Foto: BIcicleta motorizada em exposi‡Æo 3§ Moto&Cia Classic

Direito de ir e vir, pedalando

Foto: BIcicleta motorizada em exposi‡Æo 3§ Moto&Cia Classic

Foto: BIcicleta motorizada em exposi‡Æo 3§ Moto&Cia Classic

Por que nÆo usar mais as bicicletas para ir e voltar do trabalho?

Uma situa‡Æo t¡pica no dia-a-dia dos centros urbanos ‚ o congestionamento no trƒnsito, que interfere diretamente na locomo‡Æo das pessoas e em sua qualidade de vida. A situa‡Æo, entre outras conseqˆncias, pode causar aumento da polui‡Æo e estresse em motoristas e passageiros, especialmente nos hor rios de maior circula‡Æo de ve¡culos.

O debate sobre como melhorar o trƒnsito nas principais vias p£blicas passa por um controle maior do tr fego de carros. A elevada quantidade de ve¡culos em circula‡Æo se deve … preferˆncia dada ao transporte rodovi rio – s¢ na cidade de SÆo Paulo, por exemplo, a frota de autom¢veis ultrapassa 5 milhäes de unidades. H  carˆncia na oferta do transporte coletivo, o que faz com que muitas pessoas prefiram o deslocamento individual, aumentando ainda mais a quantidade de ve¡culos nas ruas e avenidas.

Propostas para diminuir os congestionamentos e tornar mais  gil a locomo‡Æo das pessoas nÆo faltam.  importante destacar que a discussÆo passa por uma concep‡Æo maior, que ‚ a ocupa‡Æo planejada e a transforma‡Æo das cidades em verdadeiros espa‡os p£blicos voltados para o uso coletivo. Nesse sentido, uma alternativa de transporte, adotada inclusive em algumas capitais estrangeiras, ‚ a bicicleta. Esse ‚ o caso de AmsterdÆ, na Holanda, que tem uma popula‡Æo de 730 mil moradores para 600 mil bicicletas e que conta com mais de 400 quil“metros de ciclovias.

Mas nÆo ‚ preciso ir tÆo longe assim. O munic¡pio de Curitiba tem 120 quil“metros de ciclovias, que ligam 20 parques e bosques da capital paranaense. Estimativas apontam que na cidade, em que vivem 1,7 milhÆo de habitantes, existe uma frota de 121 mil bicicletas. Outro exemplo ‚ o Rio de Janeiro, que desde a Conferˆncia Internacional do Meio Ambiente (Rio 92) adota medidas para incentivar o uso das “magrelas” como uma alternativa de locomo‡Æo.

A utiliza‡Æo das bicicletas como um meio de locomo‡Æo demanda uma s‚rie de a‡äes por parte das administra‡äes p£blicas, o que inclui a constru‡Æo de ciclovias (vias exclusivas para ciclistas) e de ciclofaixas (faixas para circula‡Æo de bicicletas nas vias de tr fego vi rio). H  ainda outras a‡äes necess rias para garantir a seguran‡a dos ciclistas, como a coloca‡Æo de sinaliza‡Æo espec¡fica e a cria‡Æo de estacionamentos e a fixa‡Æo de rotas adequadas para circula‡Æo, o que significa evitar trechos acidentados e irregulares. Al‚m disso, ‚ importante realizar campanhas de educa‡Æo no trƒnsito para evitar a ocorrˆncia de acidentes envolvendo motoristas, pedestres e ciclistas.

Estudo elaborado pela Companhia de Engenharia de Tr fego (CET) e pela SÆo Paulo Transporte S.A. (SPTrans) aponta que dos 23,4 milhäes de viagens di rias na capital paulista, 130 mil sÆo realizadas com o uso de bicicletas. Os deslocamentos mais numerosos ocorrem a p‚ (8 milhäes) e por autom¢vel (5,1 milhäes). O levantamento mostra ainda algumas das vantagens da bicicleta como meio de locomo‡Æo: baixo custo na aquisi‡Æo e manuten‡Æo, reduzido impacto ambiental, contribui‡Æo … sa£de do usu rio, agilidade no deslocamento para distƒncias de at‚ 5 quil“metros e menor interferˆncia desse meio de transporte no espa‡o p£blico da cidade. Apesar disso, o uso da “magrela” no pa¡s ainda ‚ reduzido. Segundo dados do Minist‚rio das Cidades, as bicicletas sÆo usadas em 7% dos deslocamentos urbanos e metropolitanos no territ¢rio nacional.

Cada vez mais fica clara a necessidade de se viabilizar meios de transporte que representem uma alternativa para a locomo‡Æo das pessoas nas grandes cidades, de modo a desmontar a l¢gica predominante hoje em dia de que os centros urbanos devem privilegiar o transporte vi rio. Um exemplo disso ‚ o munic¡pio de Guarulhos, na regiÆo metropolitana de SÆo Paulo, que inaugurou recentemente a primeira faixa exclusiva para bicicletas, pr¢xima ao Aeroporto Internacional de Cumbica. A iniciativa servir  de teste para a forma‡Æo de um plano ciclovi rio, que prevˆ a cria‡Æo de novas pistas exclusivas, a partir de sugestäes da pr¢pria popula‡Æo.

(*) O autor ‚ gerente da Unidade de Neg¢cios Bicicleta da Pneus Levorin. E-mail: levorin@levorin.com.br