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Honda pensa em Africa Twin menor, de olho nas concorrentes

A exemplo do que já fazem outros grandes fabricantes de motocicletas, a Honda estuda aumentar a família Africa Twin, com uma irmã menor da bigtrail, possivelmente na faixa dos 600 cm³. Aliás, vale lembrar que a história da Honda Africa Twin começou com um motor de 650 cm³ (bem mais modestos que os 998 cm³ atuais) em 1988, na época que a Honda vencia o Rally Dakar com o italiano Edi Oriolli e sua Honda NXR 800V.

Acontece que assim como na moda, tendências de décadas passadas podem ser resgatadas e voltarem a ocupar mercado novamente, devidamente contextualizadas, claro. E parece que a Honda pensa seriamente em resgatar seu sucesso original do passado para trazê-lo de volta. Pois é, assim como a calça boca de sino, a Africa Twin de média cilindrada também pode voltar.

A Honda afirmou que hoje possui poucas modelos voltados 'totalmente à aventura' e que por isso uma Africa Twin intermediária viria bem. Nós gostamos

A Honda afirmou que hoje possui poucas modelos voltados ‘totalmente à aventura’ e que por isso uma Africa Twin intermediária viria bem. Nós gostamos

Ainda não há previsão de quando este novo modelo deve dar as caras ao mundo, mas o interesse em desenvolvê-lo já foi frisado pela fábrica. Kenji Morita, diretor de Grandes Projetos da empresa, ator ativo na criação da Honda CRF 1000L Africa Twin, afirmou em entrevista recente a Motorcycle News que o assunto está na pauta. “Como atualmente a Honda dispõe de poucos modelos voltados ‘totalmente à aventura’, estamos pensando em colocar um modelo intermediário para atrair pessoas mais jovens. Vamos desenvolver esta motocicleta, mas não é algo em que estamos trabalhando agora”.

Africa Twin menor para brigar com Tiger e 800 GS, será?

A afirmação de Kenji pode ter sido influenciada por uma série de variáveis, dentre elas, sem dúvidas, o interesse em ampliar a gama de produtos. Além disso, uma aventureira menor se encaixaria na licença A2 europeia (por lá a permissão para pilotar motos é dividida em categorias e esta permite conduzir veículos de média cilindrada) – ao contrário de uma mil cilindradas, que requer habilitação distinta. E, por fim, possibilitaria o desenvolvimento de uma nova plataforma, empregando componentes e tecnologias que poderiam vir a ser utilizadas em outras motos também – desde que seja, claro, uma base inédita.

O Salão de Milão 2017 mostrou, de uma só vez, as novas Tiger 800 (foto), a BMW F 850 GS eYamaha T7, segmento bastante aquecido e, pelo visto, onde a Honda também quer entrar

O Salão de Milão 2017 mostrou, de uma só vez, as novas Tiger 800 (foto), a BMW F 850 GS eYamaha T7, segmento bastante aquecido e, pelo visto, onde a Honda também quer entrar

Já ao olhar da fábrica Honda para fora, notamos outros combustíveis para o desenvolvimento deste novo produto. Provavelmente, a marca pretende disputar os bons índices de venda das aventureiras médias, em um cenário onde a suposta nova Africa Twin encararia motos como a nova BMW F 850 GS e Triumph Tiger 800, ambas renovadas em seus modelos 2018. Precisamos lembrar também da falada Yamaha T7 e da belíssima KTM 790 Adventure, claro.

Por outro lado, a Honda também pode considerar uma moto menor, um modelo intermediário como uma 500 cm³, por exemplo. Contudo, o mercado de motocicletas dual-sport nesta faixa é muito mais tímido que um degrau acima, onde se encontram os já citados modelos como principais players, e também não apresenta tanto volume de vendas. Mas a Honda tem cacife para isso e muito mais. Portanto, não se surpreenda se a líder mundial lançar uma moto menor que a esperada, ou mesmo duas motos menores na família Africa Twin.

