Minha Vida Numa Moto – O que você precisa saber sobre óleos lubrificantes

Minha Vida Numa Moto – O que você precisa saber sobre óleos lubrificantes

Em um motor o óleo é o principal componente no processo de lubrificação, que consiste basicamente na interposição de uma substância (óleo), para evitar ou diminuir o contato entre as peças, reduzindo o atrito para que possa proteger e prolongar a vida útil do motor.

O que você precisa saber sobre óleos lubrificantesApesar de bastar seguir a recomendação do fabricante da moto quanto à escolha certa do óleo lubrificante, a maioria das pessoas ainda tem muitas dúvidas. Outro problema são os mitos e as lendas a respeito de óleos lubrificantes. A grande maioria dessas informações é incorreta e acaba por prejudicar o motor e reduzir sua vida útil.

No Minha Vida Numa Moto desta edição vamos falar sobre óleos lubrificantes. O que são? Para que servem? Qual óleo escolher? Quais são os mitos e lendas sobre lubrificantes? O que significa a sopa de letrinhas e todos os números de especificações?

Para escrever esta coluna eu contei com a ajuda de material fornecido pela Petrobrás e com a consultoria técnica de Celso Cavallini, coordenador de relações com fabricantes da Mobil. Meu objetivo é que esta coluna possa ser de grande ajuda no quesito lubrificação para que a sua vida numa moto seja mais tranquila e duradoura.

Ligando os motores… primeira marcha engrenada…e começa a viagem pelo mundo da lubrificação

Um lubrificante é composto por um óleo base, que pode ser mineral, sintético ou ainda semi-sintético. A estes são adicionados aditivos que são compostos químicos que melhoram as propriedades do óleo lubrificante, como a proteção contra o desgaste, proteção contra ferrugem e corrosão, resistência à oxidação, entre outras.

O óleo mineral é aquele obtido pelo refino de petróleo, enquanto o óleo sintético é obtido por reações químicas de síntese de moléculas. Segundo Celso Cavallini, coordenador de relações com fabricantes da Mobil, “não há distinção entre óleos para motos de diferentes tipos, como as speeds, customs e streets, mas sim entre os fabricantes que podem recomendar diferentes especificações”. Alguns deles recomendam somente óleo sintético para suas motos de alto desempenho. Em longo prazo, a tendência da viscosidade no cárter é diminuir devido a oxidação do óleo que ocorre sob altas temperaturas, bem como a agitação no cárter por presença de oxigênio.

O segredo de um bom óleo para motocicletas de 4 tempos está no balanceamento correto dos aditivos para atender aos conjuntos motor, transmissão e embreagem úmida. Os períodos de troca são estabelecidos pela quilometragem rodada (baseado em testes práticos dos fabricantes) ou através de um prazo máximo. Isto significa que, se a motocicleta fica muito tempo sem ser movimentada, ou tem baixa rodagem, existe o risco de contaminação do óleo por condensação de umidade e por isso os fabricantes determinam um prazo máximo para troca do óleo.

O filtro de óleo

A troca do óleo

O filtro de óleo tem fundamental importância para manter o óleo limpo e impedir que resíduos da contaminação (sujeira do ambiente, partículas de desgaste de componentes) passem para o motor e venham a causar danos. Ao comprar um filtro de óleo é importante seguir as instruções dos fabricantes de motocicletas, observando inclusive o período de substituição deste. As impurezas existentes no ar como areias e poeiras, acompanham o ar aspirado e chegam ao motor se não mantivermos o filtro limpo. Quando essas impurezas, juntamente com os gases, entram no cárter e passam a circular no óleo, provocam rapidamente o aumento do desgaste de várias peças do motor.

A troca de óleo

As recomendações dos fabricantes em relação aos intervalos para mudar o óleo baseiam-se em condições extremas de condução. Estas correspondem nem sempre a viagens longas em autoestrada. Quanto mais curtas forem as viagens menor deve ser o tempo entre cada troca de óleo. Viagens curtas (inferiores a 15 Km), conduzir em estradas com muita areia ou poeiras, ar frio que impeça o motor aquecer totalmente até alcançar uma temperatura normal de funcionamento, ou se o motor trabalhar em condições severas, são fatores que provocam a degradação do óleo. Estes fatos são levados em conta por todos os fabricantes de motos. Estatísticas mostram que a maioria dos motociclistas conduz nessas condições.

