Liga com memória de forma

Todo mundo já conhece o princípio de funcionamento de um turbocompressor, que usa a força dos gases de escape para -tocar- uma turbina que suga ar ambiente e o usa para que uma segunda turbina supercomprima o motor.

Mas agora esses gases estão também sendo usados experimentalmente para serem convertidos em energia mecânica para carregar a bateria de um veículo híbrido – ou talvez mesmo para ficar no lugar de um componente usado há mais de meio século – o alternador.

A GM está construindo um protótipo através de uma liga com memória de forma (shape memory alloy, SMA) que gera eletricidade a partir do calor de gases de escape. Quando se estica um fio (ou uma barra) desse material, quando ele se resfria, se contrai e volta à sua forma original. Os pesquisadores da GM acham que uma alça de SMA poderia acionar um gerador para carregar uma bateria, como se fosse um alternador.

Jan Aase, diretor do laboratório de desenvolvimento veicular em Warren, Michigan, diz que “Num sistema híbrido, a energia elétrica poderia ser usada para carregar a bateria. Num motor convencional, poderia até mesmo substituir um alternador, sem gerar carga alguma sobre o motor. Este é um projeto de alto risco e alto retorno.” E significa também que estamos numa nova idade de pesquisas, em que uma montadora não pode mais fazer sozinha trabalho de pesquisa pura, mas tem de dividir seu profundo conhecimento técnico com terceiros que possam levar esse conhecimento do conceito ao mercado.

No caso da SMA, a GM está trabalhando com os HRL Laboratories, de Malibu, na Califórnia, especializados em ciências físicas e pesquisas de engenharia, até pouco tempo atrás chamada de Hughes Research Laboratories; com a Dynalloy Inc, fabricante de atuadores SMAs, baseada em Tustin, na Califórnia; e a Smart Materials Collaborative Research Lab, da universidade de Michigan, em Ann Arbor.

Aase diz que a idéia de um motor de calor existe há muito tempo, mas que os poucos aparelhos resultantes desta pesquisa ou são muito grandes ou muito ineficientes para valer a pena. Nos próximos dois anos a GM e suas associadas estarão trabalhando nos estágios iniciais do projeto, e a universidade de Michigan State estará fazendo pesquisas de motor de tecnologia de discos de onda. Esse tipo de motor, a gás, é cerca de cinco vezes mais eficiente que os motores tradicionais na geração de eletricidade, e poderia ser usado para substituir os atuais geradores nos veículos híbridos elétricos tipo plug-in (recarregados em rede).


José Luiz Vieira, Diretor, engenheiro automotivo e jornalista. Foi editor do caderno de veículos do jornal O Estado de S. Paulo; dirigiu durante oito anos a revista Motor3, atuou como consultor de empresas como a Translor e Scania. É editor do site: www.techtalk.com.br e www.classiccars.com.br; diretor de redação da revista Carga & Transporte.