superbike ninja 600 samara andrade

Entrevista com Samara Andrade, revelação no SuperBike

Terror de muitos ‘barbados’, a piloto Samara Andrade é uma das revelações do SuperBike Brasil nos últimos anos e tem chances reais de se sagrar campeã na categoria Copa Kawasaki Ninja 600, desbancando então favoritos ao título. Nesta entrevista, conheça melhor a paulista de 27 anos que corre no SBK desde 2013, iniciando na extinta Copa Ninja 250R, e em 2016 já levantou o troféu de campeã da copa Pirelli 2016 e de campeã paulista 2016, ambas na categoria Copa Ninja 600cc.

Raspando a pedaleira (o joelho e quase o braço) nas curvas: Samara é destaque no SBK Brasil. Que seu exemplo leve muitas outras mulheres à pista!

Raspando a pedaleira (o joelho e quase o braço) nas curvas: Samara é destaque no SBK Brasil. Que seu exemplo leve muitas outras mulheres à pista!

Aliás, no início do ano falávamos aqui no Motonline sobre a ambição da moça, que queria mostrar a todos que lugar de mulher é, definitivamente, atrás do tanque… de uma moto! Na última etapa do SuperBike Brasil a piloto venceu as duas provas da categoria Ninja 600, dominando a prova, o que a deixou a apenas 11 pontos do líder. A próxima etapa do SBK ocorre no dia 04 de dezembro, em Interlagos, e Samara duelará de igual para igual pelo título inédito.

Entrevista com Samara Andrade, destaque no SuperBike Brasil 2016

Conheça a piloto Samara Andrade, destaque no SuperBike Brasil

Conheça a piloto Samara Andrade, destaque no SuperBike Brasil

Samara Martensen Andrade tem 27 anos, um filho de 4 anos (Nicolas), é solteira, natural e moradora de Jundiaí/SP. Hoje se dedico apenas às corridas e a tratar de assuntos que condizem com a motovelocidade. Sua rotina envolve, basicamente, cuidado com seu equipamento, manutenção e preparação da moto de competição.

1 – Como foi seu início nas motos? Conta pra nós a história das tuas primeiras aceleradas…

Foi por incentivo de um namorado, ele quem me ensinou o básico, engatar marcha, acelerar, frear. Me apaixonei e comprei uma antes mesmo de sair minha habilitação.

2 – E quando você partiu pra pista? Como se deu este episódio?

Eu andava nas ruas, em grupos de motociclistas. Por incentivo de minha mãe para sair das vias, fiz um curso e track day. Fiz o curso com minha própria moto de passeio, que era uma Bandit 650N, e lá um dos instrutores começou a me incentivar a começar a competir em uma categoria de base, a Ninja 250cc. Por coincidência, tínhamos uma moto deste modelo na família, então a montei com carenagem de pista e comecei a frequentar os autódromos.

Sua primeira moto foi uma Yamaha XTZ Lander 250. Depois veio uma Suzuki Bandit 650N, e foi com ela que Samara iniciou em track days

Sua primeira moto foi uma Yamaha XTZ Lander 250. Depois veio uma Suzuki Bandit 650N, e foi com ela que Samara iniciou em track days

3 – Qual sua trajetória na motovelocidade? Por quais categorias já passou?

Comecei na categoria Ninja 250R, no final de 2013. Naquele ano fiz apenas as 3 corridas que faltavam para encerrar o campeonato, e consegui o terminar na sexta colocação. Logo na primeira corrida, em Brasília, subi no pódio em terceiro lugar, o que foi muito emocionante, chorei dentro do capacete! Não acreditava que estava vivendo algo que sempre admirei.

A primeira participação em uma corrida veio acompanhada de um pódio. Samara iniciou na Copa Kawasaki Ninja 250R

A primeira participação em uma corrida veio acompanhada de um pódio. Samara iniciou na Copa Kawasaki Ninja 250R

Em 2014 já passei para a categoria 600cc, na Copa Kawasaki Ninja, que era para iniciantes/amadores. Na estreia fiquei em quinto lugar, dentre 35 motos. Após tive episódios de queda, e em um treino em Goiânia acabei fraturando minha tíbia e fiquei afastada da pista até meados de 2015, onde me dediquei a treinar muito para voltar a correr.

Voltei esse ano na mesma categoria. Fui campeã na Copa Pirelli 2016, e campeã paulista 2016. Agora estou na disputa pelo título Brasileiro do SuperBike Brasil, no segundo lugar na classificação geral do campeonato, 11 pontos atrás do líder, mesmo tendo ficado fora da segunda etapa devido um tombo e uma fratura no punho.

