A insegurança é nossa companheira permanente enquanto pilotamos

Desistimos?

Decididamente a vida de motociclista não está fácil. Os riscos envolvidos no ato de pilotar uma motocicleta, de desfrutar o prazer indescritível de sentir o vento no peito, de fazer parte da paisagem ao invés de apenas vê-la pela janela do carro, estão cada vez maiores, principalmente nos grandes centros, chegando às raias da insuportabilidade e levando muitos a abandonar os veículos de duas rodas por receio de se transformarem na próxima vítima.

A insegurança é nossa companheira permanente enquanto pilotamos

A insegurança é nossa companheira permanente enquanto pilotamos

Não bastasse o permanente risco de acidentes, normalmente com consequências sérias, a ação dos amigos do alheio estão cada vez mais frequentes e audaciosas, talvez pela certeza de impunidade que impera em nosso país. O ladrão tem 99% de chance de ser bem sucedido quando realiza o roubo de uma motocicleta pois somente se for muito azarado vai estar no 1% das situações em que os bandidos levam a pior, encontrando algum policial próximo ao local do roubo.

Há algum tempo o Motonline também foi vítima dos ladrões em duas ocasiões quando testava motos recém-lançadas. Na primeira vez o jornalista Tite Simões foi subjugado por um assaltante armado e teve que entregar a Yamaha MT 03 que pilotava na ocasião.  Na segunda ocasião o fotógrafo Claudinei Cordiolli também foi abordado e na tentativa de fuga foi alvejado de raspão no abomem, felizmente sem consequências sérias.

O meliante sabe que a vítima não estará armada e não oferecerá resistência sob a mira de uma arma – a lei do desarmamento desarmou apenas o cidadão de bem; para o bandido não fez diferença alguma, ou melhor, fez sim, facilitou a prática do seu ofício, o de roubar e de matar impunemente.

Semana passada bombou na internet um vídeo que mostra uma tentativa de assalto mal sucedida na região dos Jardins em São Paulo. Os bandidos não tiveram êxito nesta ocasião porque um policial militar que passava pelo local viu a ação e disparou contra o ladrão no momento em que este tentava se evadir com a moto do local do crime. Infelizmente esse foi um dos raros casos em que os bandidos se dão mal porque normalmente eles conseguem ter sucesso nas ações criminosas que praticam e é comum notícias de que os proprietários assaltados, mesmo sem reação, são baleados ou até mesmo mortos pelos meliantes.

Além dos assaltos, há o risco permanente de lesões decorrentes de acidentes

Além dos assaltos, há o risco permanente de lesões decorrentes de acidentes

A postagem do vídeo nas redes sociais foi o tema mais comentado da semana e pudemos observar o desabafo da classe motociclística que em peso aplaudiu o desfecho trágico para o ladrão que levou dois tiros de um policial que passava de carro pelo local. Claro que alguns repudiaram a ação do policial militar, mas foram em número inexpressivo. O ladrão baleado encontra-se fora de perigo e tem boa recuperação dos ferimentos.

Apesar de reprovável o apoio à violência mostrada no vídeo, esse fato aponta o quanto estamos com medo de sair às ruas pilotando uma moto. Medo de que na próxima esquina sejamos abordados por ladrões e não haja um policial herói por perto para nos salvar e ao nosso patrimônio cujo seguro tem preço proibitivo, chegando em alguns casos a até quase 30% do valor do bem segurado.

O pior de tudo é saber que nada mudará a curto ou médio prazo; os bandidos continuarão agindo impunemente e nós motociclistas continuaremos reféns do medo e da insegurança, contando apenas com a ajuda Divina para nossa proteção.



Mário Sérgio Figueredo

Motociclista apaixonado por motos há 42 anos, começou a escrever sobre motos como hobby em um blog para tentar transmitir à nova geração a experiência acumulada durante esses tantos anos. Sua primeira moto foi a primeira fabricada no Brasil, a Yamaha RD 50.