Como pode ser a nova ‘mini’ Africa Twin

Apesar de não acreditarmos que esta nova moto terá 500 cm³, também descremos que a ‘mini’ Africa Twin usará o motor bicilíndrico de 745 cc da NC 750X – apesar dele já equipar a scooter (ou seria maxi scooter quase off-road?) X-ADV. Este propulsor tem suas origens na indústria automotiva – ele é exatamente meio motor do Honda Fit – e basicamente por isso trabalha em regimes de rotação menores, o que significa ter a moto ‘menos à mão’ diante de um obstáculo no off-road – fato que se configura numa desvantagem. Enquanto a CRF 1000L atinge sua potência máxima a 7.500 rpm, a NC extrai o máximo de seu motor bem antes, já aos 6.250, da mesma forma que a limitação de giro também ocorre precocemente, mostrando a diferença de proposta entre os dois produtos voltados a segmentos distintos: uma aventureira e outra urbana.

Motor de dois cilindros da NC 750X também é empregado no curioso (e caro) X-ADV. Mesmo assim, não atenderia com louvor à proposta genuinamente  aventureira de uma Africa Twin

Motor de dois cilindros da NC 750X também é empregado no curioso (e caro) X-ADV. Mesmo assim, não atenderia com louvor à proposta genuinamente aventureira de uma Africa Twin

Claro que a Honda poderia fazer a adaptação de outro modelo desta faixa de cilindrada, empregando o motor da XR 650L (bastante ultrapassado, mas ainda na ativa), por exemplo, mas presumimos que a marca desenvolveria um novo propulsor. Algo digno de pertencer ao rol Africa Twin e que também poderia equipar outras motos de ponta da categoria. Talvez até mesmo um 750 cm³ com dois cilindros em ‘V’ e com arrefecimento a líquido, como o que deu vida ao modelo em sua segunda geração, produzida de 1989 a 2003. Quem sabe…

Africa Twin foi apresentada ao mundo em 1988, num momento mágico do Rally Dakar. Inicialmente, modelo tinha 650 cm² e dois cilindros em linha, mas logo chegou o motor de 750 cilindradas e cilindros em V

Africa Twin foi apresentada ao mundo em 1988, num momento mágico do Rally Dakar. Inicialmente, modelo tinha 650 cm² e dois cilindros em linha, mas logo chegou o motor de 750 cilindradas e cilindros em V

Mas se a concorrente BMW tem uma aventureira 800 e outra 1200, por exemplo, o natural não seria fazer uma versão maior e mais potente ao invés de anunciar uma moto menor? A moto ‘pequena’ teria algo na casa das 700 – 800 cm³ e a grande tem 998 cm³, muito próximas uma da outra. Ao que tudo indica, desenvolver uma Africa Twin maior não está nos planos e a lógica (e o mercado) indica que uma Africa Twin “média” seria uma boa jogada para conquistar a preferência dos consumidores.

Sobre a atual Africa Twin, com motor 998 cm³ e 91 cv de potência Morita explicou: “Em termos de potência pura, alguns de nossos concorrentes têm mais, sim. Mas nossa intenção é ter a quantidade certa de potência que os clientes realmente usam em situações reais de condução. Se quiséssemos seria fácil aumentar a potência, mas quando se faz isso sempre acaba-se por perder algo, a moto fica mais pesada, vibra mais ou fica mais quente e nós perderíamos o equilíbrio que procuramos. Depois de muitos testes, o melhor resultado foi obtido na casa dos 100 cv”, justifica Morita.

Como o mercado mundial anda em velocidade cada vez mais rápida e os lançamentos tem acompanhado o ritmo, o que Morita indicou já poderá já ser apresentado os salões europeus de 2018, no segundo semestre, ao menos como protótipo. Se seguir a lógica, em pouco mais de um ano a nova Africa Twin média poderá estar nas ruas. Aguardemos os próximos capítulos.

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Jornalista gaúcho convicto de que um passeio de moto em um dia de sol é a cura para praticamente todos os males da vida. Fã de motoaventurismo, competições de moto, café, praia e de rock n roll.