Mercado de motos apresenta números positivos em agosto de 2015 - foto: Mário Figueredo

Mercado: hora de mudar a estratégia?

Há anos o modelo de venda de motos continua o mesmo. Criado por Soichiro Honda quando da sua entrada no mercado americano, o modelo que antes adotava a venda consignada mudou para o que é hoje. Soichiro entendeu que seria a hora de fazer diferente e deu certo até agora.

Chegou a mostrar a motocicleta como solução de mobilidade urbana - foto: Mário Figueredo

Chegou a mostrar a motocicleta como solução de mobilidade urbana – foto: Mário Figueredo

Em vez de apenas comercializar motocicletas, Soichiro vendeu o conceito da motocicleta. O célebre anuncio “Você vê gente bonita em uma Honda” revolucionou a venda de motos, popularizando o veículo como uma solução de mobilidade urbana de baixo custo nos Estados Unidos da América.

No Pós-Guerra a motocicleta teve um papel fundamental na recuperação da profunda crise pela qual passou o Japão. Além de Honda, Yamaha, Suzuki e Kawasaki, as mais conhecidas, outras dezenas de marcas tentaram oferecer uma solução para o problema de transporte e desenvolveram motocicletas focadas no conceito de serem baratas, econômicas e resistentes. O conceito da motocicleta como solução urbana e como meio de transporte eficiente em um país devastado pela guerra, foi um ponto forte, que transformou o país do Sol Nascente em um dos maiores fabricantes de motos no mundo.

Nos tempos atuais, as sucessivas quedas nas vendas a cada ano que passa, vêm diminuindo o tamanho do mercado para o equivalente ao que se vendia em 2007. Além disso, o bombardeio em cima da motocicleta no Brasil é cruel. Paga-se mais para licenciar uma moto, temos problemas de espaço, assaltos constantes, acidentes, tentativas de proibir garupas, vias mal planejadas para o evento moto, projetos para colocar o número da placa no capacete e uma insignificante campanha de educação para o trânsito direcionada aos motociclistas. Os fabricantes têm grande parcela de culpa pela ausência de combatividade diante dessas soluções estapafúrdias, conduzidas por políticos e autoridades de trânsito.

Mas nem tudo está perdido

Chegou a hora dos fabricantes realizarem campanhas em conjunto, promovendo a moto como solução de mobilidade urbana, principalmente em tempos de crise. Não é vender a moto, isso não está funcionando. É vender a solução moto como veículo de solução de mobilidade urbana; alternativa ao caos do transporte público, com boa economia de combustível e de manutenção, facilidade de estacionamento, e por ai vai.

Soichiro Honda - divulgação

Soichiro Honda

A maioria dos carros que rodam na cidade são ocupados por apenas um passageiro e aqui seria um dos pontos a serem destacados. Há vários dados a favor da motocicleta que amenizam o risco de pilotá-la. E se a campanha for atrelada a uma ação conjunta de educação para o trânsito, poderemos, ainda, plantar a semente de um trânsito mais seguro e tranquilo.

O mercado mudou e as pessoas, também. A facilidade de comprar um carro, o crédito farto, o emprego em alta e o consumo elevado estão em queda, e a motocicleta é sim uma solução prontamente adequada para estes tempos espartanos.

Campanhas conjuntas com o objetivo de promover a motocicletas ajudaria a reverter essa situação, principalmente por que seria muito bem recebida pelos veículos de comunicação especializados e seriam eles grandes aliados na produção de pautas nesse sentido.

Não é mais uma questão de concorrência de preços e modelos, mas de sobrevivência de fabricantes, de retomada de vendas em um mercado fragilizado e de preservação dos empregos de toda a cadeia do segmento.

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Artigo publicado através da parceria entre o Portal Motonline e o site voceesuamoto.com.br



Motociclista desde os 18 anos. Jornalista e apaixonado por motos desde que nasceu.