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Em cima de cada moto sempre tem um cara legal

Em sua grande maioria, os motoristas tem uma visão deturpada de nós motociclistas; vêem-nos como a pior espécie habitante do planeta Terra. Nessa visão somos piores até que os mais nocivos insetos e vírus.

Paz no trânsito

Paz no trânsito

Me pergunto sempre de onde teria nascido essa antipatia gratuita, será que trata-se de inveja pela facilidade que temos de chegar antes no início da fila de carros no semáforo? Será pelo sorriso incontrolável que mostramos quando andamos de moto? Ou será porque ficamos praticamente imunes ao stress enquanto pilotamos?

Sou motociclista e também motorista e procuro analisar meu comportamento enquanto piloto e enquanto dirijo. Flagro-me um motorista cortês com os motociclistas, respeitando o “corredor”, dando brexa para as manobras de “costura” e não raro puxo conversa quando alguma moto para ao meu lado no sinal. Entretanto vejo as barbaridades que alguns motoristas cometem propositalmente para dificultar a vida dos motociclistas, colocando-os deliberadamente em situações de risco. O que move essa raiva sem motivo?

Se algum dia os motoristas perceberem que em cima de cada moto sempre tem um cara legal, um sujeito disposto a participar, a ajudar, a fazer um novo amigo em cada esquina, essa relação belicosa mudaria e o reflexo imediato seria um trânsito melhor e menos agressivo.

A opção pela moto geralmente está ligada diretamente ao temperamento da pessoa que escolhe o veículo de duas rodas, que normalmente é um sujeito ativo, simpático, que a usa como forma de extravasar sua necessidade de contato – contato com a natureza e com pessoas, usufruindo da interface mais amigável com o ambiente, reduzindo as “paredes” que a lataria dos carros impõe aos seus ocupantes.

Sei que temos nossa parcela de culpa também, principalmente os “cachorros loucos”, pequena minoria entre os motofretistas que são tão discriminados por causa de poucos arruaceiros no trânsito. Apesar de serem minoria, eles estão mais tempo no trânsito, são mais vistos, e por isso tornam-se referência – criam um estereótipo de que quem anda de moto é mau elemento. Temos que mudar essa imagem. Existem também os maus motociclistas dentre os que usam a moto apenas como meio de transporte ou lazer, afinal maçãs podres existem em qualquer balaio.

O que fazer para mudar essa visão errada?

Nessas hora é que vemos como faz falta algum órgão, público ou privado que nos represente, que faça campanha pró-motociclistas junto aos motoristas. Como seria bom e eficiente ver faixas estendidas nas grandes avenidas com o slogan título desse texto,  ou cartilhas sendo distribuidas nos semáforos, divulgando a idéia. Quantas vidas de motociclistas seriam salvas com essa medida tão barata e fácil de implementar.

É necessário buscar mais harmonia entre motociclistas e motoristas

É necessário buscar mais harmonia entre motociclistas e motoristas

Já que não temos esse  órgão representativo, podemos até tentar fazer a nossa parte, individualmente, em nossas cidades, escrevendo para as emissoras de televisão, grandes jornais e para os órgãos municipais de trânsito, passando-lhes o link dessa matéria ou simplesmente mostrando a idéia.

Temos que deixar a apatia de lado e fazermos nós mesmos, não podemos ficar esperando que as coisas “caiam do céu”; acione o seu motoclube,  seu grupo de amigos motociclistas ou reúna vários motoclubes, e tente marcar uma reunião com a autoridade municipal responsável pelo trânsito da sua cidade, tenho certeza que se o tema for bem exposto haverá receptividade garantida.

Com medidas simples como essa, atingiremos enormes e positivos resultados.

Leia mais sobre esse tema:  clique aqui



Mário Sérgio Figueredo

Motociclista apaixonado por motos há 42 anos, começou a escrever sobre motos como hobby em um blog para tentar transmitir à nova geração a experiência acumulada durante esses tantos anos. Sua primeira moto foi a primeira fabricada no Brasil, a Yamaha RD 50.