Foto: O Circo - de Fulvio Pennachi

Lisarb está do avesso

Foto: O Circo - de Fulvio Pennachi

Foto: O Circo - de Fulvio Pennachi

A comunidade Motonline conheceu o significado do pa¡s no qual tudo ‚ ao contr rio, mas a cada dia surgem novas leis, comportamentos e manias que levam a crer que Lisarb est  ficando irreconhec¡vel. Quer uma prova? O Brasil ficou chocado com a not¡cia da modelo que morreu de magreza. Nem na Eti¢pia uma pessoa com aquele corpo seria considerada gorda, mas no mundo da moda o bonito ‚ ser cadav‚rico. Sem o cheiro, por favor, s¢ a aparˆncia! A m¡dia – num excelente exemplo de necrofilia – estampou a foto da menina nas primeiras p ginas de v rias publica‡äes.

Aqui come‡a uma tremenda inversÆo de valores. A revista Veja pertence … editora Abril, que publica pelo menos uma d£zia de revistas mensais e semanais exclusivamente destinadas a cultuar a beleza. E a Veja colocou a foto da menina na capa com a chamada “A magreza que mata”. No entanto, a Abril fatura uma fortuna em revistas como Nova, Claudia, Capricho, Boa Forma, Mens Health e outras que nem lembro mais. Em TODAS essas publica‡äes o tema principal ‚ “emagre‡a, emagre‡a e emagre‡a”. At‚ o dia em que uma menina de 18 anos morre por excesso de emagrecimento e vira capa da Veja numa reportagem dram tica. Que ironia lisarbiana: o mesmo emagrecimento que vende revistas femininas tamb‚m ajuda a vender a Veja quando algu‚m morre… de magreza!

Foto: Vocˆ se sente assim?

Foto: Vocˆ se sente assim?

NÆo gosto de jogar confete na minha cabe‡a, mas em 1999 escrevi um roteiro pra teatro intitulado “A Conspira‡Æo”, que tratava da ditadura da beleza. Na pe‡a, a personagem feminina desaparecia depois de tanto regime. Na cena final aparecia uma luz com a personagem afirmando “Nossa, agora me sinto tÆo leeeeeve!”. A pe‡a – uma com‚dia, claro – nunca foi ao ar por falta de patroc¡nio, talvez fosse o caso de procurar patroc¡nio do Cemit‚rio da Paz!

Voltando ao assunto que nos uniu, o motociclismo, agora parece que todo pol¡tico sem uma plataforma dignificante decidiu apontar as armas em dire‡Æo dos motociclistas. A id‚ia ‚ a seguinte: j  que estÆo usando as motos para cometer alguns delitos, entÆo ‚ melhor tratar TODOS os motociclistas como marginais.  a base do racismo: primeiro generalizar, depois segregar e finalmente identificar! Pena que os lisarbianos tˆm p‚ssima mem¢ria, pois acabam votando nessa furba de anenc‚falos de terno, gravata e tailler que vivem nas tetas do Estado e chafurdam no esgoto de suas representa‡äes pol¡ticas. Como ‚ poss¡vel algu‚m propor uma insanidade como colar o n£mero da placa da moto no corpo do motociclista?

S¢ pra dificultar a argumenta‡Æo da deputada Rose de Iroshima (do PMDB-ES) ontem, quarta-feira, a socialite Ana Cristina Gianini Johannpeter foi assassinada por um menor – que j  tinha passagem na pol¡cia – pilotando uma bicicleta. O crime aconteceu a 150 metros de uma delegacia do Leblon, Rio de Janeiro. Como a dona Rose ir  reagir? Vai recomendar o uso de um colete com o n£mero do RG e endere‡o em todos os ciclistas do Rio de Janeiro? Ou vai propor uma redu‡Æo dos sal rios, jetons e benef¡cios dos servirores lisarbianos para relocar a verba aos programas sociais realmente funcionais? Ou exigir do Secret rio de Seguran‡a P£blica do Rio a garantia de que as pessoas sob sua guarda sobreviverÆo a mais um dia?

