Desafios ao resgate da economia japonesa

O terremoto ocorrido no Japão no último dia 11 de março balançou não só as casas e prédios da Região Nordeste do país, mas também a sua economia. As perspectivas apontam que o produto interno bruto (PIB) em 2011 sofrerá um impacto negativo importante. E a retomada de algum crescimento é projetada somente a partir do final do ano.

Dentre os setores que já apresentaram impactos negativos estão o automotivo e eletroeletrônico, que tiveram suas produções interrompidas logo após o tsunami. Em alguns casos, afetados diretamente pelo terremoto e tsunami, outros indiretamente pela escassez de energia, dado o racionamento pelo qual passa o país, ou pela falta de componentes que eram produzidos por empresas que estavam localizadas na área atingida pela catástrofe.

Algumas estimativas são levantadas sobre os prejuízos materiais no Japão, mas as repercussões totais ainda são incertas. As províncias atingidas pelo terremoto na Região Nordest, conhecida como Tohoku, representam algo entre 8% e 10% do PIB japonês. No entanto, um problema adicional é que dentro desse valor estão inclusas a produção de partes e componentes que geram repercussões sobre outras áreas do Japão e no exterior. Com isso, as repercussões da destruição sobre a economia vão além desses números. Por exemplo, a montadora Mazda anunciou a interrupção da sua linha de produção nas prefeituras de Hiroshima e de Yamaguchi, que estão localizadas a mais de 890 km de distância, por falta de componentes fabricadas na região de Tohoku, mais fortemente afetada pelo Tsunami. No caso do setor automotivo total, 12 das maiores montadoras nipônicas tiveram atividades interrompidas em algumas de suas plantas, incluindo a Toyota, a Daihatsu, a Suzuki, a Nissan e a Isuzu .
No setor de eletroeletrônicos têm-se como exemplos outras grandes empresas afetadas, como a Hitachi, NEC, Sony e Fujitsu. Um dos fatores que explicam essa rápida interrupção das produções é o fato das empresas trabalharem com estoques muito reduzidos, consequência da aplicação do sistema conhecido como “just-in-time”. Os problemas de suprimento de partes e componentes avançaram também sobre os países vizinhos, dentre eles a China, Coreia do Sul e Taiwan. Na China, onde há mais de quatro mil subsidiárias japonesas, estima-se que cerca de 50% das importações relacionadas à produção das montadoras nipônicas serão afetadas, sendo aproximadamente 20% das importações feitas diretamente pelas indústria automotivas do próprio Japão japonesas instaladas nesse país e outros 30% pelas produtoras de autopeças.

A Coreia do Sul também tem grande relação econômica com o Japão e sofrerá impactos dos problemas. Estima-se que cerca de 30% dos componentes importados pelas empresas sul-coreanas, dos setores eletrônico e automotivo, provenham do Japão. No caso taiwanês, foi noticiado que a maiores empresas de computadores do país apresentam preocupação com o fornecimento de discos rígidos e baterias para sua linha.

Como se pode verificar, as repercussões imediatas dos problemas japoneses são importantes, tanto para a economia japonesa como para os países vizinhos. Porém, as conseqüências de médio e longo prazo podem ser piores para o Japão, pois algumas empresas, como as taiwanesas, estão buscando fornecedores alternativos e, com isso, mesmo com a normalização da produção, os fornecedores nipônicos poderão não retomar o mesmo nível de exportações.

Além de todos os problemas acima, o Japão ainda enfrenta a valorização da sua moeda. Na última semana, com a repatriação de capitais realizadas por algumas instituições, um dólar chegou a valer 76,6 ienes, a maior cotação desde a segunda guerra mundial. Essa valorização prejudica ainda mais a economia, à medida que torna os produtos japoneses mais caros no mercado mundial.
Portanto, os desafios à economia japonesa não são poucos e, além dos problemas próprios, a conjuntura econômica internacional também não apresenta um quadro favorável. Há instabilidade nos países produtores de petróleo, o que tem causado a elevação do preço desse produto, e há desconfianças relativas a alguns países europeus, contribuindo para perturbar o cenário econômico internacional e projetando mais dificuldades à recuperação do Japão.