É importante lembrar que o desempenho do óleo lubrificante é afetado por potência, manutenção do motor, temperatura que o óleo atinge e viscosidade do óleo à temperatura normal de trabalho.

Sintético x Mineral

A principal diferença entre os dois está na manutenção da estabilidade da viscosidade do produto. O sintético mantém a estabilidade por mais tempo do que o mineral, mas há outros fatores relacionados que costumam influir nessa teoria, como a gasolina, por exemplo.

Por não ser puro (pois a gasolina leva na mistura álcool), o combustível provoca o aparecimento de substâncias que fazem com que a estabilidade obtida pelo óleo sintético não seja tão efetiva, diminuindo a capacidade de lubrificação, o que é grave em motores de alto desempenho. O que você não sabe é que os fluidos sintéticos têm determinadas características lubrificantes que podem ser prejudiciais a determinados motores de motos, reduzindo a vida útil do sistema de embreagem.

O óleo semi-sintético foi criado para ser um meio termo entre o mineral e o sintético. Nesses casos basta seguir a orientação das empresas fabricantes de motocicletas constantes nos manuais que vem junto com a moto.

Dicas importantes

Procure optar por um tipo de óleo (mineral ou sintético) e nunca mude. Caso seja uma moto usada, tente manter a característica adotada pelo antigo dono. Uma pesquisa na internet ajuda a descobrir qual o recomendado.

Se a sua opção de troca for por intervalos curtos (antes do previsto pela fabricante), o ideal é fazer a mudança do filtro de óleo a cada duas trocas. Mas lembre-se: isso é por sua conta e risco. O ideal é casar sempre óleo e filtro. Precaução e caldo de galinha não fazem mal nem a diabético.

Aos caçadores de mitos e defensores de lendas vai uma informação importante: NUNCA misture óleo sintético com mineral. Há algumas marcas de óleo sintético que não se misturam ao mineral. Use sempre um óleo de boa qualidade, já que as temperaturas no Brasil oscilam bastante. Portanto, o óleo precisa ser bastante forte e resistente para as nossas condições climáticas.

Na troca do óleo não tenha pressa! Deixe o óleo escorrer o maior tempo possível e certifique-se de que ele desceu todo. Coloque a moto na posição vertical ou abaixe e levante a traseira para escorrer o que pode ter sobrado. Outro mito derrubado é quanto a quantidade de óleo: NUNCA exagere na quantidade. Mantenha o nível apenas no máximo da marcação. Óleo em excesso prejudica várias coisas no motor, como, por exemplo, a vida dos retentores.

Mitos derrubados

Mitos e lendas sobre óleos lubrificantesAo contrário do que a maioria das pessoas pensa, o nível correto se encontra entre os dois traços e não só no traço superior. Se o óleo fica abaixo do mínimo da vareta, o motor pode ser prejudicado por falta de lubrificação. Se o óleo fica acima do máximo da vareta, haverá aumento de pressão no cárter, podendo ocorrer vazamento e até ruptura de bielas; além do que o óleo em excesso pode vir a ser queimado na câmara de combustão sujando as velas e as válvulas, danificando também o catalisador no sistema de descarga do veículo. Com o uso o nível do óleo baixa um pouco devido às folgas do motor e à queima parcial na câmara de combustão. Assim, enquanto não chega a hora de trocar o óleo, devemos ir completando o nível. Nada com que se preocupar se não há vazamento aparente e se o óleo não baixa muito rapidamente. A boa lubrificação é aquela em que o óleo lubrifica até o anel do pistão mais próximo da câmara de combustão onde esse óleo é parcialmente queimado, sendo consumido. É normal um consumo de meio litro de óleo a cada mil quilômetros rodados, mas cada fabricante de moto especifica um consumo normal para seu motor, de acordo com o projeto. Vale destacar que moto nova também consome óleo.

