Na beira da estrada, pronta para acelerar - espera, está amaciando

Amaciando uma Kawasaki ZX10

Teste de moto zero é um problema. Quando recebemos uma moto para teste, ela já deve vir amaciada, mas nem sempre isso acontece. Às vezes  enviam assim mesmo, zero quilometro, e cabe aos jornalistas e pilotos fazerem o serviço de amaciamento.

A ideia então foi colaborar com a Kawasaki. Decidimos dividir o teste em duas partes: o amaciamento e o teste propriamente dito.

Saindo da concessionária K-Dealer em São Paulo para o início do amaciamento

Despedindo do Willy, ao sair da concessionária K-Dealer em São Paulo para o início do amaciamento

Saindo da concessionária com o manual no bolso e ainda com o lacre, rodamos 140 km para o interior de São Paulo, para só então no dia seguinte, ver os detalhes de como deveria ser feito o amaciamento. Limites de rotação máxima e quilometragem a ser adicionada até a primeira troca de óleo e revisão.

Estava assim definido: para os primeiros 1000 km, a rotação máxima a ser mantida conforme a orientação do manual do proprietário da moto é de 4.000 rpm. “Só?” O susto foi grande! Quer dizer que logo de saída forçamos o motor sem saber, porque não fizemos a lição de casa direito. O piloto tinha que ver o manual antes de sair! Mas não se preocupe. Apesar desse deslize, todas as fábricas dão boa margem de tolerância, sobretudo numa moto desta classe.

Na beira da estrada, pronta para acelerar; Peraí, está amaciando!

Na beira da estrada, pronta para acelerar; Peraí, está amaciando!

No trânsito pesado desligamos o motor ao parar em semáforos e em congestionamentos. A travessia da cidade de São Paulo para ir ao seu destino no interior dificulta a movimentação com a ZX-10. Mesmo assim, nenhum susto com a temperatura do motor, que permaneceu abaixo dos 95º C por conta disso. A ideia era evitar aquecer demais o óleo e prejudicar o amaciamento.

Ao chegar na rodovia Ayrton Senna, a moto se sentiu livre para tomar o ventinho frontal e a temperatura baixou para a casa dos 60º C a 70º C. Muito bom, vamos em frente. Mas como foi essa primeira viagem então? No limite de 4.000 rpm a velocidade da moto é de 93 km/h. Quanto de velocidade foi mantida nessa rodovia? No limite da rodovia, que é de 120 km/h, a rotação não passou dos 6.000 rpm. Lembre-se que o motor desta ninja tem a sua faixa vermelha a 14.000 rpm. Nunca imaginei que haveria problema nisso. Afinal essa é uma moto super esportiva com 200 cv de potência e que pode chegar facilmente a 300 km/h. Mas a sensação de andar como se estivesse numa Pop para amaciar o motor…

Sabe-se que no amaciamento é conveniente variar o regime do motor. Um pouco de velocidade maior, intercalado com momentos de rotação e velocidades baixas quando a temperatura também varia. Um pouco mais calor, dando uma pequena acelerada, invadindo uma parte um pouco mais alta do tacômetro intercalando com momentos de menor rotação para um bom polimento das peças internas, mantendo as melhores condições de lubrificação. “Foi assim que fiz”, argumentou o Bitenca.

Limite de rotação máxima, de acordo com o manual do proprietário é 4.000 rpm nos primeiros 1.000 Km; assim a moto está a 93 Km/h em sexta marcha

Limite de rotação máxima, de acordo com o manual do proprietário é 4.000 rpm nos primeiros 1.000 Km; assim a moto está a 93 Km/h em sexta marcha

Depois do susto, para colocar a mente em ordem, começamos a imaginar o que passou pela cabeça do redator do manual para colocar esse tipo de limite no amaciamento dessa moto de 200 cv e 14.000 rpm de limite de rotação máxima. Evitar problemas com garantia? Ou um simples erro? Qual o proprietário que vai seguir à risca as instruções desse manual? Um contra-senso. Contradições à parte, continuamos os trabalhos, até os 1000 km para então fazer a primeira revisão e troca do óleo.

Aos 1000 Km voltamos à concessionária para revisão em garantia

Aos 1000 Km voltamos à concessionária para revisão em garantia

Perguntado ao mecânico durante a revisão, ele confessou que esse limite está acima do razoável, mas não recomendou outra forma que contrariasse o manual. Ele não tem autonomia para isso. Mas aí já era tarde. Fizemos todos os primeiros 1.000 km no limite de 5.000 rpm. Na verdade, a 4.000 rpm e 93 km/h nas rodovias chega a ser perigoso, não conseguimos. Demos até umas esticadinhas a 5.500 e 6.000 rpm.

O especialista em motos super-sport da Kawasaki fazendo o reaperto ao torque correto nos parafusos da moto

Michel Gutz, especialista em motos super-sport da Kawasaki fazendo os reapertos ao torque especificado nos parafusos da moto

Nos 1000 km a fábrica recomenda uma série de serviços que constam do manual. Na concessionária K-Dealer em São Paulo, fizemos o acompanhamento dos serviços como manda o figurino. Foram verificados todos os itens do manual, sem exceção e com muito capricho.

Relação de serviços a executar na revisão dos 1000 km

Relação de serviços a executar na revisão dos 1000 Km

Depois da revisão, conforme o manual do proprietário, ficamos liberados para uso do motor na faixa de rotação em até 6000 rpm. Isso até completar a quilometragem de 1600 km, mas de fato já estávamos fazendo. Não consta do manual outros cuidados além desses relatados aqui. Porém, para uma vida maior do motor, é conveniente resguardá-lo de altas temperaturas, principalmente no trânsito pesado, quando desligá-lo sempre é uma boa medida para esse tipo de moto.

A justificativa é que há uma grande necessidade de economizar peso numa moto esportiva e o dimensionamento do sistema de arrefecimento é adequado para o uso em que ela foi projetada. Suporta o trânsito pesado, mas fica no limite de temperatura de trabalho que com certeza é atingido nessas condições. Prejudica a vida útil do óleo e as explosões ficam no limite máximo de temperatura, o que aumenta a possibilidade de auto-ignição (batidas de pino) ao acelerar depois de um longo tempo parado. Essas batidas de pino são extremamente perigosas, podem destruir o motor.

Sem vento frontal o motor fica gerando caloria que não é bem dissipada pelo radiador, obrigando o acionamento da ventilação forçada pelo ventilador elétrico. Manter a temperatura abaixo dos 100º C é conveniente. Por isso, numa super esportiva é boa ideia desligar o motor ao parar num semáforo ou quando for ficar parado em marcha lenta por algum tempo.

Registro de verificação da central eletrônica em tempo real

Registro de verificação da central eletrônica em tempo real

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Histórico de falhas durante o amaciamento - Sem falhas registradas

Histórico de falhas durante o amaciamento - Sem falhas registradas