Na cabine do pedágio para motos filas enormes

Guia de viagem a dois: Aparecida do Norte – SP

Texto e fotos de Maicon Ribeiro de Santana

Viajar de moto é muito prazeroso. Talvez seja esta a maior razão para que muita gente escolha usar moto, apenas pelo prazer de viajar “a dois”. A diversão começa logo que se pega a estrada com a curtição da paisagem desse nosso lindo País. Um destino que para mim é fundamental e que faço todo ano é a cidade de Aparecida do Norte, em São Paulo. Não abro mão de pedir a proteção da Nossa Senhora, pois sei o quanto é perigoso se locomover diariamente de moto e a proteção Dela é sempre bem vinda.

Aparecida do Norte (SP), destino dos mais procurados pelo motociclistas

Aparecida do Norte (SP), destino dos mais procurados pelo motociclistas

A viagem é de aproximadamente 400 km, percorridos em 4 horas somando-se a ida e a volta. Tranquilo para fazer um “bate-volta”, mas para quem mora longe, a cidade oferece hotéis e pousadas. Recomendaria ir no sábado e hospedar-se em Taubaté. A cidade, conhecida nacionalmente como a capital da literatura infantil, tem vários pontos turísticos, entre eles belas igrejas, uma estátua do cristo redentor com 23m de altura e o famoso sítio do Picapau Amarelo, local onde o escritor Monteiro Lobato passou a sua infância. Ainda não conheço, mas já está na minha lista de interesses.

Prepare antes o equipamento para a viagem

Prepare antes o equipamento para a viagem

No sábado aproveitei para lavar a motoca, e checar todos os itens de segurança: pastilhas de freio, pressão dos pneus, nível do óleo, piscas, farol, luz de freio e por último e muito importante, a tensão e lubrificação da corrente. Feito isso, hora de limpar os capacetes e separar as capas de chuva, botas e luvas, itens indispensáveis.

Domingo pela manhã fui pra estrada. Para quem sai de São Paulo, segue pela rodovia Ayrton Senna cujo tráfego é sempre bem tranquilo. No meu caso, o clima estava favorável, com muito sol. Deixando São Paulo para trás a paisagem vai mudando aos poucos e o verde torna-se cada vez mais presente.

Chegando na rodovia Carvalho Pinto um primeiro obstáculo: o pedágio. Há uma cabine exclusiva para moto e a fila estava enorme. Ter uma cabine exclusiva para motos é uma iniciativa bacana, mas seria muito mais rápido se eu tivesse me dirigido a uma cabine comum. É muito chato ter que parar no pedágio para pagar R$1,30 e, além disso, o motociclista precisa parar, desengatar a moto, tirar a luva, pegar o dinheiro, contar, esperar o troco, guardar o troco, colocar a luva, engatar a primeira e seguir viagem.

Na cabine do pedágio para motos filas enormes

Na cabine do pedágio para motos filas enormes

Multiplicando este processo por umas quinze motos que estavam na fila, perdi uns oito minutos ali parado. No meu caso a responsabilidade de pagar os pedágios é da minha noiva que estava na garupa. Assim só aguardo o sinal positivo dela e acelero. Essa é uma das vantagens da garupa, além da companhia, claro.

Acelerando novamente e curtindo a paisagem. Esse é o lema. Algumas motos passam a 200 km/h por mim, nem dá para ver a criatura no retrovisor. Por isso me mantenho na faixa da direita. Chego próximo a um grupo de umas cinco motos, todas “big trails”, mas que estavam mantendo a velocidade de cruzeiro, no meu ritmo, curtindo a viagem. Não é porque a sua moto pode chegar a 200 km/h que você deve se arriscar na rodovia nesta velocidade.

Posto Frango Assado: ponto de encontro de motociclistas

Posto Frango Assado: ponto de encontro de motociclistas

Seguimos juntos até o próximo pedágio. Desta vez optei pela cabine comum. Mas é preciso tomar muito cuidado. Nas cabines sempre existem poças gigantes de óleo no asfalto e é preciso apoiar o pé esquerdo no chão quando paramos. Se tentar apoiar o pé direito pode pisar numa mancha de óleo e escorregar. Se estiver numa moto pesada será difícil evitar o tombo. Pagamos R$1,35 e seguimos.

Quase uma hora na estrada, o corpo começa a reclamar. Após uns 20 minutos avistei o posto que fica no canteiro central da rodovia e é um ponto de encontro de vários motociclistas que curtem a estrada aos finais de semana. Hora de parar para descansar um pouco.

O local é bem estruturado. Conta com um amplo estacionamento, mas sem lugares específicos para motocicleta, banheiros limpos, restaurante e um pequeno quiosque onde motociclistas passam o tempo antes de voltar para a estrada. E para quem gosta de motos é um excelente lugar para ver máquinas de todas as marcas e estilos, esportivas customs, scooters luxuosas onde o banco parece mais um sofá… Aproveitei para abastecer e voltar à estrada. Alguns quilômetros depois cheguei a rodovia Dutra, caminho até o destino final. Mas antes de chegar à cidade de Aparecida, mais um pedágio. Este com o valor de R$ 5,00.

Ao chegar, a placa indica a saída para a cidade, mas o ideal para quem vai de moto é utilizar a segunda. Essa leva direto a entrada do estacionamento de motocicletas da Basílica que possui grande quantidade de vagas, boa segurança e árvores nos corredores garantem que algumas destas vagas fiquem protegidas do sol. Cabos de aço fixados ao solo podem ser utilizados para prender a moto com cadeado. O valor de R$ 5,00 é cobrado pelo dia.

Amplo estacionamento para motos com muita sombra

Amplo estacionamento para motos com muita sombra

Chegamos a tempo de acompanhar a missa das 12 horas na enorme e belíssima construção que é basílica de Nossa Senhora de Aparecida. Depois nos dirigimos até o chamado “centro de apoio ao romeiro” que é um centro comercial, com lojas, banheiros, e uma grande praça de alimentação com variedade de restaurantes. O difícil é achar uma mesa livre. Após o almoço, uma visita rápida a basílica velha de Aparecida, no centro da cidade. Aos domingos é sempre grande o número de pessoas, mas neste não haviam tantas. Agora é se preparar para a volta.

O caminho de volta foi tranquilo, com trânsito fluindo bem. Paramos novamente no posto da rodovia Carvalho Pinto para colocar as capas de chuva pois algumas nuvens negras surgiram, mas foi alarme falso. Chegamos em casa sem se molhar e com espírito renovado para novas viagens.

Até a próxima. Se alguém tiver dicas de lugares interessantes para visitar e quiser compartilhar pode enviar o relato para o Maicon no email motonarede@dyreto.com ou para o Motonline através do “Você no Motonline“. Vamos compartilhar e inspirar os outro motociclistas que também curtem uma viagem a dois.