Kawazaki Z1

Kawasaki – terra, ar, água e motos!

O que pode acontecer se você juntar em uma mesma empresa detentora de alta tecnologia para a construção de barcos, motores de aviões, foguetes, trens e transatlânticos vários talentos para fabricar algo realmente novo?

Kawasaki MachIII de 1970

Kawasaki MachIII de 1970

Agora imagine pegar um membro de cada área dessas e dizer – “façam uma moto, criem uma lenda que supere tudo que existe de melhor, reinventem, façam algo totalmente novo!” Imaginou? Pois é, você acaba de saber como nasceu a Kawasaki Motorcycles.

A Kawasaki juntou especialistas de várias áreas em soluções para mobilidade humana – na terra, no mar e na água para colocar fogo no mercado de motocicletas. A decisão de fabricar motos foi tomada por conta do crescimento da preferência por motos no EUA,  um mercado promissor e carregado de amantes de duas rodas. O mundo queria ser livre e rodar sem destino e precisava de motos. Foi isto que a Kawasaki fez. Deu-lhes asas.

O desafio começou quando a Kawasaki montou duas equipes independentes e deu a cada uma delas uma missão. Uma faria o desenvolvimento de uma moto de dois cilindros e a outra poderia ousar e assim saiu uma moto de três cilindros que seria o primeiro sucesso de vendas da Kawasaki.

Em 1968, em plena era do Rock’n Roll os engenheiros da divisão de aviões da Kawasaki fizeram a primeira moto de alto desempenho que consistia em uma arquitetura baseada em três cilindros. A MACH III tinha 60 cavalos de força e 500cc e motor de dois tempos. Lançada em 1969 a MACH III foi a motocicleta de maior produção no mundo – naquela época.

No início foco da Kawasaki sempre foi o mercado americano e foi nele que ela se desenvolveu e saltou da quarta posição entre as japonesas para hoje ser a marca que possui a moto mais rápida do mundo, desbancado mais de uma década de reinado da Suzuki Hayabusa. Na realidade a Kawasaki precisava ousar e despejar toda sua ‘expertize’ na fabricação de motores poderosos para competir com as já gigantes Yamaha, Honda e Suzuki.

O maior desafio seria colocar tecnologia, potência, desempenho e um apelo visual em um pequeno motor, já que eles tinham conhecimento suficiente para fazer motores enormes, como turbinas para Jumbos, transatlânticos e trens-bala.

Kawazaki Z1

Kawazaki Z1

Apesar do enorme sucesso já na primeira moto a Kawasaki achou que ainda era pouco e mandou ousar mais. Três anos depois, em 1972, lançaram a Z1 900 nos EUA. A moto tinha quatro escapes independentes e quatro cilindros que forneciam 100cv de potência. A Z1 900 ainda não era uma moto esportiva e muito menos estava pronta da ganhar corridas.  Faltava isso para vender mais motos e assim continuaram ousando.

Depois que a versão de corrida dessas motos ficou pronta contrataram um inglês chamado Pridmore para correr pela Kawasaki e a sequência de vitórias começou. Em 1977 e 1978 com a moto Z1 (tinha 900cc e mais de 136cv) feita para corridas e depois comercializada no mercado a máquina de cor verde começava a dizer ao mundo a que veio. A Kawasaki foi a última das quatro grandes marcas japonesas a entrar no ramo de fabricante de motocicletas e a primeira a ser campeã e bicampeã do campeonato promovido pela Associação Americana de Motociclismo a AMA.

Em Setembro de 1980 a kawasaki inovou mais uma vez e apresentou ao mercado a GPz 900R uma máquina de 900cc, motor DOHC de 16  válvulas com 90 cavalos de potência. A equipe americana queria que a nova moto se chamasse NINJA em virtude acharem, naquela época, que ser um ‘ninja’ era o mesmo que ser um Superman, portanto invencível.

A Kawasaki adotou a ideia e junto com ela veio outra – a GPz 900R era na realidade vermelha e precisaria adotar uma cor que chamasse a atenção e marcasse a moto de longe. Escolheram o verde-limão. Porém existia uma supertição de que a cor verde-limão não traria boa sorte nas pistas e muito menos vitórias, mas a Kawasaki apostou no projeto e não na supertição e seguiu em frente.

GPz 900R na cor Verde-Desafio!

Eles criaram não apenas mais um verde comum, eles criaram sua própria cor que hoje é marca registrada das Kawasaki no mundo todo. A cor exclusiva da Kawasaki  ainda hoje é composta de nove partes de amarelo e uma parte de azul. Esta cor recebeu o nome de “verde-desafio” da Kawasaki como chamaram os japoneses em resposta aos que tinham supertição em relação ao verde para motos de corrida.

Depois da mudança de cor – de vermelho para ‘verde-desafio’ era hora de criar uma lenda e assim nasceu a Ninja que trazia o primeiro motor da Kawasaki refrigerado a água. A primeira geração de Ninjas produzia 115 cavalos de força com 900cc e centro de gravidade mais baixo e uma velocidade máxima de 240 km/h. Não existia nada mais rápido do que isso naquela época.

Quando os engenheiros da Kawasaki tiraram a moto para a primeira volta de testes tomaram um susto – a sensação em cima dela era como estar parado em um deserto onde se ouvia apenas o barulho do vento. Segurança e desempenho, pilotagem equilibrada e arrojada eram o tom dos primeiros testes. A primeira Ninja foi a primeira moto a incorporar um sistema de arranque computadorizado ou o que chamamos hoje de injeção eletrônica. Fazer um computador controlar aceleração, velocidade e consumo nos anos 80 era um feito inédito e muito arrojado para a época.

Na Década de 90´, chegava a ZX11 que trazia incorporada uma tecnologia americana chamada de ‘RAM AIR’ – que nada mais é do que fazer com que a entrada de ar forçado pela velocidade conferisse à moto mais potência e melhor desempenho – quanto mais ar entrava mais a moto desenvolvia velocidade e despejava potência. Esta foi a primeira motocicleta com esta tecnologia incorporada no mundo. A ZX11 tinha 160cv e chegava a velocidade máxima de 295 km/h.

Mas ainda era pouco para a Kawasaki. O desafio seria superar a Hayabusa e ser a moto mais rápida do mundo e para isso eles fizeram uma super Ninja chamada ZX14 com motor de 1.4 litros, 200cv e que vai de zero a 100 km/h em dois e meio segundos.

Para quem não sabe a Kawasaki também inventou o jetsky ou moto aquática. Acontece que ela detinha a patente da invenção e durante um tempo apenas ela pôde fabricá-lo. Porém acreditando que não se pode competir sozinho a Kawasaki liberou a patente e ainda hoje, também na água, reina na ponta com os jets mais rápidos.

É, meus amigos, isso foi o que deu juntar especialistas de vários elementos da natureza para fabricar uma moto. De hoje em diante, quando você olhar uma Kawasaki passando vai saber que ali estão terra, água, ar e fogo, ou melhor: terra, água, ar e uma supermoto.

 



Motociclista desde os 18 anos. Jornalista e apaixonado por motos desde que nasceu.