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De Cuiabá a Curitiba, uma pequena grande aventura

Por Luiz Augusto Victorino Alves Corrêa

Em dezembro de 2014, eu (Luiz) e o meu amigo Raul resolvemos colocar as motocas para engolir bons quilômetros. O objetivo era sair de Cuiabá (MT) e ir até Itapema (SC), ficando alguns dias na linda Curitiba (PR). A confortável Suzuki V-Strom 650 do Raul e a minha valente BMW G650GS estavam de tanque cheios e pneus calibrados, só esperando os respectivos donos.

Uma V-Strom 650 e uma BMW foram usadas na viagem

Uma V-Strom 650 e uma BMW G650GS foram as motos usadas na viagem

Conseguimos antecipar a saída, e pontualmente ao meio dia de 05/12/2014, fomos encarar o primeiro e pior trecho. Entre Cuiabá e Rondonópolis são apenas 240km, mas de trânsito pesado, asfalto e sinalizações ruins. Com paciência e atenção vencemos o trecho sem problemas. Conseguimos esticar até Sonora (MS), rodando o total de 390 km em meio período. Pegamos chuva leve, que só serviu para emporcalhar as motos.

Para o segundo dia havíamos previsto puxar bem e chegar até Presidente Venceslau (SP), rodando 831 km em velocidades módicas. Apesar de gostar de velocidade, não sou de correr, pois além de aumentar o desconforto, aumenta também risco de acidentes.

Nesse dia erramos alguns trechos, pois saímos confiando na sinalização das vias e no GPS do celular… que ingenuidade. Chegamos ao nosso destino já de noite, e bem cansados. Os últimos quilômetros começaram a gerar mau humor para ambos. Fica a dica: relaxe e não faça longos trechos, está para passear e não para ficar estressado.

Curitiba oferece a Linha Turismo, que percorre os principais pontos turísticos da cidade

Curitiba oferece a Linha Turismo, que percorre os principais pontos turísticos da cidade

Terceiro dia: bom humor recuperado, hora de rodar até o primeiro destino. Chegamos em Curitiba após 631 km de boas estradas. Uma maravilha! As motocas foram excelentes, nenhum probleminha sequer. Crédito para a manutenção em dia e zelo pelas motocas.

Essa foi a primeira viagem que fiz utilizando intercomunicador. Essa maquininha foi um grande diferencial para a viagem. Combinar paradas, trocar informações sobre percurso, facilitar ultrapassagens, avisar de irregularidade na pista ou possível perigo são as vantagens desse equipamento, além de poder conversar e espantar a solidão dentro do capacete.

Em Curitiba aproveitamos para fazer turismo em um ônibus de dois andares (tipos os ônibus ingleses), que faz a chamada linha turismo, que percorre os principais pontos turísticos da cidade. Conhecer e visitar as boas lojas de equipamento de motos foi outro programa prazeroso. Acho essa cidade espetacular.

Atacando de turista no Jardim Botânico, cartão postal da Capital Paranaense

Atacando de turista no Jardim Botânico, cartão postal da Capital Paranaense

Resolvemos então rodar em uma das mais belas rodovias do país, a famosa Estrada da Graciosa, chegando até ela percorrendo os bucólicos “Caminhos Históricos da Graciosa”, um belo trecho de asfalto paralelo à BR 116, recheado de chácaras e sítios, com criação de animais à moda antiga, lagos e pequenos rios. Almoçamos o tradicional barreado em Morretes (PR) e retornamos para pernoitar na linda Curitiba.

Ponte metálica no Recanto Mãe Catira - Estrada da Graciosa

Ponte metálica sobre o Rio Nhumdiaquara no Recanto Mãe Catira – Estrada da Graciosa

A intenção era acordar cedo e descer até o último destino (Itapema/SC), porém no café da manhã assistimos no noticiário que a previsão era de muita chuva. Raul acessou sites de meteorologia e confirmou só água para os próximos dias. E agora? Ir para a praia para ficar no hotel jogando baralho não dá.

