Logística de um pneu furado com uma

Logística de um pneu furado com uma

Harley Davidson

O título é sugestivo, tende a parecer algo que é normal na vida de um motociclista: o furo de pneu. Quem já não teve um pneu furado?

Num veículo quatro rodas é normal, troca-se pelo step e continua o passeio ou a locomoção para o trabalho, mas numa moto é diferente.

Mas não se trata de uma moto comum, ou uma moto que um kit de reparos resolva, a ajuda de algum transeunte… etc… Trata-se de uma Harley Davidson Ultra Glide. Uma moto de 1600cc, com 400 kilos a seco e que com tanque cheio, piloto, garupa e bagagens passa fácil da meia tonelada.

O Motonline recebeu o exemplar para um teste que começou com o Bitenca, passou pelo João Tadeu e terminou com quem vos escreve. Na quarta-feira 26 de agosto de 2009, peguei a moto com o JT a tarde e pude sentir o quanto é árduo pilotar uma máquina de dimensões gigantes no lastimável trânsito paulista em pleno horário de pico. Como esquenta!!

Cheguei a minha residência, esperei passar a hora do rush e lá fomos nós, é nós, minha esposa e eu, dar um passeio de Ultra Glide, já que precisava passar minhas impressões da máquina, consumo, conforto, etc…. Moro num local privilegiado para quem tem e curte este tipo de máquina, já que fica a menos de 10 Km do Rodoanel.

Minha esposa, que adora o estilo, estava saltitante, mas ficou apreensiva até chegarmos à estrada, o verdadeiro habitat da HD Ultra Glide, porque não é fácil, com mais o peso da garupa, mesmo com seus risórios 60 kilos, rodar em ritmo de manobra. Ela que é minha garupeira oficial, viu o quanto tem que trabalhar a máquina.

Pegamos o Rodoanel e lá fomos, o motor esfriou e em 6ª marcha com piloto automático ligado, pude verificar que a moto é muito suave, confortável e de fácil tocada na estrada, sendo possível parar só para abastecimento. Quando já voltávamos para nosso lar, após, pouco mais de 100Km rodados, eis que somos surpreendidos com o furo do pneu traseiro.

Em toda dinâmica, me mantive calmo e fui reduzindo e procurando o acostamento a margem direita da Rodovia, quando consegui pará-la próximo ao pedágio de acesso a BR-116 (sentido Curitiba). O primeiro contato, foi com meu amigo e editor Ryo Harada que chegou rapidamente ao local para prestar apoio.

Enquanto Harada não chegava, fiz todos os contatos possíveis e na negativa de socorro, já que a máquina não tinha essa cobertura de seguro, um grande amigo, também motociclista, pediu um guincho da companhia Porto Seguro.

Um funcionário da concessionária ofereceu guincho, mas logo percebi um problema: como colocar aquela máquina na plataforma só preparada para levar veículos quatro rodas, sem danificá-la? A concessionária ou as concessionárias das rodovias brasileiras não estão preparadas para prestar tal serviço. A idéia do sujeito era deitar a máquina sobre a plataforma e amarrá-la. Perguntei se ele sabia quanto custava a moto?

Preferi aguardar o socorro da seguradora, pois, logo após abrir o chamado, recebi um telefonema para saber as dimensões da motocicleta. Fiquei curioso! Demorou uma eternidade, já que o guincho chegou por volta da 1hora da madrugada de 27 de agosto, porque o motorista se perdeu, mesmo usando o GPS. O chamado se deu as 23:00hs. Mas tudo bem, esse problema foi o menor.

Minha curiosidade acabou, quando chegou o guincho da seguradora. Eles dispõem de uma espécie de carro com plataforma com rodas de rolimã (só que maiores), onde o funcionário faz a manobra para encaixar a roda da frente na prancha e depois todo o conjunto, a tal plataforma (carrinho) com a moto já encaixada é arrastado para cima da plataforma do caminhão, onde termina a amarração. Senti-me no primeiro mundo.

O mais interessante, foi quando chegamos ao meu condomínio e descobrimos que o caminhão não poderia ultrapassar a portaria. Então numa manobra, ficou de ré e colocado delicadamente ao chão a gigante no tal carrinho/plataforma com rodas de rolimã (juro que senti saudades das corridas de rolimã) e graças a essas rodas, levamos a motocicleta até o local de estacionamento, pois com o pneu furado era impossível manobrá-la.

No dia seguinte, Bittenca, nosso colunista, um funcionário do Grupo Izzo e eu levamos mais de 1 hora para colocar o gigante no reboque, algo que o funcionário da Seguradora na noite anterior não levou mais de 25 minutos. Portanto, meu recado vai para todos os motociclistas, especialmente do estilo custom: se puderem tenham em mãos o telefone de um guincho que tenha condições técnicas de dar atendimento ao veículo motocicleta, todavia, qualquer máquina custom começa em torno de 300 kilos.

E por fim, meu recado vai para as seguradoras com capacidade técnica em dar atendimento ao veículo motocicleta: divulguem, pois, quem não passou por essa experiência não imagina o quanto o serviço é qualificado e eficaz, onde uma máquina de R$60,9 mil reais foi transportada com total segurança, sem qualquer risco de quedas ou de danos, pois o funcionário sabe exatamente como amarrar a máquina sobre o caminhão guincho preparado para receber motocicletas.



Pioneiro no Motocross e no off-road com motocicletas no Brasil, fundou em 1985 o TCP (Trail Clube Paulista), que organizou a 1ª prova de enduro tipo FIM (Enduro da Mentira). Desbravou trilhas em torno da capital paulista enquanto testava motos para revistas especializadas. É editor técnico e consultor no Motonline.