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Moto 2013 – Continuamos andando para trás…

Há três anos o mercado de motos está em queda. E parece que nada vai mudar isso. Não temos uma entidade forte o suficiente para reverter qualquer situação; não temos representantes dispostos a fazer a coisa certa e os bancos já pularam fora faz tempo depois da onda de fabricação de cadastros que aumentou assustadoramente a inadimplência.

Não podemos deixar de listar aqui impostos mais caros tipo DPVAT sob a justificativa de que as motos são responsáveis pela maioria dos acidentes – o que foi desmentido, pois 69% são provocados pela soma carros e sistema viário (Pesquisa ABRACICLO/HC). O Salão Duas Rodas mostrou o quanto o mercado de small bikes está desacreditado. Elas praticamente sumiram. Estão apostando no segmento de big bikes ou premium, pois este continua crescendo.

Amigos leitores, já tentaram de tudo, até trazer a bicicleta de volta e, apesar de culparem a moto por tudo, os números mostram exatamente o contrário. Diziam que os motoboys eram a praga; não são. Quiseram colocar placas em capacete; não deu certo. E ainda tentarão limitar a velocidade das motos, mas por um princípio chamado isonomia – igualdade de direitos – não passará. Se assim acontecer, terão que fazer o mesmo para carros e caminhões.

As cinquentinhas não serão regulamentadas, pois elas sim tiram preciosos votos de prefeitos e vereadores. Melhor um eleitor morto – que não vota em ninguém – que um vivo votando no seu concorrente. E se ficar aleijado ele fica ganhando uma pensão do INSS com a ajuda do político que no, final, continua com o voto do infeliz.

Com relação à segurança eles não estão nem um pouco preocupados em reduzir o custo para a Previdência Social. Se eles falassem e escutassem quem realmente entende e pode ajudar iriam constatar que a simples redução de impostos ajudaria a salvar muitas vidas. Falo dos EPIs – Equipamentos de Proteção Individual. A adoção deles já reduziria o tempo médio de recuperação, por conta de um acidente de moto, de 40 dias para menos de uma semana. Poucos sabem, mas acidentes a caminho do trabalho e no retorno para casa podem ser considerados, ainda, como acidente de trabalho e eles acontecem em número elevado às segundas-feiras pela manhã e às sextas-feiras no final da tarde. E quando não é por fome é por imprudência mesmo.

Ainda temos o sistema viário que é o nosso pior inimigo, pois corta a nossa carne com seus guard-rails abertos e afiados; prensam-nos em passagens estreitas em pedágios; desequilibram-nos por conta de bueiros, por faixas mal pintadas e por tachões (tartarugas) não dimensionados para motos.

E para fechar ainda temos centenas de milhares de motociclistas rodando sem a devida CNH em motos irregulares ou roubadas. E os que a tem, poucos são os que verdadeiramente sabem pilotar uma moto; isso sem falar naqueles que, já na primeira moto, querem uma de 1000cc sem nunca ter andado sequer de 125cc. Para piorar, o roubo de motos alimenta o mercado daqueles defensores da Lei de Gerson que compram peças baratas, as quais, na grande maioria são roubadas. Não há nenhuma fiscalização.

Amigos e irmãos motociclistas, somos nós ‘os brasileiros’ os maiores culpados disso tudo. Somos nós que empregamos os políticos que passam 24 horas pensando em como nos sacanear. Somos nós que pagamos mensalidade a associações e sindicatos que pouco ou nada fazem. Somos nós que não nos interessamos em cuidar da própria vida ao andar com irresponsabilidade. Somos nós que bebemos e pilotamos. Somos nós que quando ganhamos cursos de pilotagem de graça ofertados por quem se preocupa conosco, não aparecemos – pois é de graça e de graça não tem valor.

Somos nós que pagamos propina pra tirar CNH e nos livrar de multas. Somos nós que fraudamos cadastros para obter financiamentos. Somos nós brasileiros que compramos peças roubadas. Somos nós que podemos fazer alguma coisa e apenas enxugamos gelo. Fomos nós que acabamos com o mercado de motos no Brasil nestes últimos três anos.

Reclamar não basta e nem ajuda; muito menos tirar da reta. É hora de deixar de fazer o errado, de deixar de achar que não é com você e que não te afeta; ou que não vai fazer muita diferença. Ao pensar assim o trânsito vai continuar um caos, nossas estradas estarão ainda mais cheias de problemas.

Achando que não é com você e fazendo exatamente o que foi descrito terminaremos 2014 pior que como estamos – não teremos hidrovias decentes, apesar de sermos o país com a maior bacia hidrográfica do mundo; não teremos ferrovias apesar de sermos continentais; o mercado de motos continuará a cair e o trânsito matará mais que em 2013 e tudo isso por causa de uma única pessoa – VOCÊ, O BRASILEIRO que quando não está numa moto, fura filas, suborna, paga propina para passar na frente ou receber mais rápido um benefício ou documento e por aí vai.

Ah! Foi por causa de alguns brasileiros que eu estou sendo obrigado a pagar a conta do implante do Renan Calheiros (que ficou uma ….). Este ano (2014) tem eleição. Lembrou-se disso? Acho que não. Deve tá pensando onde vai passar o carnaval, a Semana Santa…

Feliz 2014? Não sei! Vai depender de nós, brasileiros.



Motociclista desde os 18 anos. Jornalista e apaixonado por motos desde que nasceu.