cinco regiões brasileiras. No estudo – que analisou 1.248 vítimas de acidentes nas seis capitais selecionadas, contemplando as cinco Regiões do País – o atropelamento apresentou umas das maiores frequências entre os acidentes registrados em Manaus, Brasília e São Paulo; enquanto no Recife e em Curitiba, a queda foi a segunda forma de acidente.

Por isso, nós, motociclistas, temos de prestar atenção redobrada em tudo o que nos cerca nesses dias de carnaval. Especialmente nos pedestres.

A legislação brasileira pune severamente motoristas que dirigem com determinado nível de alcoolemia. Entretanto, é necessário considerar os outros atores do trânsito – pedestres, ciclistas e passageiros – que, sob efeito do álcool, arriscam igualmente as suas vidas nas vias públicas. O estudo também revela que o atropelamento é uma das principais causas de morte no trânsito e, na maioria das vezes, é o pedestre que está alcoolizado. Um alerta pra quem conduz sua moto: se o pedestre mal enxerga o veículo mais volumoso, a motocicleta passa longe de sua percepção.

Embora o tipo de acidente predominante na pesquisa para o conjunto das cidades tenha sido a colisão (34,1%), os altos índices de queda de motociclistas (21,7%) e atropelamento (20,5%) chamaram atenção dos pesquisadores para a atual negligência desses personagens que transitam.Os motociclistas constituíram a maior proporção das vítimas (40,1%). Na segunda posição, ficaram os pedestres e os ciclistas.