Emergentes sustentam a economia mundial Por Horst Bergmann*

Os países emergentes, economias vistas como novas, mas com grande robustez calçada em um mercado interno em desenvolvimento, deverão ser os responsáveis pelo crescimento da economia mundial.

A contribuição dos países integrantes do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) ao PIB mundial, que em 2000 era de 38%, saltou para 49% neste ano. Previsões indicam para 2030 uma participação ainda mais intensa destes países nos resultados do PIB (Produto Interno Bruto) mundial, a um índice de 57%, segundo o estudo Perspectivas sobre o Desenvolvimento Mundial 2010 – Deslocamento da Riqueza, publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A OCDE destaca que este realinhamento da economia mundial não é um fenômeno transitório, mas representa uma mudança estrutural de importância histórica. Segundo o estudo da organização, a acumulação de desequilíbrios econômicos durante a década passada provocou modificações na composição da riqueza mundial a favor dos países com excedentes comerciais. Os Estados Unidos, assim como outros países da OCDE, têm sido financiados por países como China, Brasil e Rússia e nações do Golfo Pérsico. Estes países, que até recentemente não tinham nenhum papel significativo como investidores internacionais, eram vistos pela indústria automobilística apenas como países de baixo custo de produção, e hoje começam a liderar nas respostas às tendências mundiais mais significativas no setor.

O fato é que, ao redor do mundo, a indústria automotiva passa por grandes mudanças, especialmente devido aos impactos da última crise econômica mundial – o que força todas as partes envolvidas a não só reagirem por meio de maneiras tradicionais, mas requer também mudanças inovadoras – e nos países emergentes esse impacto têm sido muito menos intenso.

Entre os países integrantes do BRIC, a Índia vem se destacando como um dos mais fortes mercados emergentes, com avanço da sua participação na economia global. Ao seu lado, a China também tem mostrado uma taxa estável de crescimento e passa atualmente a ser a segunda maior economia mundial, a frente do Japão. E é o setor automotivo, um dos maiores produtores da região, que tem colhido os resultados positivos do PIB nacional. Como resposta a este desempenho pode se destacar a melhora do nível salarial dos empregados deste setor, o que encorajou os consumidores a optar pela compras de automóveis.

São estes fatores que provocaram um aumento considerável da demanda no segmento de carros pequenos, o que levou a maioria dos fabricantes a apostar mais na produção de carros compactos feitos sob encomendas para os consumidores indianos.

Dos países em desenvolvimento, o Brasil, a Rússia, a Índia e a China estão sendo destacados pelas tendências que puxarão o crescimento mundial. No setor automotivo, estas quatro nações começam a assumir a liderança neste mercado em resposta a algumas tendências mundiais mais significativas.

Com o impacto que vem ocorrendo no comportamento dos consumidores destes países, os fabricantes de veículos e os fornecedores ampliam seus investimentos em novas estratégias de marketing, manufatura e novas tecnologias.

Diante da tamanha importância deste mercado, especialistas mundiais do setor automotivo, discutirão, no dia 6 de outubro, os “Desafios da Indústria Automobilística – Tendências nos Mercados Emergentes” no painel internacional do 19º Congresso e Exposição Internacional de Tecnologia da Mobilidade SAE BRASIL, que será realizado de 5 a 7 de outubro no Expo Center Norte, em São Paulo. Executivos de empresas como Mercedes-Benz do Brasil, Volkswagen Índia, Robert Bosch GmbH, entre outros, vão discutir e apresentar as tendências do setor nos mercados emergentes e o que está ocorrendo nos BRICs neste período pós-crise.

* Horst Bergmann é diretor do Comitê Internacional do Congresso SAE BRASIL 2010