Caminhos Históricos da Graciosa, um inacreditável mundo bucólico a menos de 20 km de Curitiba

Caminhos Históricos da Graciosa, inacreditável lugar à moda antiga, a menos de 20 km de Curitiba

Caminhos Históricos da Graciosa, ponte centenária sobre o Rio

Caminhos Históricos da Graciosa, ponte centenária sobre um riacho

Como já tínhamos esgotado os afazeres em Curitiba, resolvemos antecipar a volta e encerrar as férias 2 dias antes. Saímos sem pressa e pernoitamos em Paranavaí (PR), tendo rodado 505 km apenas. Alguns podem achar estranho passar mais tempo rodando do que propriamente no destino, mas creio que muitos amantes das duas rodas irão entender perfeitamente.

Morada do Silêncio, retiro da Ordem Rosacruz nos Caminhos Históricos da Graciosa

Morada do Silêncio, retiro da Ordem Rosacruz nos Caminhos Históricos da Graciosa

Nosso oitavo dia de viagem se resumiu em… mais estrada. Que delícia! Afinal esse era o real objetivo da viagem. Chegamos em São Gabriel do Oeste (MS), tendo rodado 625 km nesse dia. Essa cidade foi uma grata surpresa para pernoite, pois estava lindamente bem decorada para o Natal. Um capricho de cidadezinha.

Como tudo que é bom dura pouco, no nono dia chegamos de volta em Cuiabá, tendo rodado 570 km nesse dia. A viagem foi maravilhosa, e o único imprevisto foi de a câmera esportiva Xing Ling ter pulado no meio do mato, daí perdi quase todo os registros.

De volta à rotina, foi hora de fazer um balanço dos 3.861 km rodados em 9 dias. Seguem minhas dicas, algumas delas aprendidas nesta viagem:

-Moto revisada é uma tranquilidade;
-Procurar sair cedo, mas sem radicalismo;
-Evitar rodar à noite;
-Invista em bons equipamentos (casaco, luva, bota, etc);
-Amarrar bem a bagagem, nada de ficar preocupado se algo deslocou;
-Rodar 600 a 700 km/dia é o ideal, mais que isso já começa a desgastar;
-Um bom preparo físico ajuda;
-O intercomunicador foi o plus dessa viagem, recomendo;
-Planejamento prévio do trajeto e cronograma, mas com flexibilidade;
-Inverno é mais apropriado para viajar de moto (menos chuva e menos calor);
-Evite abusar da velocidade, isso aumenta bastante a segurança;
-Programar paradas de hora em hora, ou até menos se houver cansaço;
-Dê boa margem da autonomia, nada de rodar até a última gota de gasolina;
-Duas coisas são imprescindíveis: segurança e bom humor.

Para quem gosta de números, minha G650GS fez a média de 23,45 km/l nessa viagem, nada mau para quem acompanha a tocada um pouco mais pesada do Raul. Só para ilustrar, em 2012 fiz a mesma viagem, porém só. Daí a média de consumo ficou em ótimos 26,54 km/l na minha tocada de tartaruga.

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Resumo de roteiros e distâncias

O motonliner  Luiz Augusto Victorino Alves Corrêa enviou este relato através do “Você no Motonline”. Mande você também o seu texto e o compartilhe com milhares de leitores que, como você, também amam as motos.

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Nota do Motonline: quando publicamos a viagem de algum motociclista, o enfoque é o prazer da viagem. Mesmo curta e comum, cada um faz a aventura que é capaz, com a moto que tem, não importando o tamanho do motor, com segurança e na companhia de amigos. Não precisa atravessar o continente para dizer que fez uma aventura de moto que mereça ser compartilhada.



Mário Sérgio Figueredo

Motociclista apaixonado por motos há 42 anos, começou a escrever sobre motos como hobby em um blog para tentar transmitir à nova geração a experiência acumulada durante esses tantos anos. Sua primeira moto foi a primeira fabricada no Brasil, a Yamaha RD 50.