Farol lembra as naked da marca; configuração de motor é incomum para uma custom, com 2 cilindros em linha

É a moto do Batman?

Texto de Marlon César, Osvaldo Cruz(SP)

Uma vez mais o Motonliner Marlon César resolveu fazer um teste na moto de um amigo. Desta vez com a Honda CTX 700N, a qual ele andou, tirou suas impressões e compartilha sua opinião com os seguidores do Motonline. Se você também quer dar a sua opinião ou publicar a sua própria avaliação sobre esta ou sobre outra moto, vá na Comunidade Motonline e compartilhe sua opinião com outros motonliners.

Após rir um pouco do comentário feito por um amigo, comecei a reparar nos detalhes da motocicleta. Realmente, a nova Honda CTX 700N parecer ter saído de um filme, com seu desenho fora do padrão e sua cor preto fosco, bem diferente de uma custom. O design chama muito a atenção de todos, motoristas, motociclistas e pedestres. Por diversas vezes respondi perguntas sobre a moto até na estrada tive que parar quando um motociclista com uma Kawasaki Z750 pediu para eu encostar para que pudesse observar à nova custom da Honda.

Uma custom que chama muito a atenção por onde passa; desenho foge ao padrão da categoria

Uma custom que chama muito a atenção por onde passa; desenho foge ao padrão da categoria

Importada do Japão desde maio desde ano, a moto usa o motor da NC 700X. Esse motor já é conhecido no velho continente e ainda equipa mais dois modelos da Honda, a naked NC 700S e o scooter Honda Integra. Trata-se de um dois cilindros em linha cuja concepção procura gerar mais torque e menos potência. São 47,6 cv a 6.250 rpm e torque de 6,12 kgfm a 4.750 rpm. Em essência, um motor que visa suavidade e economia. De fato ele se revela muito econômico, com o consumo de 27 km/l, rodando a 120 km/h.

Olhando de frente, até parece uma naked comum

Olhando de frente, até parece uma naked comum

Com a faixa de giro útil até os 6.500 rpm, onde começa a faixa vermelha do conta-giros, fica claro que este motor “morre cedo”. Isto se traduz em muito torque logo a baixas rotações e subida rápida de giro, com necessidade de trocas de marchas rápidas. É preciso algum tempo para acostumar e nas marchas mais baixas quando pensamos que o motor ainda está crescendo a ignição corta. A economia é fruto da baixa rotação em velocidade de cruzeiro. A 120 km/h em 6ª marcha o motor está abaixo dos 4.000 rpm. O pedal do cambio é macio e o torque sempre presente exige poucas trocas na cidade. Já na estrada apenas em aclives acentuados com bagagem ou garupa sente-se a necessidade de reduzir para ganhar um pouco de força. O câmbio possui 6 velocidades, e a transmissão é por corrente.

Na cidade a moto se mostra maleável e fácil de pilotar. Com o peso bem concentrado no meio da moto e o centro de gravidade baixo, ao sair da imobilidade com ela nos faz esquecer que se trata de uma moto com mais de um metro e meio (1.530 mm) de entre-eixos. Ela muda rápido de trajetória, algo que não é muito esperado numa moto dessa categoria. Mas ela não possui boa capacidade para driblar o trânsito, mas definitivamente surpreendeu no quesito maneabilidade. As suspensões, com garfo telescópico convencional na dianteira e um amortecedor com links na traseira (c/ajuste na pré-carga da mola) são bem dimensionadas para o produto, tanto piloto quanto garupa sentem a falta de progressividade em lombadas e irregularidades mais acentuadas. Mas por relatos de quem tem, todas as custom são assim.

 

Saiu da imobilidade, parece uma moto muito menor de tão dócil e fácil de manobrar; mas sua "praia" é a estrada com bom pavimento

Saiu da imobilidade, parece uma moto muito menor de tão dócil e fácil de manobrar; mas sua "praia" é a estrada com bom pavimento

Esta é uma moto que ainda carrega muita novidade e o farol possui o design das outras motos da marca. Da mesma forma que a irmã mais velha – NC 700X – o frentista surpreendeu-se quando abri o compartimento para objetos no local do tanque para guardar meus pertences. Diferente da NC 700X, os engenheiros da Honda foram obrigados a manter o local do tanque acima do motor e não abaixo do banco como ocorre nos outros modelos da família 700. Com isso o modelo custom perdeu o útil espaço capaz de guardar um capacete presente na naked NC 700S e na trail NC 700X, mas ganhou um prático porta-objetos. O guidão é largo e permite uma posição de pilotagem natural, bem relaxada. O painel digital completo fica bem afastado do piloto. Os comandos de seta e buzina são invertidos, e no começo podem causar um pouco de confusão.

Farol lembra as naked da marca; configuração de motor é incomum para uma custom, com 2 cilindros em linha

Farol lembra as naked da marca; configuração de motor é incomum para uma custom, com 2 cilindros em linha

Esta é uma típica moto estradeira, confortável e econômica. Autonomia próxima a 300 km com um tanque de combustível permite viagens longas sem problemas. Mas para ritmo mais acelerado sente-se a falta de proteção aerodinâmica, com desconforto na região do pescoço e dos ombros. O banco é largo e a espuma tem boa densidade, tanto para piloto quanto para garupa. Mas a Honda ainda não oferece acessórios originais do modelo, como o sissy bar, já disponível para os outros mercados.

A CTX 700T, européia; sissy bar, cases laterais, carenagem e para-brisa; uma touring perfeita

A CTX 700T, européia; sissy bar, cases laterais, carenagem e para-brisa; uma touring perfeita

A grande surpresa veio ao pegar um trecho com muitas curvas e também ao passar pelas rotatórias das cidades onde entrei. A moto possibilita uma inclinação elevada, limitada apenas pelas pedaleiras que, apesar de avançadas, são bem altas para uma custom. Mas o maior responsável pelo desempenho da moto está nos pneus – bicompostos Metzeler Roadtec Z8, 120/70ZR17 (dianteiro) e 160/60ZR17 (traseiro). Esse são pneus padrão para motos naked de 600cc, com ótimo grip em curvas e ótima estabilidade. Mesmo nas curvas mais fechadas ela não apresentou nenhum movimento de torção e as suspensões trabalham muito bem nas curvas, exceto em irregularidades, onde se sente demais os buracos da estrada. Os freios são a disco mas duas rodas e contam com o sistema anti-travamento ABS, que oferecem muito mais segurança nas frenagens, adequados ao modelo da moto.

Painel digital e distante; porta-trecos sobre o tanque de combustível

Painel digital e distante; porta-trecos sobre o tanque de combustível

O autor: boas primeiras impressões sobre a Honda CTX 700N do amigo

O autor: boas primeiras impressões sobre a Honda CTX 700N do amigo

A sigla CTX significa Comfort Technology Experience (conforto, tecnologia e experiência) e parece que o objetivo do seu nome foi alcançado. Confortável, com grande tecnologia e que proporciona uma experiência de pilotagem única. Essa experiência de pilotagem poderia até ser ampliada caso as outras versões do modelo fossem vendidas no país. Lá fora já existe a CTX com DCT (câmbio automático de dupla embreagem) e a marca já criou uma nova versão chamada CTX 700T, que conta com carenagem frontal, malas laterais rígidas e sissy bar. Uma critica ao modelo é o fato do porta luvas junto ao tanque não possuir trava com chave. Então cuidado ao deixar pertences lá e se afastar. A moto vem equipada com o H.I.S.S. da Honda.