Formandos de Engenharia Química da FEI desenvolvem pesquisas com material reciclado

Manta para isolamento térmico e acústico feita com pneus e reaproveitamento do filtro de cigarro são alguns dos trabalhos a serem apresentados no próximo dia 18, a partir das 19h

Quatro projetos de formatura do curso de Engenharia Química do Centro Universitário da FEI (Fundação Educacional Inaciana) serão apresentados no próximo dia 18 e são propostas de reaproveitamento de materiais, jogados no lixo, que podem ajudar na geração de novos produtos e processos produtivos. As pesquisas envolvem a recuperação do cobre proveniente do lixo eletrônico, o desenvolvimento de processo para purificação da cera de laranja e a manta térmica e acústica para a construção civil obtida a partir da reciclagem de pneus e do filtro de cigarro. Os projetos serão apresentados a partir das 19h, no campus São Bernardo.

Para a área da construção civil, um grupo de estudantes desenvolveu mantas para isolamento térmico e acústico, feitas a partir da reciclagem de pneus. Utilizadas para revestimentos de pisos e paredes, as mantas criadas pelos alunos da FEI possuem na composição 90% de pneu moído e 10% de aditivos e borracha natural.

O principal diferencial da manta está nos materiais utilizados, já que os alunos optaram por misturar pneu e borracha natural, desenvolvida com nanopartículas de argila. “As mantas existentes feitas com pneus são fabricadas com materiais que degradam o meio ambiente como, por exemplo, cola de poliuretano”, afirma o estudante Dereck Muche, de 23 anos.

A partir do tratamento químico para purificar o acetato de celulose, matéria-prima do filtro de cigarro, conhecida como -bituca-, os estudantes da FEI conseguiram reaproveitar o resíduo para a produção de novos filtros. Foram realizados ensaios e ficou comprovado que o acetato de celulose não apresentou degradação na estrutura original. “Sempre vimos filtros de cigarro espalhados nas ruas e o nosso projeto tem o intuito de dar valor agregado a esse lixo”, diz a estudante Aline Ventorini. Segundo a formanda, 1 kg de filtro dá para fazer 250 gramas de acetato de celulose. Atualmente, o Brasil não é produtor de acetato de celulose. A matéria-prima precisa ser importada para a fabricação do filtro.

Cera de laranja – Outro projeto envolve o desenvolvimento de um processo para purificação da cera de laranja para uso como matéria-prima na indústria. Hoje, as ceras naturais são bastante utilizadas nas indústrias têxtil, alimentícia, química e na medicina. O grupo realizou ensaios e o melhor resultado obtido foi com o método de extração utilizando álcool frio, com rendimento do processo de purificação de 54,4% em cera. O resultado indicou que o material possui propriedade semelhante a da lanolina e da cera de carnaúba, e poderia ser empregado também como substituto parcial de cera de polimento e como plastificante em vernizes.

A recuperação de cobre de resíduos eletrônicos é tema de outro TCC. Os formandos projetaram uma planta para processar 5 mil toneladas de lixo eletrônico por ano, contendo 4,1% de cobre e resultando numa recuperação de 205 toneladas desse metal por ano. Após a realização da análise econômica da planta, envolvendo compra da matéria-prima, equipamentos, mão-de-obra e utilidades, o lucro líquido anual estimado para o processo é de R$ 2,1 milhões.