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Em busca de um trânsito mais harmônico

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Metropolitanas selvas de pedra adoecem sob iminente infarto viário. O desespero do motorista parado contrasta à rápida passagem de corrente de motociclistas. Não parecem preocupados com atrasos ou com suas vidas. Aprofunda sua indignação a visão da impune passagem em semáforo vermelho, enquanto forte luz pisca no seu retrovisor. Não viu radar nem velocímetro ao se preocupar com o usuário de duas rodas. Motoqueiros, referência de motorista. Prenúncio do conflito do espelho quebrado. O motorista tem certeza que foi de uma bota sob dolo.

Para o transporte, automóveis e motocicletas têm a mesma função. Levam de um local a outro. Fazem o porta a porta. Contudo, as diferenças surgem quando se avaliam custo operacional, segurança, consumo, conforto, condições meteorológicas e até estilo de vida.

As divergências entre motociclistas e motoristas podem ser mitigadas a até extintas. Bastam ações simples e de forte apelo democrático. Educação. Escolas onde se ensine e se exija estudo. Leis e punição para aqueles que aprenderam e não querem respeitar. Democracias não se sustentam sem o rigor da lei. Motoristas e motociclistas do mundo todo tendem a não respeitar se não forem devidamente fiscalizados.

Há assimetrias na legislação e na punição do motorista e motociclista brasileiros. A falta do artigo 56 no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) acarreta aparente liberdade para correr entre filas de carros. Suaviza-se a restrição ao excesso de mais de 20% na velocidade permitida (lei 11.334, 2006) e se promulga a lei seca (lei 11.705, 2008), que foca a ingestão de bebida alcoólica e não a qualidade da direção.

Amizades viárias. O trânsito melhora com motorista e motociclista amigos. Faixas que os segreguem aprofundam divergências. Campanhas educacionais maciças. Dinheiro para tanto? O das multas. Sua receita é exclusiva para sinalização, Engenharia de Tráfego, policiamento e campanhas educacionais (CTB, art. 320).

Ao poder público, políticas de efetiva melhoria da mobilidade. Metrô para o transporte de massa. Faixas exclusivas de ônibus com serviço totalmente integrado. Cartões como o Oyster de Londres: liberdade para se locomover sem restrições de modo ou viagens.

A excessiva facilidade no financiamento de motos e carros gera cenário que ilude compradores. Alta carga tributária e de juros acobertados pela prestação barata. E o carro continua parado. E a moto, em alta velocidade, até seu derradeiro encontro com um ônibus desgovernado. Um motoboy. Pobres dos seus pais. Estavam certos em sua angústia diária.