ENTREVISTA – Felipe Zanol busca melhor desempenho no Mundial

Piloto brasileiro faz planos após conquista do Campeonato Português de Enduro; veja entrevista completa

Uma semana depois de conquistar o Campeonato Português de Enduro, o brasileiro Felipe Zanol já pensa em vôos mais altos e outras conquistas. Um dos pilotos brasileiros com maior reconhecimento no exterior, ele investiu em um projeto ousado e de muitos sacrifícios para competições na Europa, uma opção coroada pelo título em Portugal, que agora é inspiração para as próximas disputas. Aos 26 anos, o mineiro acumula cinco títulos brasileiros e ao mesmo tempo em que brilhava na competição portuguesa iniciou a disputa do Campeonato Mundial de Enduro que chega a quinta etapa. Nesta entrevista, o piloto fala sobre as experiências em sua primeira temporada na Europa e também sobre os planos para o futuro.

Como tem sido esta temporada na Europa?
– Esta é minha prim eira temporada fora do Brasil. Estou encarando como um aprendizado. Não tinha idéia do que iria encontrar quando chegasse aqui. Está sendo uma experiência única. Ter conquistado o Campeonato Português já no primeiro ano, não poderia ter sido melhor. Estou trabalhando bastante para quem sabe na próxima temporada conseguir resultados ainda mais positivos.

Que experiências você aponta como destaque?
– Estou aprendendo muito. As competições são bastante diferentes das que são disputadas no Brasil. Tanto na organização dos circuitos quanto no nível dos pilotos e das equipes. Os times oficiais das montadoras fazem um trabalho excelente. Nem sei quando nós, no Brasil, chegaremos neste ponto. Fiz muitos amigos também nas competições, com os portugueses e, principalmente, com os espanhóis, com quem tiro lições.

O nível das c ompetições é realmente muito diferente?
– Saí do Brasil vencendo o campeonato nacional com uma certa tranquilidade. Aqui na Europa, as provas são decididas em milésimos de segundos. É muito mais apertado. Os pilotos são muito experientes. Essa diferença me motiva a evoluir cada vez mais. Me dedicar mais aos treinamentos.

Você pretende continuar em Portugal?
– Como a temporada portuguesa acabou e agora estou disputando somente o Campeonato Espanhol e o Mundial, existe muita especulação. Por enquanto, não tenho isso definido. Quero terminar o Mundial, que está a pouco mais da metade. Depois, vou sentar com meus patrocinadores e fazer uma análise se está sendo produtivo para eles que eu permaneça aqui ou até mesmo se é melhor voltar ao Brasil.

Como é sua relação com a equipe portuguesa que representa, o Te am CRN/Motofundador?
– Fui muito bem recebido pelo chefe da equipe e pela família dele que me tratam como um irmão. A equipe me dá um bom suporte para todas estas competições. Já pelo fato de eu ter ido para lá como um desconhecido atrapalhou um pouco, pois eles, inclusive os outros pilotos da equipe, não sabiam da minha capacidade. Depois que comecei a colher os frutos durante a temporada, ganhei mais respeito.

Qual contribuição você pode dar ao Brasil depois do que aprendeu lá fora?
– Minha idéia para voltar ao Brasil seria isso: contribuir para que o esporte evolua. Desde os 21 anos, quando fui bicampeão brasileiro, tentava ir para fora do país disputar um Mundial. Só consegui isso no ano passado. Se essa oportunidade fosse proporcionada a um piloto mais jovem, com cerca de 20 anos, o nível deles poderia ser melhorado. Tenho muita vontade de contribuir para que isso aconteça . Temos grandes talentos no Brasil que podem ser cultivados.

O que você espera até o final da temporada?
– Meu planejamento no início da temporada era terminar o Mundial entre os 10 primeiros colocados. Hoje estou um pouco longe dessa realidade. A minha idéia é evoluir dentro da competição e buscar uma boa colocação. Estou trabalhando duro para isso e, quem sabe, com um pouco de sorte possa atingir meu objetivo.

Qual a diferença entre disputar o Campeonato Mundial e as outras competições como o Português e o Espanhol?
– O Campeonato Português é muito próximo do Mundial. O nível de organização é excelente. As especiais são muito bem montadas. Já o nível dos pilotos não é tão forte. Na Espanha, as provas não são tão difíceis, mas o grau dos pilotos é muito elevado.

Quais as maiores dificuldades encontradas?
– O clima é um fator que me fez sofrer. É muito diferente do que temos no Brasil. A maiorira das provas é disputada em temperaturas bem baixas. Demorei um pouco para me acostumar. Hoje já estou mais adaptado. Alguns terrenos que encontrei aqui também não existem no Brasil.

O que falta para o Brasil conseguir um título Mundial?
– Investimento em categorias de base. Quando se tem uma estrutura melhor desde as categorias menores fica mais fácil conseguir resultados. Iniciar a disputa de provas como o Mundial na minha idade (26 anos) é um pouco mais complicado. Os pilotos aqui na Europa começam a participar de provas internacionais muito cedo, para ganhar experiência. Nós precisamos fazer o mesmo.

Você aposta em algum piloto brasi leiro?
– Desde que eu estava no Brasil, já observava um piloto da equipe que eu reresentava, a Husqvarna, que se chama Rômulo Botrel. Ele é muito dedicado. Outro que também tem um grande futuro se for bem trabalhado é o Carlos Mônaco.

Qual a importância dos equipamentos ASW para o seu desempenho?
– Muita, inclusive tenho feito um trabalho de desenvolvimento e teste de equipamentos para a ASW que deve ser muito produtivo. Nós pretendemos adaptá-los a condições extremas para que eles possam evoluir ainda mais. Essa experiência será muito útil. É importante que outros pilotos, não só os brasileiros, possam usar os nossos equipamentos.

Perfil do piloto
Nome: Felipe Augusto Miranda Zanol
Nascimento: 18/09/1981, em Belo Horizonte (MG)
Modalidade : Enduro
Equipe: CRN/Motofundador – Portugal
Patrocínios: ASW, CRN, Motofundador, PrintPress, MRPro e Ingá