Mito derrubado: O óleo de motor deve ser claro”. Os óleos lubrificantes são formulados misturando-se básicos e aditivos e a sua cor final dependerá da cor do básico e do aditivo que forem empregados na sua formulação. Além disso, a cor não tem nenhuma influência no desempenho do óleo. O óleo mais escuro não é também mais grosso. Este é outro mito derrubado. O óleo mais claro pode ser mais viscoso (grosso) do que um óleo escuro e vice-versa.

O óleo de motor fica escuro com o uso para realizar a função de manter o motor limpo, o óleo deve manter em suspensão as impurezas que não ficam retidas no filtro de óleo, para que elas não se depositem no motor. Desta forma, o óleo fica escuro e o motor fica limpo. Na hora da troca o motor deve estar em temperatura normal de funcionamento, assim ele fica mais fino e tem mais facilidade de escorrer.

É importante que se espere pelo menos 5 minutos após o motor ter sido desligado para se medir o nível do óleo. Isto porque, neste tempo, o óleo vem descendo das partes mais altas do motor para o cárter e assim podemos ter a medida real do volume de óleo.

Motos antigas não podem usar um óleo de última geração e nem melhoram o desempenho por isso. Se o veículo usa óleo mineral por muito tempo e passa a usar óleo de base sintética ou sintético, a limpeza dos resíduos deixados pelo mineral será muito rápida e mesmo trocando o filtro em períodos reduzidos pode ser que tenha a vazão prejudicada, e poderá ocorrer o entupimento da bomba de óleo e outras partes internas do motor, ocasionando problemas no mesmo.

Aditivo ao óleo não melhora o desempenho do motor. Não há necessidade de adicionar aditivos complementares ao óleo. Os lubrificantes recomendados já possuem todos os aditivos necessários para atenderem perfeitamente ao nível de qualidade exigido. Também não se deve misturar NUNCA óleos de diferentes marcas se estes forem sintéticos ou semi-sintéticos, mesmo atendendo os mesmos níveis de API e mesma viscosidade, pois poderá haver incompatibilidade entre aditivos, ocasionando até mesmo a neutralização de alguma função. No caso de óleos minerais com o mesmo nível de desempenho e mesmo grau de viscosidade, não há problema em misturá-los.

Decifrando a sopa de letras das embalagens

Qual o significado das siglas que vêm nas embalagens de lubrificantes (API, ACEA, JASO, NMMA)?

Estas são siglas de entidades internacionais que são responsáveis pela elaboração de uma série de normas (baseadas em testes específicos) para a classificação dos lubrificantes, de acordo com seu uso.

SAE – Society of Automotive Engineers: É a classificação mais antiga para lubrificantes automotivos, definindo faixas de viscosidade e não levando em conta os requisitos de desempenho. Apresenta uma classificação para óleos de motor e outra específica para óleos de transmissão.

API – American Petroleum Institute: Grupo que elaborou, em conjunto com a ASTM (American Society for Testing and Materials), especificações que definem níveis de desempenho que os óleos lubrificantes devem atender. Essas especificações funcionam como um guia para a escolha por parte do consumidor. Para carros de passeio, por exemplo, temos os níveis API SM, SL, SJ, SH, SG, etc.. O “S” desta sigla significa Service Station, e a segunda letra define o nível de desempenho do óleo. O primeiro nível foi o API SA, obsoleto há muito tempo, consistindo em um óleo mineral puro, sem qualquer aditivação. Com a evolução dos motores, os óleos sofreram modificações, através da adição de aditivos, para atender às exigências dos fabricantes dos motores no que se refere à proteção contra desgaste e corrosão, redução de emissões e da formação de depósitos, etc.. Atualmente, o nível API SM é o mais avançado. No caso de motores diesel, a classificação é API CJ-4, CI-4, CH-4, CG-4, CF, etc. O “C” significa Commercial. A API classifica ainda óleos para motores dois tempos e óleos para transmissão e engrenagens.

ACEA – Association des Constructeurs Européens de l’Automobile (antiga CCMC):Classificação européia associa alguns testes da classificação API, ensaios de motores europeus (Volkswagen, Peugeot, Mercedes Benz, etc.) e ensaios de laboratório.