4 – Hoje você está praticamente na véspera da final da Copa Ninja 600 e com chances reais de título no SuperBike. Como é isto para você?

Eu estou totalmente direcionada a realizar um bom treino que servirá muito para definir o ritmo da corrida, voltarei à Interlagos com a missão de fechar a temporada 2016 e isso é muito gratificante. Estou muito focada em meu trabalho e principalmente em meu condicionamento físico. Interlagos exige muito do preparo mental e físico, pois é uma pista extremamente técnica.

Samara no ponto mais alto do pódio. Piloto está 11 pontos atrás do líder e pode faturar o título na Copa Kawasaki Ninja 600

Samara no ponto mais alto do pódio. Piloto está 11 pontos atrás do líder e pode faturar o título na Copa Kawasaki Ninja 600

Não me sinto pressionada com o fato de estar disputando um título brasileiro, mesmo estando apenas 11 pontos atrás do líder.  Prefiro pensar que será uma etapa como qualquer outra. Quero muito de ser campeã e estou me preparando para tornar realidade.

5 – E você tem experiências em outros segmente, também? Como motocross, por exemplo?

Tentei praticar o motocross, mas tive muita dificuldade, inclusive em um treino acabei fraturando meu punho, este ano. Eventualmente faço treinos de supermoto, em kartódromo. É excelente para ajudar no condicionamento físico e aprimorar algumas técnicas – além de ser muito divertido.

Para mais condicionamento físico, treinos de Supermoto

Para mais condicionamento físico, treinos de Supermoto

6 – Samara, e olhando para o futuro, quais são suas expectativas dentro do esporte?

Quero permanecer no esporte e continuar evoluindo como piloto. Automaticamente já subo de categoria, o que aumenta o nível dos pilotos e nos obriga a dedicar mais e mais, mas para isso dependo diretamente dos patrocinadores.

Hoje minha rotina inclui uma preparação física diária acompanhada de dieta, tudo gerenciado por profissional da área. Financeiramente gera muitos gastos, e tive que abrir mão de muita coisa que eu tinha planejado para continuar este ano no esporte.

Infelizmente ainda é muito difícil viver apenas das corridas, pois este é um esporte muito dispendioso e o apoio de patrocinadores é raro. Poucos empresários conseguem visualizar o quão grande é a possibilidade de divulgar a sua marca me apoiando, visto que sou a única mulher em um grid essencialmente masculino. Por esse motivo também meus treinos em pista são muito esporádicos, pois dependo da disponibilidade dos autódromos e de recursos financeiros.

7 – Como é ser mulher em um ambiente predominantemente masculino como a motovelocidade? O que isso representa? 

Dentro da pista não há diferença, a disputa é a mesma entre os pilotos, independentemente de ser mulher ou homem. Já nos bastidores a história muda. Alguns me ajudam como podem, são solícitos e prontos para o que der e vier, mas tem sempre uma intriga, as vezes de algum piloto ou equipe. Bom, isso acontece, afinal estamos num meio competitivo e ninguém gosta de perder – ainda mais para uma mulher né (rsrsrs).

Samara disputa a final do SuperBike Brasil no próximo dia 4 de dezembro, em Interlagos

Samara disputa a final do SuperBike Brasil no próximo dia 4 de dezembro, em Interlagos

Correndo, acredito que eu rompa a barreira de discriminação, pois as mulheres são tão capazes tanto quanto os homens. Incentivo assim, elas a realizarem seus sonhos e objetivos. Competindo em iguais condições, mesmo estando em um mundo onde a mulher é descriminada somente pelo simples fato de ser mulher, tento mostrar que somos capazes, podemos e devemos sempre acreditar nisso.

8 – E os agradecimentos finais, vão para quem?

Só tenho a agradecer a todos que me acompanham e convida-los para no dia 4 de dezembro irem a Interlagos, assistirem à final do SuperBike Brasil e, é claro, torcerem por mim (rsrsrs)! Também destaco as pessoas que me seguem nas redes sociais, pois é muito gratificante ter ao meu redor pessoas que acreditam, me apoiam e incentivam. Elas pessoas torcem e mandam boas vibrações. É bom demais. Agradeço, ainda, aos meus patrocinadores: Octavio Sereno, da SAF-Rio de Janeiro e Açai Sport; e aos apoiadores: OneX custom suits, Shark, KWT, Solo. Sem eles não existiria nenhuma possibilidade de estar onde estou. Também agradeço ao meu fotografo e assessor de imprensa, Ricardo B Santos.

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Jornalista gaúcho convicto de que um passeio de moto em um dia de sol é a cura para praticamente todos os males da vida. Fã de motoaventurismo, competições de moto, café, praia e de rock n roll.