Mick Doohan, o guerreiro

Mick Doohan, o guerreiro

Mick Doohan ganhou cinco títulos consecutivos na categoria máxima do motociclismo, na época a 500cc, ainda a dois tempos. Dominou o mundial de 1994 até 1998. Esse desempenho do australiano nascido em 1965 só foi igualado na década seguinte, com o italiano Valentino Rossi ganhando um mundial ainda nas 500cc e os outros quatro já na MotoGP. Mais títulos consecutivos que os dois, então, só o italiano Giacomo Agostini.

Nos anos 80 ele disputou o campeonato australiano de Superbike e, em 1988, correndo como piloto convidado ganhou três provas no mundial da categoria. No ano seguinte, 1989, estreou no mundial de 500cc, correndo pela Honda. Em 1991 passou a correr na equipe de fábrica ao lado de Wayne Gardner.

Em 1992 estava próximo do seu primeiro título mundial, quando sofreu um violento acidente no GP da Holanda, que quase lhe custou a amputação da perna direita. Doohan tinha então uma vantagem de 53 pontos sobre Wayne Rainey  e apenas oito semanas depois, num prematuro regresso quase inacreditável para sua condição física, voltou carregado à moto para tentar salvar o campeonato em suas duas últimas corridas. Mas, debilitado, perdeu o título por quatro pontos para  a Yamaha, pelas mãos de Wayne Rainey, que alcançava o seu terceiro consecutivo.

Em 1993, alcançando finalmente e com grande esforço a sua forma física, mostrou além da perícia para pilotar, seu talento no desenvolvimento de motos, levando a equipe da Honda a se igualar à Yamaha e Suzuki. E iniciou, no ano seguinte, a sua série de títulos mundiais, dominando os campeonatos até 1998. E em 1997, sua temporada mais impressionante, Doohan venceu 12 das 15 corridas. Nas outras três, chegou em segundo.

Em seus anos de domínio no mundial, diante do grande equilíbrio que havia na categoria, corria sempre com quase dez outros pilotos e motos à sua altura, mas sempre mostrando a superiodade como piloto. Tinha como característica abrir grandes vantagens sobre  os demais, não raro maiores que meio minuto, ao final das provas.

Assim como se adaptou nos tempos após o acidente até a usar um freio traseiro de mão, por causa da perna que ficou para sempre com problemas, foi o responsável pela evolução das máquinas, tornando as Honda muito fáceis de pilotar.

Tinha um notável talento para acertos de suspensão e geometria, a ponto de dos demais, inclusive das outras equipes, optarem por adotar os seus. E nesse aspecto, é importante lembrar que a seu talento se juntou outro, durante todo o tempo que correu, o do chefe de equipe Jeremy Burgess. A dupla levou adiante o revolucionário projeto da Honda, do famoso “big bang” no motor de 500cc com quatro cilindros em V. Antes do acidente no GP da Holanda, em 1992 , Mick Doohan havia vencido cinco das sete primeiras corridas da temporada, e caminhava para o título, não tivesse ido ao chão. Depois, Jeremy Burgees fe dupla, já na atual década, com Valentino Rossi, também em todos os seus títulos mundiais.

Em 1999, último ano de Doonhan nas pistas, ele seguia em direção a mais um título quando sofreu outro acidente, desta vez nos treinos, quebrando de novo a perna.O que o levou a anunciar, então, a sua aposentadoria. O que havia dado ao motociclismo já lhe custara um dedo a menos na mão e uma perna parcialmente inutilizada.Fora das pistas, seguiu como consultor da Honda, até 2004. Enquanto pilotou foram 5 títulos mundiais consecutivos, disputou 117 GPs, com 54 vitórias, 95 pódiuns, 58 pole-positions e 46 voltas mais rápidas.

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Fotos: Divulgação.

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