Dário Júlio: “O Sertões não é um bicho de sete cabeças”

Tricampeão brasileiro de enduro de regularidade, o mineiro Dário Júlio, 33, bloqueou qualquer euforia excessiva pelo quinto lugar na estreia no Rally dos Sertões. Satisfeito com a posição, o piloto oficial da Equipe Honda cravou: “Com preparação adequada, o Sertões não é um bicho de sete cabeças, mas pensar no Dakar já é outra história”.

Dário ficou na quinta colocação geral do Sertões, a segunda na categoria Production. Foi também o segundo melhor brasileiro, atrás só de Felipe Zanol, o vice-campeão. O mineiro da Equipe Honda abordou esses e outros temas, como a já aberta contagem regressiva para o Enduro da Independência, seu próximo desafio, a partir do dia 4, em Minas Gerais.

Confira entrevista:
Pergunta – Sua meta era terminar o Rally dos Sertões entre os dez melhores, mas foi o quinto. Ficou surpreso?
Dário Júlio – De certa forma, sim.Era uma etapa do Mundial, com alguns dos melhores pilotos do mundo, e com todos os principais pilotos do Brasil…Foi um resultado que realmente não esperava. Insistimos muito na regularidade. Não adiantava nada ganhar um dia, quebrar a moto, ou sofrer um tombo sério, e abandonar. A proposta era andar forte, mas com segurança. Daí veio o resultado.

Pergunta – A colocação final prova que sua preparação foi adequada ou algo pode ser aprimorado para 2011?
Dário – Sempre acho que tudo pode ser melhorado. Neste ano foram 30, 45 dias de preparação com a moto. Comecei o Sertões ainda me adaptando à pilotagem que a moto exigia. Com uma preparação mais longa, o resultado pode ser melhor.

Pergunta – O que foi mais difícil, lidar com o cansaço físico ou o desgaste da moto?
Dário – Nenhum dos dois, o mais complicado mesmo foi controlar a ansiedade e a falta de experiência. Sempre ficava preocupado em não ser punido, em não fazer algo fora do regulamento, pois as regras eram novidade para mim, que estreava na prova. Desde que você esteja bem preparado, o Rally dos Sertões não é um bicho de sete cabeças. Sobre a moto, não tenho o que dizer, ela foi excelente. O preparo físico também esteve adequado. Meus melhores resultados vieram nos dias mais cansativos.

Pergunta – Por que os dois melhores brasileiros foram estreantes?
Dário – Acho que nós dois tivemos a cautela própria dos estreantes, mas nem eu, muito menos o Zanol [Felipe, o segundo no geral], era inexperiente. Não fiquei assustado em competir contra o Coma [Marc], o Casteu [David] e o Zé Hélio. Só me concentrei em fazer meu melhor.

Pergunta – Este desempenho te anima a competir no Dakar?
Dário – (risos) Estão me perguntando isso desde sexta. Comecei a andar de moto em 1999, e minha meta era correr o Sul-Mineiro. Depois, o Mineiro. O Brasileiro. O Sertões. Agora preciso achar um outro objetivo, um outro sonho, mas ainda não tenho certeza que é o Dakar. Correr no Sertões não te dá o direito, automático, de sonhar com um bom Dakar. É uma prova muito dura, que exige uma preparação extensa. Vai depender também dos objetivos da Honda.

Pergunta – Sua próxima meta agora é o Brasileiro de Enduro de Regularidade?
Dário – É uma das metas. Quero também o tri no Enduro da Independência e um bom resultado no Brasileiro de Rally Cross-Country.