Ah, Lisarb. Uma caracter¡stica interessante “deste pa¡s” (como dia Lula) ‚ o recadastramento. Nos £ltimos 10 anos eu recadastrei meu t¡tulo de eleitor, meu CPF, meu PIS (SUS, INSS, sei l  o nome), meu IPTU e algum outro que nÆo lembro. Sabem por que o Brasil promove tantos recadastramentos? Porque perde o controle da corrup‡Æo!  preciso saber se os benefici rios do INSS estÆo vivos; quantas contas banc rias foram abertas com CPF falsos; quantos eleitores fantasmas existem e quantas casas foram constru¡das ilegalmente. Em suma, o Estado perde o controle da corrup‡Æo (porque quem deveria fiscalizar tamb‚m ‚ corrupto) e toma uma atitude de macho: apaga tudo e come‡a do zero! O recadastramento ‚ o maior atestado de incompetˆncia que uma administra‡Æo pode passar e ningu‚m vem a p£blico pedir desculpa pela falta de controle. Somos obrigados a suportar o imp‚rio de burocracia e se nossa mem¢ria nos trai e esquecemos de nos recadastrar ainda pagamos MULTAS!

Agora vem a id‚ia super moderna de implantar chip em todos os ve¡culos motorizados. Isso me lembra as urnas eletr“nicas. Lisarb ‚ um dos pa¡ses mais pobres e com uma das piores distribui‡äes de renda do planeta, mas quer ser up to date em tecnologia com as urnas e agora o chip de identifica‡Æo veicular. Muito moderno e eficiente, nÆo fosse uma velha e esquecida questÆo chamada PRIORIDADE! Imagine se essa tecnologia moderna fosse empregada, por exemplo, para reduzir ao menos um pouquinho a corrup‡Æo cometida dentro da administra‡Æo p£blica! Sim, porque no dia seguinte … implanta‡Æo do chip v rios camel“s da rua Santa Ifigˆnia – reduto de contrabandistas de SP – venderÆo chips com qualquer informa‡Æo.

EntÆo temos de um lado a completa incapacidade de controlar a corrup‡Æo. De outro a necessidade de “aparecer” diante da comunidade internacional com solu‡äes modernosas como urna eletr“nica e chip. Uma boa id‚ia seria juntar essas duas necessidades com a cria‡Æo de um chip de identifica‡Æo de corrupto. J  pensou? Uau! Desde o cara que leva uma caneta esferogr fica da reparti‡Æo p£blica pra casa, at‚ lobistas que recebem “gratifica‡äes” por um mega contrato de fornecimento de produtos e servi‡os ao Estado. O chip identificaria o corrupto (ou corruptor) e apareceria seu nome em um enorme painel colocado em Bras¡lia. Tipo um Digital Corruptor Identificator Tabajara.

Mesmo em um pa¡s de piada pronta como Lisarb esse tipo de anedota j  perdeu a gra‡a. Cada vez mais acredito que a principal fun‡Æo de uma deputada como essa Rose ‚ desviar a aten‡Æo dos assuntos realmente s‚rios. Enquanto gastam-se tempo e dinheiro para tramitar um projeto rid¡culo como esse, nos poräes de cada representa‡Æo pol¡tica os ratos engravatados e de tailler investem tempo e esfor‡o mental para descobrir uma forma de aumentar seus vencimentos, trabalhar menos e se aposentar mais cedo.

Pol¡ticos de Lisarb sÆo lutadores sim. Lutam para conseguir o poder. NÆo ‚ pelo ou para o povo, mas exclusivamente pelo poder. De um simples vereador ao presidente todos almejam o poder. A sensa‡Æo de poder corrompe, excita, libera endorfinas e vicia. Por isso, no dia seguinte … posse, a preocupa‡Æo n£mero um das roses neste jardim de lama ‚ uma s¢: como conseguir se reeleger para prolongar a agrad vel sensa‡Æo de poder por oito anos.

Lisarb est  ficando tÆo absurdamente de ponta cabe‡a, numa inversÆo de valores sem compara‡Æo no mundo, que uma hora destas vai voltar a ser Brasil.