Histórias de um motociclista fanático

Histórias de um motociclista fanático

Pausa para flanelinha

Apesar de ser uma raridade encontrar um homem que não seja apaixonado por sua moto…

Pensando bem, encontra-se sim! A esses podemos dar o nome de motoqueiros! Já que não temos uma outra palavra melhor para usar, não é mesmo? Motoqueiro é o camarada que costura irresponsavelmente o trânsito, que não respeita sinalização nenhuma, que faz manobras radicais nos retrovisores dos outros e que na passagem de ano economiza fogos “estourando” sua moto até o sol raiar… Esse não gosta de moto! E não está nem aí para o ouvido dos outros! Consequentemente também ninguém gosta dele! Na verdade esse é o camarada que denigre a imagem do motociclista!

Motociclista que se preza gosta mesmo de sua moto e de tudo o que se relaciona com ela… E, só de vez em quando tem uma vontadezinha de arrebentar algum retrovisor, visto que seus donos não o utilizam…

Mas quando falo de meu marido, não falo de um motociclista normal… Lembre-se: ele é fanático! Confesso que não foi nada fácil me manter casada com ele. Imagine uma pessoa que adora andar de moto e ODEIA andar de carro! Temos um carro e uma moto. Quando está frio, chovendo, advinha para quem sobra ter que levá-lo ao serviço? Pois é, euzinha! Vocês não têm noção de como eu fico aflita para chegar logo ao local de destino e vê-lo saindo porta afora! A paixão mais recente do Sal

Enfeite de bolo Aniversário do Sal

Ele fica parecendo um cachorro preso. Tudo o irrita! Ele mexe em tudo no carro: organiza o porta luvas e todos os compartimentos possíveis, muda 18 vezes a estação do rádio, reclama do trânsito, dos faróis e fica o tempo todo falando: Se eu estivesse de moto já estaria lá em tal local!

Bem, em São Paulo isso é verdade! Está muito difícil a mobilidade com carro… Mas se não dá para ir de moto e tem que ir de carro, dá, por favor, para ficar quieto????? Se eu não precisasse do carro para ir trabalhar, eu emprestaria o carro para ele só para me livrar dessa tortura… Ninguém merece…

Revistas? De tudo quanto é tipo! Que falem sobre moto, claro!De compra e venda, inclusive! E uma pergunta que não quer calar: Mas para quê se ele não estava comprando ou vendendo? Para saber quanto vale a minha, era o que respondia… Mas, toda semana?

Desde que nos casamos, ele já teve uma Falcom Azul e uma vermelha, uma XT, uma SRAD, uma V Max, uma Bandit 600, uma Bandit 1200 e agora, por último uma Hornet 600… (A propósito, de quem foi a idéia de lançar no mercado uma Hornet anunciando novo design, melhor desempenho e com o preço menor do que o modelo anterior? Esse homem anda muito invocado com isso…)

A bem da verdade, quem salvou nosso casamento a princípio foi o Tite, pasmem! Nas revistas espalhadas pela casa e que às vezes folheava, não encontrava nada que me interessasse, a não ser as matérias do Tite! Morria de rir… Comecei a gostar tanto que esperava as revistas novas… Adorei quando ele comprou para eu ler o livro “O mundo é uma roda”, do Geraldo Tite Simões!

Passear juntos também era muiiiiiiiiiiito bom, mas andamos tomando alguns sustos. Uns camaradas, sustentados pela turma que compra peças e motos roubadas, uma vez nos pediu “gentilmente” que saíssemos de cima da nossa. Graças a Deus, meu marido não reagiu… Ficamos a pé… E tenho certeza que ele só não reagiu porque eu estava com ele…

Numa outra situação, ele estava indo sozinho com a Hornet para um curso em Alphaville e na Castelo Branco percebeu que estava sendo perseguido por 2 motos…

Quando o vi adentrar na sala onde trabalho, branco, da cor da camiseta, percebi que não era uma visita comum, que havia alguma coisa errada! Ele havia feito diversas manobras e escapado do roubo… Agradeço muito e só a Deus por isso, porque o final poderia não ter sido esse, não é mesmo? Na época registramos ocorrência até prevendo alguma multa pelo excesso de velocidade… Dez dias depois morreu um motociclista no mesmo local, que colidiu na Castelo Branco fugindo de bandidos. A multa seria o de menos…

Andar em turma foi a forma de viajar com um pouco mais de tranqüilidade… O problema era negociar as pausas pra passar a flanelinha…