JASO – Japanese Automobile Standards Organization: Define especificações para a classificação de lubrificantes para motores a dois tempos (FA, FB e FC,em ordem crescente de desempenho) e quatro tempos (MA,MA1,MA2 e MB). Também existe a classificação JASO T903 para avaliar e classificar a adequação de óleos lubrificantes ao sistema de transmissão de uma motocicleta, que se subdivide em JASO MA (MA1 / MA2) e MB.

NMMA – National Marine Manufacturers Association: Substituiu o antigo BIA (Boating Industry Association), classificando os óleos lubrificantes para motores de popa a dois tempos, através do nível TC-W3 (Two Cycle Water) e para motores de popa de quatro tempos através do nível FC-W (For Cycle Water).

O que significam os números (20W/40, 50, etc.) que aparecem nas embalagens de óleo?

Estes números correspondem à classificação da SAE (Society of Automotive Engineers), que se baseia na viscosidade dos óleos a 100ºC, apresentando duas escalas: uma de baixa temperatura (de 0W até 25W) e outra de alta temperatura (de 20 a 60). A letra “W” significa “Winter” (inverno, em inglês) e ela faz parte do primeiro número, como complemento para identificação. Quanto maior o número, maior a viscosidade, para o óleo suportar maiores temperaturas. Graus menores suportam baixas temperaturas sem se solidificar ou prejudicar a bombeabilidade. Um óleo do tipo monograu só pode ser classificado em um tipo escala. Já um óleo com um índice de viscosidade maior pode ser enquadrado nas duas faixas de temperatura, por apresentar menor variação de viscosidade em virtude da alteração da temperatura. Desta forma, um óleo multigrau SAE 15W/40 se comporta a baixa temperatura como um óleo 15W reduzindo o desgaste na partida do motor ainda frio e em alta temperatura se comporta como um óleo SAE 40, tendo uma ampla faixa de utilização. Uma outra especificação muito importante é o nível API (American Petroleum Institute).

A borra em motores

Viu borra no motor? Veja aqui o que pode estar acontecendo.

O uso do óleo lubrificante incorreto no motor – Geralmente quando se utiliza um lubrificante com nível de desempenho inferior ao recomendado pelo fabricante do veículo. Mesmo reduzindo o período de troca, pode haver problemas de formação de borra devido ao envelhecimento (oxidação) precoce do lubrificante. Outro fator é o de aditivação extra Os óleos lubrificantes de qualidade já possuem, de forma balanceada, todos os aditivos para que seja cumprido o nível de desempenho ao qual foi desenvolvido. Não há testes padronizados que avaliem o desempenho de mistura de óleos com aditivos extras. Pode haver incompatibilidade entre o óleo lubrificante e a aditivação suplementar e a borra é uma conseqüência deste problema.

Os combustíveis adulterados podem gerar borra no cárter. O óleo lubrificante é contaminado por subprodutos da queima do combustível durante sua vida útil. Essa contaminação ocorre e faz parte da operação do motor. Mas se o combustível for adulterado estes subprodutos serão de natureza diferente e resíduos com aspecto de resina poderão se formar no motor, aumentando a probabilidade da formação de borra, entupindo passagens de óleo e prejudicando a lubrificação e refrigeração interna do motor. Outro fator é a demora na troca. Mesmo utilizando o óleo correto e combustível de qualidade assegurada, períodos de troca além do recomendado podem levar à formação de borra, devido ao excesso de contaminação e de oxidação do lubrificante.

Bom, agora que você sabe tudo sobre óleos lubrificantes, o motor da sua moto vai respirar saúde e falar alto sem aquele barulhinho de ferro batendo com ferro. Lembre-se que de uma boa lubrificação depende o desempenho e o bom retorno na venda de sua moto.

Obs.: Para facilitar a discussão sobre esse assunto, criamos um tópico no fórum para os motonliners. Clique aqui para acessar o tópico.

Outras matérias publicadas:



Motociclista desde os 18 anos. Jornalista e apaixonado por motos desde que nasceu.